A luta por um novo rim após 15 anos

“Logo, logo, eu vou estar fazendo as coisas que eu mais fazia. Vou poder beber água, praticar esporte. Eu não posso fazer por causa do dreno na barriga”. O depoimento é da jornalista Letícia Prado, de 21 anos. Recém-formada na profissão, a jovem não perde a esperança de conseguir um rim novo. Desde os quatro anos de idade ela sofre de insuficiência renal crônica e perdeu totalmente a funcionalidade dos rins. Aos sete, recebeu um transplante da própria mãe. Após 15 anos, o órgão rejeitou o organismo e Letícia voltou a sofrer os mesmos problemas da infância. Ela terá que fazer um novo transplante.

Mesmo com as adversidades enfrentadas, a jornalista não perde a esperança. A força de vontade de enfrentar o problema de saúde e passar por todos os obstáculos no meio do caminho não seria possível sem o apoio de familiares e amigos. “Como anteriormente, quando a minha família se mobilizou, eles estão se mobilizando novamente, assim como meus amigos. Mas apesar de todo esse mutirão, eu optei ficar na fila de espera, pois fiquei chateada ao perder o rim que minha mãe doou a mim com tanto amor”, contou.

 Letícia sofre de insuficiência renal crônica, doença que consiste em lesão renal e perda progressiva e irreversível da função dos rins. Em sua fase mais avançada, os órgãos não conseguem mais manter a normalidade do meio interno do paciente. Esta já é a segunda vez que a jornalista enfrenta o mesmo problema. Aos quatro anos, os primeiros sintomas surgiram. Ela fez tratamento médico em uma clínica especializada em São José do Rio Preto. Três anos depois, os trabalhos não surtiram o efeito necessário e houve a necessidade do transplante.

“Na época, o meu médico não queria que eu ficasse na fila de espera. Apesar da minha família inteira ter se mobilizado, a minha mãe foi a primeira a fazer o teste de compatibilidade e deu certo”.

O transplante ocorreu corretamente e foi considerado um sucesso. Durante 15 anos, Letícia conseguiu levar uma vida normal, apesar de ainda sofrer com restrições alimentares, como não beber muito liquido e comer pouca proteína. Mas desde o fim do ano passado, os sintomas da insuficiência renal voltaram a aparecer. A jovem começou a ficar novamente inchada e procurou o médico, que sempre a acompanhou, desde quando descobriu a doença.

A opção, de novo, foi o transplante, mas, diferentemente do passado, a jornalista fez uma decisão difícil ao optar esperar, ao invés de algum familiar compatível fazer a doação, escolha desejada até mesmo pelas equipes médicas. Mas ela manteve o posicionamento firme e há três meses aguarda a chegada de um novo rim. A previsão é a de que ela seja transplantada até julho.

Enquanto isso, a paciente passa por tratamento intensivo com a diálise peritonial, procedimento que ocorre dentro do corpo do paciente, com auxílio de um filtro natural como substituto da função renal. Por meio de um cateter, uma solução entra em contato com o sangue e isso permite que as substâncias que estão acumuladas no sangue como ureia, creatinina e potássio sejam removidas, bem como o excesso de líquido que não está sendo eliminado pelo rim.

É nesse momento em que a fé une-se ao desejo de Letícia de não desistir. Apesar de diversas opções dentro da própria família e de amigos, ela acredita que o rim de outra pessoa a levara à melhora o mais breve possível. “Logo, logo estarei com um rim novo. Se Deus quiser”, completou.

Rins são os órgãos mais captados na Santa Casa de Araçatuba em 2017

Quando fala-se dos rins, a Santa Casa de Araçatuba destaca-se na região como um dos hospitais em que mais ocorrem captações múltiplas de órgãos, o que torna a unidade referência nesse tipo de procedimento. Cerca de 30 rins foram captados no ano passado, ficando no topo da lista de outros órgãos retirados.

No período de 2007 a 2014, o hospital recebeu apenas um doador por ano. Em 2015, houve um aumento de 1.200% no número de captações, totalizando uma média de 13 doações. O aumento pôde ser percebido desde então. Em 2016, a alta foi de 7,6%. Já no ano passado, 14% a mais de captações múltiplas de órgãos foram realizadas. Neste ano, a Santa Casa já realizou cindo procedimentos e espera até o fim do ano ter mais aumento no número de doadores.

REESTRUTURAÇÃO

 Além das pessoas estarem mais conscientes da importância de se doar órgãos, a Santa Casa também acredita que o salto no número de doares foi possível por conta da reestruturação da comissão intra-hospitalar de transplantes (CIHT), composta pele médico coordenador Rafael Saad e os enfermeiros Matheus Araújo Tonon, Meriéllen de Almeida Pereira e Joice Tatiana Bortoletti Freitas.

” A comissão tem como atividades básicas a realização de busca ativa de potenciais doadores (pacientes em uso de ventilação mecânica e sem resposta neurológica), auxiliando no diagnóstico de morte encefálica, por meio de protocolo rígido (avaliação por dois médicos diferentes, além de exame complementar com confirmação da ausência de qualquer atividade cerebral). Contamos para isso com o auxílio de diversos médicos do corpo clínico do hospital”.

Vitor Moretti – Araçatuba

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