Lei que proíbe instalação de empresas de transporte de valores é publicada

Depois de muita discussão no Poder Legislativo, desde o ano passado, sobre a instalação das empresas de transporte de valores na zona rural de Araçatuba, foi publicado hoje no Diário Oficial do Município a Lei 8.037, de 6 de março de 2018, que proíbe a instalação desse tipo de empresa no perímetro urbano da cidade. O prefeito Dilador Borges sancionou a lei na terça-feira (06).

A partir de agora as empresas só poderão ser instaladas na zona rural, em áreas distantes de dois quilômetros, no mínimo, de colônias agrícolas, condomínios e em bairros rurais com dez ou mais residências concentradas em um espaço que compreende um raio de duzentos metros.

Já as empresas que estão construídas dentro da cidade terão um prazo de um ano para se readequarem e ser instaladas em algum local que atenda às exigências.

PROJETO DE LEI

O projeto de lei, do vereador Gilberto Batata Mantovani (PR), foi votado na Primeira Sessão Ordinária de 2018, na Câmara de Vereadores de Araçatuba. Por unanimidade, os parlamentares fizeram a aprovação e o encaminharam à sanção do prefeito Dilador Borges.

O mega-assalto à Protege, empresa de transporte de valores de Araçatuba, trouxe insegurança e medo à população. Diante das investigações e do receio da população, o vereador Gilberto Batata Mantovani criou um Projeto de Lei pedindo a retirada de empresas de transportes de valores da área urbana. O texto foi criado, segundo ele, após relatos de moradores que ficaram receosos. “O crime organizado está muito armado e as empresas de valores possuem um grande montante de recursos e eles vão atrás. Isso acaba trazendo medo para a população”.

O ASSALTO

Durante aproximadamente uma hora o bairro Santana foi tomado por bandidos, que em pontos estratégicos, atiraram para diferentes direções e até mesmo para cima, como disse uma moradora assustada. Tudo para impedir a ação da polícia e facilitar o roubo à Protege. Mesmo depois das explosões, os tiros continuaram, pois foi a estratégia adotada para facilitar a fuga dos ladrões.

Câmeras de segurança filmaram o assalto cinematográfico. Diferentes grupos em pontos estratégicos do bairro começaram a atirar, até mesmo contra veículos que passavam pela rua. Duas pessoas ficaram feriadas e um policial civil foi morto com tiros de fuzil.

Carros foram incendiados e o quartel da Polícia Militar foi atacado pela quadrilha. A fiação de energia elétrica foi danificada e a comunicação da PM prejudicada. A agressividade dos bandidos ficou evidente ao atirarem de fuzil contra o quartel, em manobra para impedir a saída dos policiais.

Enquanto os bandidos mantinham a PM no quartel, outra célula explodiu o cofre da Protege. A explosão foi tão forte que várias casas próximas foram atingidas e ficaram seriamente danificadas. Os bandidos espalhados pelo bairro mantinham o clima de terror com sequências de tiros para assustar e não permitir que moradores saíssem às ruas e pudessem registrar qualquer movimento do grupo.

Os tiros mantiveram todos distantes do local e só cessaram quando o grupo com o dinheiro, aproximadamente R$ 10 milhões, conseguiu fugir. Depois de quase cinco meses, a polícia ainda não concluiu o inquérito sobre a autoria e os criminosos continuam foragidos, apesar de algumas prisões supostamente relacionadas com o assalto terem ocorrido ao longo dos meses em outros estados do país.

Vitor Moretti – Araçatuba

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