Depois de ficar sem prefeito, Câmara de Valparaíso empossa novo chefe do Executivo

Depois de um dia sem prefeito, Valparaíso finalmente ganhou um novo chefe do Executivo depois da cassação de Roni Ferrareze (PV). A partir de agora, a administração municipal será comandada pelo então vice de Ferrareze, Lúcio Santo de Lima (PMDB).

Lima tomou posse por volta das 17h de quinta-feira (01) em uma sessão extraordinária convocada pelo presidente da Câmara Municipal, José Aparecido Pistori (PSDB). Após cerca de 20 minutos dos trabalhos abertos, o novo chefe do Executivo tomou posse. O plenário estava lotado e a segurança foi reforçada na área externa. Apesar de todo o reforço policial, a sessão transcorreu sem problemas, de forma pacífica.

Antes mesmo de assumir o posto, Lima garantiu que abrirá uma auditoria para investigar supostas irregularidades na Prefeitura. A última confusão ocorreu na noite da última terça-feira (27) quando ele afirma ter visto o secretário de Transportes, Diego Novais, saindo com uma pilha de documentos do prédio do Executivo. Por outro lado, Novais nega que tenha saído com diversos documentos e, sim, apenas com um envelope onde carregava um currículo.

O caso foi parar na Polícia Civil, já que Lima e o filho, o vereador Kléber Lima (PMDB), foram até ao escritório de contabilidade e presenciaram alguns funcionários trabalhando após o fechamento da Prefeitura. Os servidores alegaram que estavam até mais tarde fechando as folhas de pagamentos e registraram um boletim de ocorrência de calúnia e difamação.

Após três tentativas de assinatura do termo de cassação, Roni Ferrareze (PV) assinou o documento na tarde de quarta. Mas antes disso, muita discussão aconteceu. Segundo o presidente da Câmara Municipal, o prefeito cassado disse, em um primeiro momento, que não assinaria o termo já que havia um erro na tipificação do crime votado pelos parlamentares. O vereador chegou a registrar um boletim de ocorrência na delegacia da cidade. Algumas horas depois, Ferrareze assinou a declaração de cassação e deixou o cargo.

CASSAÇÃO

A saída de Ferrareze do comando do executivo municipal foi proporcionada por uma denúncia levada à Câmara pelo ex-secretário de Indústria e Comércio da cidade, Edson Jardim Rosa, o Edinho, que anexou junto à denúncia um arquivo de áudio, onde Rosa afirma ter sido convidado a fazer parte de um suposto esquema de fraudes em licitações. No caso, os lucros seriam divididos entre ele, o prefeito, e o ex-chefe de gabinete Gustavo Tonani.

Na votação do último dia 23 de fevereiro, o prefeito foi cassado pela Câmara por 8 votos a 3, sem nenhuma abstenção. Foram feitas duas votações. Na primeira foi votada a infração ao inciso 7, artigo 4, do decreto número 201/67, que fala em “praticar, contra expressa disposição da lei, ato de sua competência ou omitir-se na sua prática”. A segunda votação foi pelo inciso 10 deste mesmo artigo, que fala em “proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo”. Em ambas, o resultado foi de derrota para o chefe do executivo.

Eram necessários exatos 8 votos, ou dois terços de aprovação, para que a cassação de Roni Ferrareze fosse confirmada.

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