Seccional entra com processo após constatar erro de cálculo no projeto da central policial

Há exatamente dois anos, trabalhadores iniciavam a obra de reforma do antigo plantão policial, localizado ao lado da praça Getúlio Vargas, área central de Araçatuba. A previsão de entrega da CPJ (Central de Polícia Judiciária), um ano depois, ficou apenas no papel. Por trás disso, uma sucessão de erros de cálculos e imprevistos fizeram com que os trabalhos atrasassem pelo menos um ano, motivo pelo qual a Delegacia Seccional da cidade entrou com um processo sancionatório contra a empresa responsável pela execução do projeto da reforma.

De acordo com informações do delegado assistente da Seccional, Marcelo Curi, a empresa SBR-11, com sede em São Paulo, teria apresentado uma série de erros técnicos nos cálculos estruturais do projeto, fazendo com que o atraso ocorresse. Os problemas só foram descobertos quando a construtora, que executa diretamente os serviços de levantamento estrutural e reforma, percebeu que os números não batiam.

“Foram diversos problemas técnicos encontrados. A estrutura da cobertura da garagem, por exemplo, não suportaria a passagem de uma ventania e os ferros iriam entortar, caso seguíssemos os cálculos feitos pela empresa. A estrutura da caixa d’ agua foi calculada de maneira errônea e poderia até mesmo desabar, caso viesse a ser construída como foi indicada primeiramente. Os pilares de sustentação também apresentaram erros. Então, tivemos que refazer todo o projeto, fazendo novos cálculos, para assim, darmos início à reforma”, elencou o delegado.

Após a constatação das falhas, a CPOS (Companhia Paulista de Obras e Serviços), empresa de economia mista que presta serviços de engenharia a diversas entidades do Estado, tanto da administração direta quanto da indireta, analisou os questionamentos apontados, constatou os problemas e passou a questão a um corpo técnico. A partir de então, a empresa acompanhou todo o processo de conclusão do projeto e início das obras.

Além dos erros percebidos, outros imprevistos aconteceram ao longo do período de construção por causa da natureza. Em 2017, ao ser escavado ao redor do prédio, foi constatado que os estragos subterrâneos provocados por infiltrações de águas das chuvas eram bem maiores do que se previa.

“Com enormes crateras, que comprometiam toda a estrutura do prédio, era visível que o alicerce estava comprometido pelas enormes rachaduras nas paredes, mas a dimensão dos estragos embaixo da terra nós só conseguimos ver quando houve a escavação”, explicou o delegado.

Como o problema era maior do que se esperava, o projeto de reforço de fundação teve que ser ampliado e alterado. “Várias estacas tiveram que ser colocadas e um laudo de fundação precisou ser feito por um especialista para definir corretamente as medidas de reforço. Tudo isso acabou atrasando a obra. As chuvas que caíram acima da média em Araçatuba em 2016 e em parte de 2017 também prejudicaram o andamento dos trabalhos”, completou.

JUSTIÇA

Por conta da situação, a Delegacia Seccional entrou com um processo sancionatório contra a SBR-11. A empresa está no período de apresentação de defesa, que vencerá nos próximos dias.

Caso seja condenada, serão aplicadas sanções, como a suspensão ou até proibição da prestação de serviços à entidades públicas e governamentais. O processo pode ser acompanhado pela plataforma “e-Sanções”, pertencente à Secretaria da Fazenda do Estado.

A reportagem do jornal O LIBERAL REGIONAL entrou em contato com a empresa arquitetônica, questionando-a a respeito do processo, mas até o fechamento desta edição não havia recebido nenhum retorno.

Ainda segundo Curi, o valor inicial estimado da obra, R$ 6.483.298,87, permaneceu igual, mesmo com todos os erros e atrasos ao longo da reforma. De acordo com o delegado, diante dos imprevistos, materiais mais baratos e com a mesma qualidade que os anteriores foram substituídos, para assim, haver um equilíbrio no orçamento.

“Nós tivemos que diminuir alguns materiais, por exemplo, a grade do prédio antigamente seria de ferro maciço. Nós a substituímos pelo eletrosoldado, que atende à mesma finalidade e deixa a construção bonita. O calçamento, no começo, seria de mosaico português, agora é de concreto. Foram nessas pequenas alterações que a gente conseguiu manter o valor inicial da obra, sem gasto adicional nenhum”, complementou.

FINALIZAÇÃO

A reforma do antigo plantão já está na fase final de acabamento, segundo a Delegacia Seccional. A previsão de entrega é até agosto deste ano. “Da parte estrutural, faltam as construções da cobertura da garagem e o local onde ficará acondicionada a caixa d’ agua, que será na área externa. O restante está praticamente pronto. A obra vai ficar perfeita, foi tudo consertado, o prédio está sólido e será um dos mais bonitos da nossa cidade”, afirmou o delegado.

O padrão arquitetônico do prédio – construído na década de 1950 e que abrigou o primeiro Fórum Estadual da cidade e a Delegacia Seccional – será preservado. Toda parte elétrica e hidráulica será substituída.

Um outro prédio já foi construído ao lado e atualmente está no processo de pintura. No total, toda a construção terá 2.991,27 m². A CPJ, que já funciona em cidades como Marília, vai centralizar em um único local serviços policiais e atendimento à população.

O plano da Polícia Civil de Araçatuba é abrigar a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes), o plantão policia, além dos distritos policiais e o Necrim (Núcleo Especial Criminal). A DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) não funcionará no mesmo local para que as vítimas não fiquem expostas.

Desde março de 2013 as três delegacias funcionam num prédio alugado e adequado para essa finalidade ao lado do antigo edifício, na rua Cussy de Almeida Júnior.

O novo espaço terá salas especiais para investigação, atendimento mais humanizado e individualizado para as pessoas que queiram fazer o registro de boletins de ocorrência, biblioteca, área de inteligência da polícia, cartórios das áreas administrativas, auditório e elevador com plataforma elevatória para deficientes.

Vitor Moretti

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