Lula se entrega à Polícia Federal

DA AGÊNCIA BRASIL – SÃO PAULO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou-se nesse sábado (07) por volta das 18h45 à Polícia Federal. Ele foi levado por um comboio da PF. Antes ele chegou a tentar a sair de veículo do prédio do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, mas foi impedido por militantes. Lula voltou a prédio. Depois de negociações com a PF, quando recebeu prazo para se entregar, o ex-presidente deixou o local a pé. Depois ficou sob custódia da Polícia Federal, cumprindo o ritual de praxe, como exame de corpo de delito, para depois seguir para Curitiba.
João Paulo, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), pediu que a militância não “entrasse em provocação” e buscasse “manter a concentração”. Referindo-se à presença de agentes das forças de segurança em meio à multidão, o representante do MST ressaltou: “Nós estamos em uma negociação séria com a nossa militância, é difícil, mas nós nao vamos topar qualquer tipo de repressão contra o nosso povo”, afirmou. “Estamos em uma luta democrática”.
Antes, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que a Polícia Federal havia concedido o tempo de 30 minutos para que o presidente se apresentasse.

QUEBRAR O SILÊNCIO
Ao falar pela primeira vez publicamente após a decisão do juiz Sérgio Moro que expediu sua ordem de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (7) que irá cumprir a medida judicial, mas fez duras críticas à Justiça, ao Ministério Público e à imprensa.
“Eu sou o único ser humano processado por um apartamento que não é meu, e eles sabem que a Lava Jato mentiu que era meu, o MP mentiu que era meu, e eu pensei que o Moro ia resolver e também mentiu que era meu, e me condenou”, disse em discurso que durou 55 minutos.
“Esse pescoço aqui não baixa eu vou de cabeça erguida e vou sair de peito estufado de lá”. Durante o discurso, Lula disse que “vou cumprir o mandado deles” e “quero fazer a transferência de responsabilidade para eles”.
Em seguida, acrescentou que: “Eu tenho 72 anos. Mas eu não os perdoo por ter mentido que sou ladrão”. Lula fez o discurso para militantes concentrados em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos no ABC, em São Bernardo do Campo (SP), após missa em memória de Marisa Letícia, que completaria 68 anos hoje.
Lula afirmou que ministro da Suprema Corte não deve dar declaração de como vai votar. “Quem quiser votar com base na opinião pública largue a toga e vá ser candidato. Escolha um partido político e vá ser candidato”.

Em referência a Sérgio Moro, Lula afirmou que: “O juiz tem que ter a cabeça mais fria, mais responsabilidade de fazer acusação ou de condenar”.
Sem citar nomes, Lula criticou a atuação do procurador Deltan Dallagnol, da força-tarefa da Operação Lava Jato. “O que eu não posso admitir é o procurador que fez um Power Point e foi para a TV dizer que o PT é uma organização criminosa que quer roubar o Brasil e que Lula é o chefe. E que, se ele é o chefe, eu não preciso de provas, eu tenho convicção. Eu quero que ele guarde a convicção dele para os comparsas dele e não para mim”.
Para Lula, o país vive hoje um ambiente dividido e bélico. “[…] Deram a primazia de criar quase um clima de guerra negando a política neste país. Nem Deus tem coragem ou dorme com a consciência tranquila e a honestidade que eu durmo. Eu não estou acima da Justiça. Se eu não acreditasse nela, eu não tinha feito um partido político e proposto uma revolução neste país. Acredito numa Justiça justa, que vota processo baseado nos autos do processo, na defesa, na prova concreta do crime”.
Após o discurso, Lula deixou o caminhão de som e passou mal. Do carro do som, solicitaram a entrada de um médico na sede do sindicato, onde permaneceu até se entregar, no início da noite.

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