De Guararapes para o centro mundial do empreendedorismo

Quando ainda estava no ensino médio, João Pedro Nagao enfrentava um desafio semelhante ao de muitos jovens. Não sabia, ao certo, qual curso superior queria fazer. Tinha, no entanto, um foco. Sonhava em estudar fora do Brasil, fruto de experiências internacionais vividas na adolescência. E ainda: pensava em se tornar um grande empreendedor. O sonho, que parecia distante, virou realidade de forma rápida e quando o garoto menos esperava.

Em dezembro do ano passado, ele recebeu a notícia de que fora aprovado para estudar empreendedorismo na Babson College, em Massachusetts, nos Estados Unidos, referência mundial no setor. Dias depois, outra notícia, esta capaz de, literalmente, mudar sua vida: a contemplação com uma bolsa de estudos de 100%, incluindo hospedagem e alimentação. Hoje, aos 18 anos de idade, João Pedro, nascido e criado em Guararapes, prepara-se para cursar o ensino superior na Babson, escola que, há décadas, lidera os principais rankings mundiais das melhores faculdades no ramo. Sonho realizado. Orgulho para a família. E uma generosa economia.

Segundo cálculos da mãe do estudante, Carla Nagao, para mantê-lo no território norte-americano ao longo dos quatro anos do curso, seriam necessários cerca de US$ 75 mil dólares anuais, incluindo a mensalidade e as demais despesas. Ou seja, pelo menos mais de R$ 250 mil, considerando-se o atual valor dólar, cotado a R$ 3,42.
A Babson College recebe estudantes de todo o mundo. Estima-se que 50% de seu alunado seja oriundo de outros países. Para passar no processo de seleção, a experiência durante a trajetória escolar, inteiramente vivida em insituição particular, o ajudou bastante. As notas obtidas durante o ensino médio estavam entre os critérios de avaliação. Preenchia também a exigência de ter domínio de idiomas. O contato com a língua inglesa, por exemplo, começou já aos 4 anos de idade. Aos 10, iniciou estudos de espanhol.

Outro requisito: ter realizado algum tipo de trabalho social. A fluência no inglês foi fundamental para isso. No ano passado, idealizou um curso do idioma para estudantes da rede pública, realizado no Rotary Club, entidade parceira. Segundo ele, aproximadamente 60 alunos participaram e, neste ano, mesmo sem João Pedro, a iniciativa deve ter continuidade. Por fim, teve de fazer vários testes de redação como parte da seleção.

“O resultado realmente surpreendeu bastante porque não esperava passar na primeira tentativa”, conta o estudante, que, quando decidiu apostar no estudo fora do país, buscou orientação com coachings. No entanto, ao falar do processo de descoberta da vocação profissional, João Pedro não deixa de citar um parente. Trata-se do tio Rodolfo Nagao, que mora em Araras (SP) e tem uma empresa de exportação e importação de máquinas agrícolas. “Sempre quando eu ia para lá, conversávamos bastante. Gosto desse ambiente de empresa.”

Agora, João Pedro já visualiza qual caminho pretende trilhar no mundo dos negócios. A expectativa é abrir uma empresa no campo da tecnologia. Isso não deve demorar muito, se depender da dedicação do guararapense e da dinâmica oferecida pela Babson. Ele explica que, na instituição onde estudará, logo no primeiro ano, o universitário já é levado a abrir o próprio negócio. “Faz parte do currículo, é como se fosse um estágio. Há também exigências de realização de estágios de seis meses em outros países”, destaca. “É um curso mais focado na prática.”

No atual momento, João Pedro ainda aguarda o resultado de outros dois processos seletivos que participou no outro lado da América: um na Pensilvânia e outro no estado da Virgínia. Mas ele já está decidido pela Babson College. Outra certeza deste rapaz, que quando tinha 13 anos chegou a ir para os Estados Unidos a fim de estudar inglês, é que, ao terminar o ensino superior, pretende continuar no território norte-americano.

Um dos motivos é a menor burocracia para abrir e manter um negócio. Este é um problema que, na avaliação dele, dificulta muito a vida de empresários no Brasil. Ao falar de seu país de origem, João Pedro vê com bons olhos ações voltadas ao ensino de empreendedorismo nas escolas. “É importante a escola oferecer algo que faça o aluno se identifique. Todo mundo tem que ter esse jogo de cintura, essa visão e capacidade de empreender.”

Perto do centenário, instituição recebe estudantes de 80 países

Quase centenária e situada no nordeste americano, a Babson College tinha cerca de três mil alunos em 2015. Criada em setembro de 1919, a faculdade, inicialmente chamada de Instituto Babson, sempre buscou se diferenciar das demais escolas de negócios existentes nos Estados Unidos. Daí, o foco na atividade prática, como destacou João Pedro. Sua metodologia une ação, experimentação, criatividade e conhecimentos de negócios para criar valores econômicos e sociais. Ao final do curso, o aluno pode optar pela especialização em uma dessas áreas: Contabilidade e Direito, Finanças, Marketing, Artes e Humanidades, História e Sociedade, Matemática e Ciência, Economia, Negócios, Empreendedorismo e Tecnologia.

Em média, a instituição recebe estudantes de 80 países, sendo 50% deles fora da América. Uma parte significativa é filha de empreendedores aposentados ou ainda à frente dos próprios negócios. Localizada em um subúrbio próximo a Boston, oferece programas de bolsas de estudo, por mérito ou renda.

Diversas curiosidades marcam a história da escola. Seu fundador, Rober Babson, concorreu à presidência dos Estados Unidos em 1940, sendo derrotado por Franklin Roosevelt. Ainda em seu campus, há um dos maiores globos do mundo, de 1955, que pesa 25 toneladas. Entre seus alunos de maior renome, estão Kevin Colleran (um dos primeiros funcionários do Facebook), Edsel Ford II (diretor da Ford Motor Company) e Roger Enrico (ex-diretor/CEO da Pepsico).

Arnon Gomes

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