Sob forte comoção, amigos e familiares se despedem de universitária

A região de Araçatuba amanheceu a terça-feira (10) em silêncio. A morte da jovem estudante Maria Julia Martins Quintino da Silva, de 17 anos, comoveu centenas de pessoas, que decidiram usar até mesmo as redes sociais para externarem a indignação com o crime. Muitos colocaram, nas fotos de perfil, uma imagem de luto, para simbolizar a revolta contra o feminicídio e o fato do autor, ex-namorado da vítima, estar foragido.

O corpo da estudante do primeiro semestre de Zootecnica da Unesp (Universidade Estadual Paulista) foi sepultado por volta das 17h de hoje, no cemitério municipal de General Salgado, município em que a adolescente nasceu. Durante todo o dia, amigos, familiares e até mesmo pessoas que não conheciam a vítima compareceram ao velório para prestar homenagens. Um ônibus foi colocado à disposição dos alunos de Ilha Solteira, que quiseram acompanhar o funeral. A instituição decretou luto de três dias.

Ainda na noite de segunda-feira (09), data em que o feminicídio ocorreu, cerca de 200 pessoas, entre alunos, funcionários, professores e diretores da faculdade, se reuniram em vigília em frente à instituição de ensino e ficaram em silêncio. O grupo escreveu cartazes com dizeres contra a violência envolvendo mulheres, justiça e respeito. Os participantes também acenderam velas e as colocaram em frente às grades, na área externa da faculdade. Depois, uma caminhada até a delegacia central de Ilha Solteira foi realizada.

INVESTIGAÇÃO

Minutos após o assassinato da estudante, as polícias Civil e Militar trabalharam juntas a fim de tentar encontrar o principal suspeito, o ex-namorado da menor. Segundo o que foi apurado pela reportagem, ele teria em torno de 28 anos e iniciou o relacionamento amoroso com a jovem quando ela ainda tinha 12 anos. Eles namoraram por aproximadamente cinco anos e terminaram há seis meses. Desde então, o homem perseguia a adolescente, mas nunca ela teria registrado nenhum tipo de boletim de ocorrência contra ele.

Os policiais foram até a casa da mãe do suposto autor logo após o crime. Chegando lá, a mulher encontrava-se bastante transtornada e revelou que o filho chegou em casa com marcas de sangue na camisa em que vestia. Logo em seguida, o rapaz pegou carona com um primo em um veículo VW/Gol, de cor preta, e fugiram para a zona rural, local em que o pai dele vive em uma fazenda.

As equipes rumaram para o endereço e localizaram o carro às margens da rodovia Feliciano Sales Cunha (SP-310). Dentro do automóvel havia marcas de sangue, mas o procurado não foi localizado. O primo dele, identificado como Emerson, de 30 anos, dirigia o carro. Ele foi encaminhado até a delegacia já no início da noite, onde prestou depoimento. Ele confessou que ajudou o primo a fugir, por isso, permaneceu preso como participante do homicídio.

Apesar de deslocar todas as viaturas policiais para o atendimento da ocorrência, de acordo com o Capitão Akira, da Polícia Militar, o suspeito não foi encontrado. Apesar disso, a expectativa é a de que ele se entregue nas próximas horas, já que teria contado à familiares mais próximos a intenção de se apresentar.

CRIME CHOCANTE

O crime aconteceu por volta das 14h de segunda, bem próximo ao local em que a vítima morava, uma república localizada na Passeio Batalha, no bairro Zona Norte, em Ilha Solteira. O suspeito chegou pelas costas, teria agarrado a vítima pelos cabelos e em seguida começou a esfaqueá-la.

Uma equipe do Resgate, do Corpo de Bombeiros, chegou a ser acionada, mas chegou ao endereço e constatou a morte da estudante. Diversas pessoas se aglomeraram no local do homicídio, que foi isolado para o trabalho da perícia técnica.

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