Com voto contrário de vereadores pré-candidatos, Câmara de Araçatuba aprova aumento para os secretários municipais

ARNON GOMES – ARAÇATUBA

Ocupantes dos cargos de secretários municipais, chefe de gabinete e procurador-geral do município receberão, a partir do próximo mês, salário de R$ 11.345,77. A mudança é decorrente da aprovação, na sessão de segunda-feira da Câmara, do aumento de 9,22% no subsídio dos agentes políticos, retroativo a 1º de maio. A proposta com correção salarial foi apresentada pela mesa diretora do Legislativo a pedido do prefeito Dilador Borges (PSDB).

Conforme reportagem publicada por O LIBERAL REGIONAL no último domingo, o reajuste decorre da soma da inflação de 2016 e 2017, que ficaram em 6,28% e 2,94%, respectivamente. De acordo com a administração municipal, nesses dois períodos, a remuneração dos membros da cúpula do governo tucano não passou por revisão, diferentemente do restante do funcionalismo público. Por isso, na última segunda, no mesmo dia em que foi à votação o aumento para o secretariado, o percentual de elevação para os servidores municipais foi menor.

Para os funcionários, o reajuste dado pela Prefeitura foi de 5,10%, o equivalente à soma de 2,94% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do ano passado mais 2,16% de aumento real. Outra proposta elevou o valor do vale-alimentação dos servidores municipais de R$ 270 para R$ 300. Estes dois projetos passaram por unanimidade.

CONTESTAÇÃO

Entretanto, o maior debate ocorreu durante a votação do projeto que previa aumento para o secretariado. A grande maioria dos parlamentares – onze, ao todo – votou a favor. O vereador Lucas Zanatta (PV) não estava no plenário. Fora ele, a matéria só não recebeu votos de vereadores que, coincidentemente, são pré-candidatos na eleição de outubro. Arlindo Araújo (PPS) e Cido Saraiva (MDB), que já anunciaram seus nomes para concorrerem a deputado federal e estadual, respectivamente, votaram contra. Já o presidente da Câmara, Rivael Papinha (PSB), que também é pré-candidato a deputado federal, não vota esse tipo de matéria por questão regimental.

Apesar da argumentação apresentada pelo Executivo, Arlindo não se deu por convencido. “A questão é que o prefeito quer dar um aumento diferenciado – para os funcionários de carreira, um tanto; e para os secretários, os ‘amigos do rei’, outro tanto, bem maior, o dobro”, criticou. “Não tem nada de desrespeito aos secretários, de maneira alguma. Eles têm o salário deles e tinham que ter um reajuste igual ao dos outros funcionários.”

Almir Fernandes Lima (PSDB) procurou justificar como o governo estabeleceu os percentuais. “As pessoas podem questionar: esse não é o momento para estar dando esse aumento. Mas, por que não deu no ano passado? Aí entra aquele sacrifício que o prefeito fez: deixou de dar (reajuste) para os secretários, que ganham um pouco mais, e deu para os servidores. Foi uma política diante das circunstâncias que o governo tinha em mãos”, argumentou o parlamentar tucano. “Ele não fez nada além de pegar a inflação do ano passado com a deste ano”, finalizou, ao se referir aos índices usados pela Prefeitura para aumentar o salário dos secretários.

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