Querendo ser conhecido, França promete ‘socorrer’ as prefeituras

A movimentação era intensa em frente ao aeroporto estadual Dário Guarita, ontem de manhã. Muita gente sabia que o governador Márcio França (PSB) pousaria em Araçatuba antes de iniciar agenda em cidades da região. Muitos que o aguardavam, no entanto, não sabiam quem era ele. Acompanhado de poucos assessores, o político chegou e passou por algumas pessoas, que não o reconheceram. Porém, bastou ser saudado pelo deputado estadual Roque Barbiere (PTB), quase na escadaria, que, logo, um verdadeiro batalhão de políticos – entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, líderes partidários, pré-candidatos de outubro e ex-mandatários – se formou em torno da ilustre visita.

Todos queriam cumprimentar e tirar foto com o homem que, há quase um mês, assumiu o compromisso de ficar à frente do Palácio dos Bandeirantes até o fim do ano. Só assim, faixas com mensagens carinhosas e de agradecimento se desenrolaram e ficaram expostas no saguão, mostrando a funcionários do local e a passageiros à espera de seus voos que ali estava uma pessoa pública.

França admite que, apesar de ter ascendido ao posto maior da hierarquia estadual, não é conhecido pela maioria da população paulista. “Eu sou uma pessoa muito desconhecida, principalmente no interior. Só 9% sabem quem eu sou”, afirmou o político que tentará se reeleger governador em outubro e comandar os rumos de São Paulo pelos próximos quatro anos. Para ele, trata-se de um Estado “estável financeiramente”, fruto da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que deixou o governo em 6 de abril para concorrer à Presidência da República. “Então, é mais fácil conseguir organizar São Paulo porque é um Estado estável”, enfatizou França, que procura não perder a lealdade a quem está sucedendo no cargo. Durante entrevista, ao falar do tucano, assim se referia: “Governador Alckmin”.

Apesar da segurança que vê na administração estadual, França se lançou a um desafio em seu mandato-tampão. Fala em socorrer as prefeituras, que, nos últimos anos, viram-se diante de várias dificuldades financeiras, especialmente por causa da recessão econômica. “Vamos fazer intervenções nos municípios, ajudando os prefeitos a sobreviverem à situação difícil que pegaram”, disse. Entre os setores prioritários, citou a infraestrutura urbana, com destaque para a manutenção de praças, ruas e avenidas. Também prometeu não deixar de lado a educação.

Ele afirmou que um dos seus objetivos, na área do ensino superior, é abrir mais vagas na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) em todos os municípios. “(Isso) para que possamos ter o jovem do ensino médio público se sentindo animado em fazer uma faculdade pública, de graça e sem o vestibular”, declarou o governador.

SAÚDE

Ainda ontem, seria assinado convênio do Estado com a Santa Casa para a aquisição e instalação de equipamento de hemodinâmica avaliado em R$ 2,5 milhões. O termo, entretanto, acabou não sendo formalizado. França se comprometeu a assiná-lo assim que voltar a São Paulo para que a verba chegue, de imediato, ao hospital. 

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, a gestão de suprimento já está em diálogo com a equipe médica responsável pela especialidade de hemodinâmica a fim de definir qual o equipamento mais moderno será comprado. De acordo com o hospital, após a aquisição, o aparelho deverá chegar em 90 dias, pois é importado. Entregue, a expectativa é que, em cinco meses, fique disponível para atender a população. Isso porque passará por uma fase de testes e montagens. “A ideia da atual direção é fazer, quando este equipamento chegar, um upgrade no aparelho antigo e mantê-lo em uso no hospital porque aí o hospital vai atender tranquilamente as demandas de cateterismo e também para a área cardiovascular”, completou a assessoria.

A verba para a compra do aparelho resultou de emenda parlamentar do deputado estadual Roque Barbiere (PTB), que acompanhou a visita oficial. “A Santa Casa já estava com essa demanda há algum tempo. O governador Alckmin já tinha esse recurso em caixa e nós fizemos apenas a liberação”, disse França, sobre o recurso.

INAUGURAÇÕES

Depois de Araçatuba, França parou em três cidades da região, onde iria entregar moradias de programas habitacionais de São Paulo. Primeiro, foi a Buritama. Lá, inaugurou conjunto com 62 moradias. No começo da tarde, esteve em Brejo Alegre, onde foram liberadas 54 casas. Por fim, Promissão. Lá, foram 72 imóveis.


 

Prefeito e presidente da Câmara entregam pedidos

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COBRANÇAS – Márcio França, ao receber pedidos de Dilador e Papinha, ainda no aeroporto de Araçatuba

 

Ainda em Araçatuba, França recebeu pedidos de recursos para Araçatuba feitos pelo prefeito Dilador Borges (PSDB) e o presidente da Câmara Municipal, o vereador Rivael Papinha (PSB). O tucano solicitou R$ 5 milhões para a infraestrutura. França, por sua vez, comprometeu-se a agilizar a solicitação até junho.

De seu correligionário, não veio um valor exato para investimento, mas uma ampla lista de ruas, avenidas e bairros para contemplação de melhorias com verba estadual. Papinha solicitou a pavimentação da avenida Juscelino Kubitscheck, implantação de galerias pluviais no bairro Esplanada e nas ruas Aparecido Romano, José Blaya Mendes, Ignês Aparecida de Abreu Bernardes e Antônio Floriano Pétia, além da conclusão do asfaltamento das avenidas Joaquim Pompeu de Toledo, Dois de Dezembro, Paranapanema e Café Filho.

Para os bairros Jardim Moreira, Pinheiros e Mão Divina, cobrou a pavimentação e a implantação de galerias. Também solicitou verbas para a recuperação asfáltica dos bairros Umuarama, João Batista Botelho, Pedro Perri, Clovis Picoloto, Jardim Rosele, Ipanema, Aeroporto, Vila Alba, Primavera, Aviação, Castelo Branco, Nossa Senhora Aparecida e Jardim Universo. Por fim, a conclusão das obras de recapeamento do bairro Concórdia e o término da implantação de galerias pluviais nos bairros Água Branca I e II e Vista Verde.

Governador se diz o ‘candidato do coração’ de Geraldo Alckmin

Ao falar da eleição estadual de outubro, França evitou polemizar sobre o racha na cúpula do governo paulista – apesar de ter sido vice na gestão de Geraldo Alckmin iniciada em 2015, o PSDB vai lançar a candidatura do ex-prefeito paulistano João Dória ao Executivo paulista. De qualquer forma, França se considera apoiado por Alckmin.

Declarou, durante sua entrevista no aeroporto: “Eu tenho o apoio dele. Quando governador me chamou para ser vice-governador, sabia que eu ia ficar governador. Então, eu me sinto escolhido por ele para ser seu sucessor. Eu entendo que o partido dele, que é muito grande, resolveu ter um candidato, o que é natural. Então, (o Alckmin) tem um candidato que é do partido (João Dória) e o candidato que é do coração. Eu sou o do coração”.

TESTADO

Apesar de ser considerado pouco conhecido, França se considera “testado”. Afirmou: “Posso garantir que venho de uma longa carreira de vida pública”. Ele destacou o período em que foi prefeito de São Vicente (SP), sua cidade natal, entre 1997 e 2004. “Fui prefeito de uma cidade muito difícil de governar, uma das mais pobres do Estado, com 350 mil habitantes. Fui reeleito com 93% dos votos. Então, eu vim testado”. Para ele, com o tempo, as pessoas vão perceber que o mais importante na política está cumprir a palavra.

Por fim, classificou a disputa eleitoral de São Paulo como “a briga do que é superficial e com o que é profundo”. E completou: “Eu acho que o governador Alckmin fez um governo profundo e está preparado para as dificuldades do Brasil. E eu tenho defendido isso: ele é a pessoa adequada para o Brasil. Se você arrisca nomes superficiais, sem muito preparo, depois, se arrepende e dá no que deu, como foi com a Dilma (Rousseff)”.

ARNON GOMES – Araçatuba

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