Rede Hebe Camargo quer acabar com longas viagens de pacientes

Faz alguns anos que a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo criou o Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde). Trata-se de um serviço que visa regular o direcionamento de pacientes de acordo com sua necessidade e a oferta do serviço mais próximo de seu domicílio. Inicialmente o Cross regulou as urgências e emergências, evitando o trânsito desordenado de uma cidade para outra, com custo financeiro e para a própria saúde do paciente. Agora a regulação chegou ao tratamento oncológico por meio da Rede Hebe Camargo, implantada desde o dia 16 de abril e ainda em fase de estruturação.

Para o médico Sérgio Smolentzov, diretor técnico da Santa Casa de Araçatuba, trata-se de uma medida que vai disciplinar o atendimento e cria uma agenda ética, “sem interferência política ou de qualquer outro interesse”. Segundo o diretor técnico, os pacientes serão tratados de forma igualitária, “sem preferências”. Isso é o que se entende por agenda ética.

O Centro de Tratamento Oncológico (CTO) da Santa Casa é referência para 40 municípios da região nas áreas de oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica e radioterapia. Na área cirúrgia atende cabeça e pescoço, dermatologia, mastologia, cirurgia geral (trato gastrointestinal) e urologia.

Segundo Smolentzov, antes da Rede Hebe Camargo, o CTO de Araçatuba atendia por livre demanda. Ou seja, o paciente chegava e era atendido de acordo com a disponibilidade de vaga. Foi um sistema de funcionou durante muito tempo. Outras unidades oncológicas funcionavam do mesmo jeito. O paciente que conhecia alguém influente conseguia vagas em hospitais como de Barretos ou mesmo escolhia onde queria ser atendido e o poder público não tinha como estabelecer critérios. Agora mudou.

REDE HEBE CAMARGO

Com a implantação da Rede Hebe Camargo, a central de regulação do Estado é que vai definir onde o paciente será atendido. Para tanto, o diagnóstico será definido na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde. O município deverá estabelecer formas, seguindo um protocolo pré-definido, para se chegar ao diagnóstico de câncer. A partir deste momento, a central de regulação em São Paulo será acionada para encaminhar o paciente à unidade referenciada mais próxima para aquele determinado tipo de câncer.

Um paciente de Andradina, por exemplo, que tenha câncer de próstata, será encaminhado para Araçatuba. Já o paciente que precisa de tratamento oncológico na área de oftalmologia, será encaminhado para outra unidade, já que Araçatuba não oferece este serviço. “Uma forma direta de encaminhar o paciente”, disse Smolentzov.

RESPEITAR A ABRANGÊNCIA

Pelo modelo antigo não havia respeito às áreas de abrangência. O Hospital de Barretos, por exemplo, atendida pacientes de todo o Estado e até mesmo de outros estados. Os municípios tinham de arcar com os custos de transporte e em casos emergenciais, os hospitais mais próximos recebiam estes pacientes.

A partir de agora, cada unidade será referencia regional para determinados procedimentos. O CTO da Santa Casa de Araçatuba é referência para 40 municípios, que representam uma população de 755 mil habitantes. Nesta região, o CTO vai oferecer os serviços contratados. As especialidades não disponíveis serão encaminhadas à unidade referenciada disponível. De acordo com a demanda, o CTO da Santa Casa poderá oferecer novos serviços e também tornar-se referência.

AMPLIAÇÃO DA ESTRUTURA

Neste primeiro momento a previsão é de que deve reduzir a procura no CTO de Araçatuba. No entanto, a médio e longo prazo, a tendência é aumentar a procura. Já pensando nesta possibilidade, a direção procura se antecipar. Foi solicitado mais um acelerador linear (aparelho para radioterapia) ao governo. Da mesma forma, uma ala do CTO poderá se readequada para ampliar o atendimento na unidade.

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