Tenente que comandou operação no carnaval de Castilho se manifesta

A reportagem do jornal O Liberal conversou com o tenente André Luiz Caldeira, da Polícia Militar, que comandou a operação de segurança durante a realização do ‘Folia Fest’, carnaval de rua realizado pela Prefeitura de Castilho e que terminou com um verdadeiro cenário de guerra.

De acordo com o policial, as equipes da PM estavam bem próximas da praça da Matriz, área central onde era realizada a festa, realizando uma fiscalização de trânsito, já que inúmeros acidentes estão ocorrendo em Andradina e região. Durante a operação, os policiais flagraram dois veículos com o licenciamento vencido, por isso houve a necessidade da apreensão dos mesmos, além de flagrar condutores dirigindo alcoolizados.

Já no fim do festejo, logo após a apresentação do grupo ‘Identidade Nacional Banda Show’ alguns foliões procuraram ajuda, já que uma briga generalizada ocorria no local e os seguranças contratados pela Prefeitura não estavam dando conta de apartar as partes.

Ainda de acordo com o tenente da Polícia Militar, os envolvidos partiram para cima das equipes e foi necessária o uso de disparos de balas de borracha, além do uso de uma granada de efeito moral para dispersar a multidão enfurecida. Três tentativas de homicídio foram registradas por esfaqueamento, além de um homem detido por desacato. No registro dessas ocorrências, os policiais receberam outro chamado, já que um posto de combustíveis às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300) havia sido assaltado.

Durante patrulhamento, os PMs encontraram um homem dentro de um carro com um revólver de calibre 22 e duas espingardas de pressão, além de munições de uso restrito. Ele afirmou que iria até a praça da Matriz tirar satisfações com um desafeto.

Caldeira destacou os alertas constantes da polícia à Prefeitura em relação à realização do carnaval em praça pública, local aberto de difícil controle de público.

“A PM fez algumas reuniões com a Prefeitura de Castilho, o comandante do pelotão da cidade se reuniu com o Executivo entre os dias 21 a 25 de janeiro solicitando a alteração do local do evento, tendo em vista toda essa problemática em relação à segurança pública. Em anos anteriores tivemos a realização do carnaval de Castilho no recinto de festas. O local foi devidamente cercado, nós tínhamos o controle de acesso ao público, mas neste ano a orientação foi repassada e a Prefeitura não acatou”.

PROMOTORIA

A promotora de Justiça Rúbia Prado Motizuki, que entrou com pedido de cancelamento do carnaval de Castilho, comentou o caso. Antes da realização do evento, muitas discussões foram feitas para a mudança de local da realização da festa da Praça da Matriz para o Recinto de Exposições, mas a Prefeitura negou todas as possibilidades e garantiu a segurança da população.

“Como é de conhecimento de todos, Castilho sofre com a violência de gangues, violência de atos armados. Por isso, a Polícia Militar e o Ministério Público estavam preocupados”.

Além dos alertas, um parecer foi desfavorável à realização da festa. Mesmo assim, a administração municipal não acatou os pedidos.

“O carnaval é uma festa, uma tradição brasileira. Nós queremos sim o carnaval, queremos que as pessoas possam participar da festa, mas que elas não corram riscos. Como a Prefeitura não se dispôs a alterar o local de realização, não restou outra alternativa a não ser pelo cancelamento”, concluiu a promotora.

você pode gostar também