Menino de sete anos reúne irmãos que não se viam há 35

O menino Matheus Souza Gomes da Silva, de sete anos, foi picado por uma jararaca no assentamento onde vive com a família em Selvíria, Mato Grosso do Sul. Após o acidente, ficou internado em Ilha Solteira, de onde veio transferido para o Hospital da Unimed em Araçatuba. Este acidente, que quase tira a vida do garoto, acabou tendo um efeito inesperado para a família. Resultou no reencontro de irmãos que não se viam há 35 anos. Da dor, um momento inesquecível para a família.

Ao todo, Matheus ficou 66 dias internado tratando o ferimento causado pela picada. Ao receber alta, o pai de Matheus, João Gomes da Silva, viria a Araçatuba para buscar o menino e comentou com a pastora de sua igreja que sua família morava na cidade, e que gostaria de reencontrá-la, mas não tinha mais nenhum contato.

“Quando fui embora da cidade, para o Mato Grosso, ainda escrevia cartas para a antiga casa onde morava minha família, mas as cartas sempre voltavam. Por dez anos eu escrevi, depois parei e já se passaram 35 anos”, relembrou.

A pastora de Selvíria contou a história de João em postagem nas redes sociais, que teve mais de 35 mil visualizações e atingiu a família dele aqui em Araçatuba. “Minha sobrinha percebeu a semelhança entre mim e o João e entrou em contato com a pastora e marcamos o nosso reencontro para hoje, dia da alta do Matheus”, contou o irmão Américo Gomes.

A família imaginava que João havia morrido. “Nós não tínhamos mais esperança de encontrá-lo. Estamos muito felizes por vê-lo de novo e porque ele vai rever nossa mãe também, que hoje tem 106 anos”, disse Américo.

A mãe mora no bairro Concórdia, muito próximo ao hospital. Após a alta de Matheus, a família se reuniu para um almoço. “É uma graça de Deus poder ver minha mãe ainda viva! Estou muito feliz. Agora não vamos mais perder o contato”, comemorou João.

TRATAMENTO

O ferimento de Matheus foi grave. Ele contou às enfermeiras que foi picado pela jararaca quando saiu junto com amigos do assentamento para procurar gabiroba no meio do mato. O veneno da cobra causou lesões nos nervos e tendões do menino.

Ele recebeu os primeiros atendimentos e o soro contra o veneno em Ilha Solteira, mas após 30 dias de internação lá a ferida infeccionou muito e ele corria risco de ter a perna amputada. A essa altura, foi transferido para Araçatuba, onde a ferida foi tratada durante mais 36 dias.

Matheus recebeu alta, mas ainda não irá para a casa de sua família. Apesar de não apresentar mais riscos, a ferida ainda está aberta e precisa de curativos. Ele ficará em uma casa de apoio em Selvíria onde uma enfermeira fará o acompanhamento.

 

Karen Mendes – Araçatuba

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