Filha tentou impedir assassinato da mãe e suicídio do pai

Familiares da costureira Geni Aparecida dos Santos Ferrer, de 47 anos, tentam encontrar respostas depois do ex-marido dela, o agente penitenciário Gilson Alves de Sena, 44 anos, mata-la a tiros e depois se suicidar com um tiro na cabeça na frente da filha, de apenas 11 anos. Mesmo com um histórico de ciúme e agressões, os parentes de Geni não imaginavam que o desfecho de toda a história seria assim.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL conversou com o pai da costureira na manhã de quinta-feira (26). Ele mora nos fundos da residência da filha, onde o crime ocorreu. O aposentado Nelson Ferrer, que é cadeirante, estava sentado na calçada quando ouviu os disparos. “Eu estava sentado, como todo o fim de tarde fico, quando vi o Gilson chegando. Depois de um tempo eu só ouvi os estampidos e aquela gritaria e correria. Ele já tinha ameaçado a gente outras vezes, inclusive eu, minha mulher e até a filha dele. Disse que ia matar todo mundo”, disse ainda incrédulo.

Segundo o que foi apurado, o agente penitenciário teve união estável com a vítima durante pouco tempo. Da relação, os dois tiveram uma filha, que atualmente está com 11 anos. O homem não aceitava o fim do casamento e pensava que a ex-mulher pudesse estar se relacionando com outra pessoa.

“Eu não sei de onde ele tirou isso. Tudo mentira. Ele estava doente. O nosso alívio agora é saber que ele foi embora”, complementou o pai de Geni.

DISCUSSÃO

Gilson teria procurado a ex-esposa duas vezes na tarde de quarta-feira. Na primeira tentativa, a vítima não estava em casa, pois foi até a padaria comprar refrigerante. De acordo com os familiares, o autor teria ido até ao estabelecimento comercial transtornado atrás da costureira. Alguns minutos depois, ele retornou até a residência e iniciou uma discussão na frente da filha.

Em determinado momento, o homem sacou um revólver de calibre 380 e efetuou diversos disparos que atingiram as costas da mulher. A filha do casal, desesperada, tentou impedir o ato e pulou nos braços do pai no momento em que ele mirou a arma para a própria cabeça. Mesmo assim, Gilson efetuou mais um disparo, agora conseguindo ceifar a vida dele.

Segundo o delegado da Polícia Civil de Araçatuba, Getúlio Vargas, um inquérito será aberto para dar andamento às investigações. “Nós temos relato de um histórico de ciúmes e agressões por parte do autor contra a vítima, inclusive ela já tinha uma medida protetiva contra ele. O inquérito será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher, que irá intimar os familiares e a filha do casal nos próximos dias para prestarem depoimento”.

MORTES

Os dois foram socorridos ainda com vida e encaminhados até a Santa Casa de Araçatuba por ambulâncias do Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência), mas não resistiram e morreram alguns minutos depois de darem entrada na unidade hospitalar.

Os corpos foram levados até ao IML (Instituto Médico Legal) onde passaram por exame necroscópico e toxicológico. Um laudo deverá ficar pronto em até 30 dias para auxiliar nas investigações.

Os velórios só começaram no início da tarde de ontem em capelas particulares localizadas na Avenida da Saudade e Prestes Maia. O corpo de Geni foi sepultado às 17h no cemitério municipal da Saudade. Já o corpo de Gilson foi enterrado no mesmo horário, só que no cemitério Recanto de Paz. no bairro Rosele.

você pode gostar também