MST desocupa fazenda do empresário Oscar Maroni

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) desocuparam no fim da manhã de terça-feira (24) a fazenda Santa Cecília, pertencente ao empresário Oscar Maroni. A ocupação durou uma semana.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL entrou na propriedade logo após a saída dos 350 integrantes do movimento. O gerente da fazenda, Edvard Gonçalves Fernandes, acionou a Polícia Militar e registrou um boletim de ocorrência de danos e furto.

Em um dos escritórios houve danos em um monitor, nas portas e em um cofre. Segundo o gerente, os manifestantes arrombaram o objeto e levaram alguns documentos. Não havia nenhum valor em dinheiro no local. Já no galpão principal, onde os maquinários ficam estacionados, os participantes da ocupação usaram caixas de papelão e colchões para dormirem. Durante as madrugadas, por conta da queda nas temperaturas, eles queimaram lascas de aroeira para poder fazer fogo.

Já na oficina da propriedade rural, foram constatados mais danos e furtos. Os integrantes picharam as paredes e algumas máquinas e furtaram diversas ferramentas do local. O caso foi encaminhado para a Polícia Civil de Araçatuba, que abrirá um inquérito para dar andamento às investigações e a possível identificação dos autores. Os caseiros da fazenda ficaram trancados dentro da casa onde moram, ainda de acordo com o gerente, e foram impedidos de sair. Eles ainda tiveram os carros revistados.

O movimento seguiu em quatro ônibus até a Avenida da Saudade, no bairro Vila Estádio, em Araçatuba, onde reuniram-se já durante a tarde em frente ao prédio da Justiça Federal, onde realizaram um ato a favor dos processos sobre reforma agrária existentes no Judiciário e contra a prisão do ex-presidente Lula. As lideranças não descartaram uma nova invasão na fazenda de Oscar Maroni, pois segundo eles as terras foram a leilão por processos trabalhistas, em 2016.

OCUPAÇÃO

A quarta ocupação do MST no local durou uma semana. Os integrantes exigiram que a área fosse destinada à Reforma Agrária para a construção de um assentamento para as famílias. A ação fez parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária.

Atualmente, mais da metade da propriedade rural está arrendada para uma empresa que atua no setor de açúcar e álcool. O restante ainda pertence ao empresário Oscar Maroni. À reportagem, o empresário disse que o ato é uma retaliação pessoal, já que ele distribuiu cerveja de graça para aproximadamente três mil pessoas, em São Paulo, em comemoração ao decreto da prisão de Lula, condenado em segunda instância e preso pela Operação Lava Jato.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) informou, por meio de nota, que “não existe nenhum processo administrativo no Incra/SP para desapropriação ou aquisição da fazenda Santa Cecília, em Araçatuba. Leilões por conta de sonegação de impostos e dívidas trabalhistas cabem à Justiça, mas não existe no Incra/SP nenhum registro da pretensão de compra desta fazenda por leilão”.

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