Consultora alerta para nova Base Curricular

Garantir uma unidade no conteúdo que se passa em sala de aula em todo o País e corrigir antigas distorções. Foi com essa proposta que o governo federal realizou durante oito meses, até dezembro do ano passado, audiências que resultaram na elaboração da Base Nacional Curricular Comum. O documento estabelece uma série de diretrizes a serem seguidas por quem atua educação infantil e no ensino fundamental até 2020.

De acordo com a consultora em políticas públicas educacionais, Aline Moraes, de Valparaíso, o texto tem como um dos principais pilares evitar o prolongamento, por toda a formação, de problemas que começam na alfabetização, desafio que, para ela, precisa ser sanado em todo o País. “A Base Curricular foca no fortalecimento da alfabetização. Para a educação infantil, fala de trabalhos que valorizem o convívio, o brincar, o conhecer-se, as formas de se expressar e a realização de atividades que, desde cedo, aproximam-se do cotidiano”, destaca a pedagoga, que participou das audiências, em Brasília. No ensino fundamental, uma das preocupações está em acabar com o chamado do analfabetismo funcional. “A realidade, hoje, mostra que ainda há alunos que chegam ao sexto e ao oitavo anos que não conseguem interpretar corretamente um texto”, analisa.

Por isso, destaca Aline, a nova base sugere que, já na educação infantil, o conhecimento das letras seja passado aos alunos. “Até chegar ao terceiro ano do ensino fundamental, quando se completa a formação básica, a orientação é para que se trabalhe com frases curtas e uma exploração maior de interpretação e produção de textos”, enfatiza. “Por fim, há o que chamamos de corpos de experiência, ou seja, atrelar o conhecimento científico ao cotidiano.”

COMPETÊNCIAS
Conforme Aline, a Base Curricular estabelece dez competências comuns a serem seguidas: valorização do conhecimento histórico do mundo físico, social, social e cultural; exercício da curiosidade intelectual, com base nos saberes de diferentes áreas; valorização das atividades artísticas e culturais; misturas de diferentes linguagens com a mistura do conhecimento de disciplinas distintas; utilização das novas tecnologias de forma crítica, ética e reflexiva; escolhas alinhadas ao exercício da cidadania; argumentação com base em dados e informações confiáveis; o cuidado com a saúde física e emocional; exercício da empatia para a solução de conflitos; e a ação com autonomia e resiliência.

“Com a nova Base Curricular, todos os currículos escolares terão que ser elaborados, seguindo essas diretrizes”, finaliza a estudiosa da área da educação.

Arnon Gomes

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