Longa estiagem ameaça produção agrícola na região de Araçatuba

A longa estiagem que atinge a região de Araçatuba pode comprometer a safra do principal produto agrícola cultivado no momento – o milho safrinha. O diretor do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), de Araçatuba (órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento) e que abrange 18 municípios, engenheiro agrônio Cláudio Batistella, informou que não é possível estabelecer percentual de perda, pois no caso de chuva nos próximos dias, a lavoura pode recuperar. A última registrada em Araçatuba foi no dia 2 de abril, com precipitação de 70,6 milímetros.

Segundo o diretor do EDR, o milho safrinha é cultivado principalmente na área em que foi colhida a soja. Na maioria das propriedades é feito o plantio direto – sai a soja e entra o milho. O plantio foi feito entre fevereiro e início de março. “Neste momento as plantas estão florescendo e precisam de água, mas o que se vê é que em determinadas áreas as folhas já estão enrolando, o que caracteriza stress hídrico (falta de água). De acordo com o engenheiro agrônomo, ainda é muito cedo para estimar possíveis perdas, pois a natureza pode reagir positivamente com as primeiras chuvas. Porém, se não chover nos próximos 15 dias, a situação pode ficar complicada.

Conforme registros da Secretaria da Agricultura, as últimas chuvas em Araçatuba foram no início de abril – dia 1º – 5,6 milímetros e dia 2 – 70,6 milímetros. No final de semana passado houve registro de chuva em determinadas áreas de birigui, mas o volume não foi revelado.

Os dados do Escritório de Desenvolvimento Rural apontam que em 2016 foram cultivados 23.727 hectares de milho safrinha nos 18 municípios da região. No ano passado foram 25.334 hectares plantados, com produtividade média de 88 sacas por hectare. A média regional varia entre 80 e 90 sacas por hectare. Já este ano dificilmente será alcançada esta média.

NA ROÇA

A reportagem visitou várias lavouras de milho em Araçatuba. O desempenho das plantas está abaixo do esperado. O milho não cresceu e já está com pendão (florescendo). A falta de chuva pode comprometer a produção. Um experiente funcionário de uma das lavouras, disse que aparentemente já houve perda superior a 25% e se não chover nos próximos dias, a lavoura pode ficar completamente comprometida.

OUTROS PRODUTOS

O índice de preços da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) teve alta de 7,10% em abril na comparação com março. A elevação dos preços de frutas, legumes e verduras ficou por conta das chuvas muito abaixo da média histórica para o período.

As fortes chuvas no fim de março, que prejudicaram as culturas, principalmente de legumes e verduras, também causaram altas em abril.

Em abril, as frutas subiram 2,66%. As principais altas afetaram os preços da uva rubi (26,6%), morango (25,7%), abacate fortuna (25,4%), mamão formosa (23,9%) e uva benitaka (19,9%).

O setor de legumes acusou forte alta de 19,41%. O pepino japonês subiu 40,7%. Divulgado mensalmente, o índice Ceagesp aponta variação de preços no atacado abrangendo frutas, legumes, verduras, pescados e outros produtos comercializados no Entreposto Terminal São Paulo. (Com informações da Agência Brasil).

ANTÔNIO CRISPIM – São Paulo

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