O Liberal checa situação da merenda escolar em Araçatuba

“Eu como aqui, porque a comida é a melhor que a de casa”. Esse é o relato da pequena Giovana, de apenas quatro anos. Com um sorriso largo no rosto, ela não esconde a felicidade da tão esperada hora de receber a merenda escolar na Escola Municipal de Ensino Básico Maria Aparecida Pimentel Ferraz, no bairro Rosele, zona norte de Araçatuba. Após a operação “Prato Feito”, que investiga o desvio de verbas federais por empresários da merenda escolar, a reportagem do jornal O LIBERAL esteve na instituição para conferir a situação da comida quando o jantar era servido aos alunos na tarde de ontem (11).

A equipe avisou sobre a visita poucos minutos antes de chegar até a escola. O que se viu lá dentro foi o cumprimento de um rigoroso cardápio sob medida para cada aluno. Atualmente, a escola possui 210 crianças entre quatro meses até seis anos de idade. De acordo com a diretora Ana Cláudia Denadai Ribeiro, que trabalha há 16 anos no estabelecimento de ensino, o que se vê hoje nem se compara ao que as escolas sofreram em meados de 2015.

“A empresa responsável pela merenda não entregava os alimentos suficientes. Em alguns dias tínhamos somente ovos ou carne de frango para servir às crianças”, revela.

A funcionária pública diz ainda que na época foi intimada pela Polícia Federal, assim como outras diretoras das escolas municipais de Araçatuba, a prestarem depoimento sobre a situação. “Eles recolheram as documentações referentes ao que chegava até aqui de merenda. A gente vivia repetindo o cardápio, porque não havia alimentos diferentes”.

A situação mudou completamente nos últimos anos. Atualmente, a escola segue um cardápio elaborado pela atual empresa prestadora desse tipo de serviço e aprovado pela prefeitura. São servidas quatro refeições diárias: café da manhã, almoço, café da tarde e o jantar. No caso do berçário são cinco refeições, já que também são oferecidos o desjejum e colação.

Ontem, durante a visita do jornal O LIBERAL à escola, o cardápio era macarrão com salsicha, salada de tomate e ovos. De sobremesa, os alunos comeram banana. O prato seguia o que estava escrito em uma tabela fixada na parede da escola, onde todas as refeições da semana são informadas. Os ovos foram acrescentados, já que tinham sobrado em dias anteriores. “Nós fazemos um reaproveitamento dos alimentos que sobram para evitarmos o desperdício e deixar que eles estraguem. Mas comida aqui é o que não falta”, concluiu a diretora.

Toda a semana, a instituição é abastecida com frutas, verduras, legumes, carne, suco, leite e tantos outros insumos necessários para a demanda escolar. Já duas vezes na mesma semana chegam os alimentos oriundos da agricultura familiar. De acordo com o prefeito Dilador Borges (PSDB), um rigoroso controle de qualidade é feito antes dos alimentos chegarem até as crianças.

“Nossa merenda não teve reclamações. A Edna (vice-prefeita) e eu sempre pregamos o respeito ao dinheiro público e a nossa secretária de Educação mantém o controle de qualidade. A empresa fornecedora tem que fazer um excelente serviço”, afirmou.

MAIS HIGIENE
A Emeb visitada adota formas diferentes na hora da merenda escolar ser servida. A comida é colocada em pratos de vidro. Essa foi uma forma encontrada para aumentar a higiene e garantir a boa qualidade aos alunos. Além disso, são as próprias crianças que tomam a liberdade de se servirem e colocarem no prato a quantidade que quiserem de alimento.

“Essa é uma forma de deixarmos que o aluno escolha o que ele quer comer. Alguns não gostam de determinado item do cardápio e não são obrigados a comê-lo. A gente sempre incentiva para que eles experimentem tudo, mas não existe essa obrigação”, conta Ana Cláudia.

Já a coordenadora da Soluções Serviços Terceirizados Eirelli, atual empresa responsável pela distribuição da merenda em Araçatuba, Jéssica Mendonça Taparo, o cardápio é feito mensalmente e enviado à prefeitura, que deverá aprová-lo, para depois seguir até as escolas.

“O que não pode faltar são as proteínas. Por isso trabalhamos com carne moída, carnes em cubos, frango, pernil, peixe, salsicha e os ovos”, elenca.

OPERAÇÃO
A operação “Prato Feito” foi desencadeada na quarta-feira (09) em diversas cidades paulistas, inclusive Araçatuba, e mais quatro estados. Há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo 13 prefeitos, quatro ex-prefeitos, um vereador, 27 agentes públicos não eleitos e 40 pessoas da iniciativa privada. A CGU identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bi.

Em Araçatuba, mandados de busca foram cumpridos na sala de licitações e administração da prefeitura. Segundo a Polícia Federal, empresários fizeram um cartel, venciam as licitações e superfaturavam os contratos para desviar verbas federais destinadas à educação. Dos R$ 3.700.000,00 destinados à merenda escolar, R$ 2.200.000,00 foram desviados. Nenhum agente político ou servidor público é apontado nas investigações até o momento.

Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de fraude a licitações, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com penas que variam de um a 12 anos de prisão.

Da Redação

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