Petrobras confirma negociações da UFN3 para o grupo russo

A Petrobrás emitiu nota na quarta-feira (9), em que anuncia negociações com a empresa Acron por um período de 90 dias, para desinvestimentos no setor de fertilizantes. A Petrobrás quer vender toda a participação integral da Araucária Nitrogenados S.A (Ansa), no Paraná (PR) e de sua Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN 3) Três Lagoas (MS).

A Acron é uma sociedade anônima de capital aberto com foco na produção e comercialização de fertilizantes e possui ações negociadas na Bolsa de Valores de Moscou e de Londres e acrescentou a petroleira brasileira.

O período do acordo com o grupo russo refere-se ao processo de alienação integral de sua participação acionária na Araucária Nitrogenados S.A e UFN 3. Se comprar as fertilizantes do Paraná e de Três Lagoas, serão os primeiros empreendimentos do grupo no Brasil.

Para o Secretário de Estado de Meio ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, esse processo de negociação representa um “projeto estratégico tanto para o país, quanto para Mato Grosso do Sul e reposiciona o Estado ao cenário industrial”, afirmou. A partir de agora, inicia-se o processo de consenso em relação a valores.

ENTENDA O CASO
A construção da unidade de fertilizantes teve inicio em setembro de 2011 e foi interrompida em dezembro de 2014, quando a Petrobras rompeu contrato com o consórcio integrado pelas empresas Galvão Engenharia e Sinopec – denunciadas na Lava Jato-. O consórcio executava a obra. O projeto está 80% de avanço físico executado.

Em setembro de 2017, a Petrobras deu início ao processo de venda como parte de sua estratégia de saída integral da produção de fertilizantes no País. A obra consumiu R$ 3 bilhões de investimentos e, para conclui-la, o novo investidor deve arcar com o custo de R$ 2 bilhões.

Em janeiro, o grupo russo Acron, havia se reunido com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para discutir a concessão de incentivos fiscais à Petrobras e o fornecimento de gás natural.

EXPECTATIVA
Em Três Lagoas há muita expectativa em relação à conclusão da obra. Além da geração de empregos para conclusão do empreendimento, a operação da usina demandará muitos postos de trabalho. Além disso, há dezenas de empresários que ainda esperam receber débitos do antigo consórcio.

Devido à importância da retomada da obra, o prefeito Angelo Guerreiro, com aprovação da Câmara, prorrogou o prazo para conclusão do empreendimento, mas cobrou contrapartida. Desta forma, em ações para minimizar o impacto e tributos, o novo controlador deve destinar ao município, ao longo de vários anos, aproximadamente R$ 30 milhões.

Mariane Martins

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