Prefeito de São Paulo defende que PSDB mantenha o Governo do Estado

Em conversa exclusiva por telefone com a reportagem do Jornal O Liberal e da Clube FM Araçatuba, o prefeito de São Paulo João Dória Júnior (PSDB) não quis confirmar que será candidato ao governo do Estado de São Paulo, mas deixa claro que já tem o caminho pavimentado para deixar a prefeitura da Capital Paulista. Ele também afirma ser contra a ideia do PSDB de abrir mão do Executivo Estadual em detrimento de um engajamento à candidatura do atual Governador Geraldo Alckmin à presidência da República.

Na entrevista, Dória lembrou de sua candidatura à Prefeitura de São Paulo, quando virou uma disputa que parecia perdida no início da campanha. “Comecei com 2% de intenções de voto, bastante desacreditado. Ninguém imaginava que eu pudesse ser sequer competitivo, quanto mais vencer as eleições. Há 65 dias do pleito, Celso Russomano, deputado federal mais votado do Brasil tinha 38% das intenções de voto. Em 65 dias viramos, chegamos a 53% e ganhamos em primeiro turno, um fato histórico”, lembrou Dória, ressaltando a força de sua primeira candidatura política.

 

Eleições 2018

Ao responder sobre um possível apoio do PSDB à candidatura do vice-governador do Estado Márcio França (PSB), Dória afirmou não concordar que o partido, que governa São Paulo desde 1995, abra mão do principal estado brasileiro. “O PSDB é um partido muito forte que nasceu e se fortaleceu em São Paulo. Não faz sentido ao PSDB não ter um candidato próprio para disputar e vencer as eleições para o governo do Estado de São Paulo”, afirmou.

Dória afirma, porém, que sua opinião não tem cunho pessoal. “Isso não é uma censura ao atual vice-governador Márcio França, ele tem todo direito de disputar a eleição, mas que ele dispute pelo seu partido, o PSB, partido o qual ele comanda aqui em São Paulo. Se ele quiser vir para o PSDB não há problema, desde que ele siga as regras do partido e dispute as prévias se desejar ter a legenda do PSDB”, completou o prefeito da Capital Paulista.

O prefeito de São Paulo afirmou que ainda não há uma definição sobre a candidatura dele ao governo do Estado. Ele afirma estar empenhado em seu trabalho como prefeito, por enquanto. “Ainda não há essa definição, estou muito feliz como prefeito da maior cidade brasileira, temos ainda um tempo pela frente para esta eventual definição”, afirmou.

Ao ser questionado se acharia um movimento natural deixar o seu atual mandato na prefeitura paulistana para se candidatar a outro cargo, Dória voltou a afirmar que não tem sua situação definida neste sentido, mas ressaltou que a cidade de São Paulo ficaria em boas mãos com o seu vice Bruno Covas. “Quero ressaltar que o Bruno Covas foi eleito comigo com 3 milhões de votos, foram os mesmos votos que me elegeram, ele foi o deputado federal mais votado do PSDB, é um Covas, que traz a memória, a história e a tradição do seu avô, que foi prefeito e governador de estado. É bom gestor, integrador no plano político, estamos bem representados. E vale lembrar que também montamos uma grande equipe por aqui”, afirmou Dória.

 

Desemprego

João Dória Jr. também comentou sobre a questão do desemprego, que está na faixa de 12% segundo dados da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE. Segundo o prefeito paulistano, os candidatos à presidência da república terão que focar esta questão durante a campanha. “O que o país mais precisa é emprego e geração de renda. Isso é fundamental para diminuir o flagelo social em que o país se encontra, fruto do desastroso governo do PT na gestão Lula e em especial na gestão Dilma. A economia já vem se recuperando, terminamos o ano de 2017 com um pequeno crescimento de meio por cento, e iniciamos 2018 com expectativa de crescimento de 3%, com isso nós poderemos começar a reverter o desemprego. O Brasil seguindo a política econômica correta, como vem fazendo o Ministro Henrique Meirelles (Fazenda), o país poderá atrair novos investimentos internacionais de grande porte”, disse.

 

Reforma da Previdência

O prefeito de São Paulo engrossa o coro dos que são a favor da reforma da previdência, que pode ser votada a partir desta semana no Congresso Nacional. Segundo João Dória, os investimentos internacionais tendem a aumentar com a aprovação do pacote proposto pelo governo federal. “Absolutamente fundamental. Se o Brasil apoiar a reforma da previdência, o mundo investidor olhará o Brasil de forma mais explícita e liberará recursos em grande escala. Estive há menos de um mês em Davos, na Suíça, em um fórum econômico. Conversei com vários investidores internacionais e todos eles perguntaram sobre a reforma da previdência. Se o Congresso votar a favor desta reforma, isto vai gerar confiança no mercado internacional e vai se traduzir em investimentos imediatos para o país”, afirmou Dória.

O chefe do executivo paulistano não acredita em retaliação da população a parlamentares que forem a favor da reforma. “Creio que ninguém julgará mal ou deixará de votar em alguém que votou a favor da previdência, porque esta pessoa estará votando a favor do Brasil”, completou.

Diego Fernandes

você pode gostar também