Dívidas da Santa Casa de Araçatuba chegam a quase R$ 100 milhões

A Santa Casa de Araçatuba tem débitos que chegam a quase R$ 100 milhões. Um retrato da saúde financeira do hospital, que é referência para cerca de 800 mil moradores de toda a região, foi apresentado nesta semana em uma reunião, no Paço Municipal, convocada pelo prefeito Dilador Borges (PSDB).

Desde a posse da nova diretoria da instituição, em março deste ano, o tucano havia se comprometido a mobilizar prefeitos das 40 cidades da região atendidas pela irmandade. Coube, então, aos gestores municipais a apresentação de propostas a fim de ajudar o hospital a médio e longo prazo. O objetivo é conseguir novas receitas para amortizar o pagamento mensal de R$ 1.663.529,58 de empréstimos bancários contraídos nos últimos anos para cobrir despesas imediatas que não puderam ser pagas em decorrência de um déficit mensal histórico decorrente do subfinanciamento da tabela do SUS (Sistema Único de Saúde). “Esse déficit acompanha o hospital há muitos anos”, explicou o diretor técnico da Santa Casa de Araçatuba, Sérgio Smolentzov. O hospital tem déficit mensal de R$ 2.288.715,70, enquanto sua receita é de R$ 9.520.060,23. “Caso não houvesse defasagem entre os valores que o SUS paga e aquilo que o hospital efetivamente gasta para realizar os atendimentos aos usuários do convênio governamental, esta receita seria suficiente para cobrir o custeio”, ressaltou o diretor.

CAMINHOS
Dentre as sugestões apresentadas no evento, estão a realização de eventos beneficentes, captação de emendas dos fundos para custeio de saúde pública e mobilização junto aos deputados estaduais e federais votados na região para apresentarem mais substanciosas destinadas à Santa Casa. Nesse aspecto, aliás, foi sugerido até que os prefeitos abram mão de alguma emenda eventualmente oferecida aos seus municípios em favor do hospital.
Apesar de acatarem as sugestões, porta-vozes do hospital apontaram a necessidade de um socorro imediato e permanente. O superintendente do Plano de Saúde, Fábio Martinez Blaya, sugeriu um estudo pelos prefeitos sobre repasses pelos municípios de quantias calculadas com base em um valor per capta.

“Em uma cidade que possui cinco mil habitantes, como Coroados, por exemplo, a Prefeitura poderia calcular R$ 2 por habitante e repassar mensalmente R$ 10 mil ao hospital. Em um ano, teríamos R$ 120 mil”, exemplificou. Ele também sugeriu a compra de serviço de baixa e média complexidades de grandes demandas nos municípios, como oftalmologia e cirurgias de porte médio. “Caso a maioria dos municípios adote uma dessas sugestões, o hospital terá fôlego financeiro para sanar as dívidas e investir no aprimoramento dos atendimentos”, afirmou.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, a grande demanda pelos serviços oferecidos é a origem do crescente volume de despesas. Pelo SUS, na região, é a única referência para neurocirurgia, ortopedia, oncologia, cardiologia, hemodiálise, cirurgia cardíaca e urgência e emergência. Somente no ano passado, foram feitos 173.082 atendimentos aos pacientes do Sistema Único. Isso, além de 255.064 exames para diagnósticos e 61.734 consultas de especialidades.

NOVA REUNIÃO
Dilador marcou nova reunião para quinta-feira, 5 de maio, a fim de formatar sugestões, definir estratégia e formar uma comissão para ações junto aos deputados e aos governos federal e estadual.

Arnon Gomes

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