OAB retoma projeto voltado para a cidadania nas escolas em Araçatuba

Imaginemos uma escola que tem como um de seus maiores desafios combater a indisciplina dos estudantes. De repente, um grupo de advogados chega, voluntariamente, à unidade de ensino a fim de falar com os alunos sobre temas como “ética e cidadania” ou “direitos e deveres fundamentais”. Ações como estas foram implantadas em um projeto da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) há exatos 25 anos, ficaram “adormecidas” há pelo menos uma década e acabam de ser retomadas em Araçatuba. Tendo à frente duas advogadas, o programa “OAB vai à Escola” voltou a ser desenvolvido, neste ano, preocupado em exercer papel transformador entre os adolescentes.

Ambas as líderes da iniciativa estão ligadas à atuação da instituição que, de certa forma, atinge o campo da cidadania. Formada em direito pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Campinas, Carla de Arantes é presidente das comissões da Jovem Advocacia e do Meio Ambiente, na subseção local da OAB. Lucila Ruriko Koga Gomes, por sua vez, é graduada em direito pelo Unitoledo (Centro Universitário Toledo), diretora secretária-adjunta e presidente da comissão do exame da Ordem e membro das comissões de Cultura e Eventos na entidade.

De imediato, elas procuram evitar que os mais jovens concluam suas formações sem conhecerem aspectos elementares da legislação, um problema recorrente em todo o Brasil. Carla e Lucila explicam que o principal objetivo do projeto é levar conhecimentos básicos jurídicos aos alunos, de forma amena e mais simplificada. ” O conhecimento de seus direitos e deveres possibilita melhor compreensão sobre os acontecimentos do dia a dia e, consequentemente, uma vida mais completa e feliz, dentro da sociedade”, avaliam.

A ação chega ao universo estudantil após contato inicial entre as coordenadoras do projeto e a direção dos estabelecimentos educacionais. Os temas são fixados de comum acordo, sempre considerando as características peculiares de cada colégio. No momento, a iniciativa tem sido levada às escolas municipais e estaduais por entenderem que, na rede pública, há maior deficiência de informações. “Mas nosso objetivo é conseguir atender a todas as escolas dentro do município de Araçatuba, que tiverem interesse em colaborar conosco”, ressaltam.

PARCERIA
O projeto conta ainda com apoio de 35 advogados, que fazem palestras, dentro de alguns temas predefinidos, conforme a experiência de cada um. Por exemplo, quando a escola demonstra a necessidade de discussões com os alunos que envolvam Direito de Família, são chamados advogados com atuação nesse ramo. Já nas matérias comuns a todos os profissionais do direito, os palestrantes são definidos de acordo com a disponibilidade de cada um para o dia e horário agendados. A participação desses advogados é considerada fundamental. “Sem o comprometimento e engajamento verdadeiro de todos os colegas, este projeto não teria saído do papel”, destacam Carla e Lucila. “Todos são responsáveis pela boa condução e ótima repercussão que tivemos até agora.”

 

‘Cadeia de bem social’ possibilitou retomada

Ao lado das advogadas Carla e Lucila, um dos maiores entusiastas da retomada do “OAB vai à Escola” foi o próprio presidente da subseção de Araçatuba, Sandro Laudelino Ferreira Cardoso. Ele já havia participado desse mesmo projeto anos antes, ainda quando o presidente local da OAB era o advogado Alceu Batista de Almeida Júnior, hoje vereador pelo PV em Araçatuba.

“Ele (Sandro) nos pediu que reanimássemos o projeto, pela cadeia de bem social que causa”, conta Carla, destacando a receptividade que a iniciativa tem dos professores e advogados. “A partir daí e pelos diversos colegas que se juntaram ao trabalho, foi possível começar e realmente reintroduzir este projeto maravilhoso em Araçatuba.”

OSASCO
O berço deste projeto está em Osasco (SP). Foi lá onde começou, em 1993, por iniciativa do advogado Nelson Alexandre da Silva, então conselheiro da OAB/SP e presidente da Comissão da Cidadania e Ação Social.

Com a retomada, assuntos considerados novos deverão ser abordados também, como cyberbulling e responsabilidade trabalhista na internet.

HOMENAGEM
Carla e Lucila ganharam, na última semana, um estímulo para desenvolver o projeto com mais dedicação ainda. Na Câmara Municipal, elas e os demais advogados que colaboram com o programa ganharam um voto de aplauso na última segunda-feira. A propositura foi do vereador Alceu.

“Nós só plantamos uma sementinha em cada aluno. Ela envolve a atuação positiva na sociedade, dentro e fora do ambiente escolar. Ainda tentamos ampliar os horizontes dos adolescentes, para que sonhem alto e esforcem-se, sempre no caminho correto, para alcançar seus objetivos, por mais distantes que possam parecer”, finalizam.

Arnon Gomes

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