Prefeita ignora autoridades e carnaval vira praça de guerra

Depois do cancelamento do ‘ Folia Fest’, carnaval de rua promovido pela Prefeitura de Castilho, por conta de uma briga generalizada na madrugada do último sábado (10) que resultou em três tentativas de homicídio, a reportagem do O Liberal apurou que o número de seguranças presentes na festa foi bem abaixo do que divulgado pelo município.
Em um primeiro momento, conforme notícia divulgada no site da Prefeitura na internet,havia a expectativa da presença de 70 seguranças, além de 20 brigadistas, conforme até solicitação das autoridades públicas, como Polícia Militar e Ministério Público, que chegaram a tentar convencer a prefeita Fátima Nascimento a desistir do evento por conta dos riscos à segurança da população. Mesmo assim, a Chefe do Executivo ignorou os alertas, desafiou e afrontou as autoridades e mantendo a festa.
O carnaval acabou sendo realizado em local aberto, sem qualquer separação do ambiente dos festejos, impossibilitando assim, que com revista, a segurança pudesse inibir a entrada de armas brancas ou de fogo no local.
No decorrer da festa, vários focos de brigas foram detectados, tendo reclamações por parte de cidadãos castilhenses. Estima-se um número de mais de 2000 pessoas presentes no primeiro e último dia.
Em entrevista, o Assessor de Comunicação da Prefeitura, Sidney Ferreira, mencionou o número de 70 seguranças contratados para a festa, quando em ofício enviado pelo jurídico e a organização da festa, para os órgãos competentes, o contingente mencionava 20 brigadistas, 20 seguranças, e 40 controladores, número bem abaixo do aconselhado para um evento seguro para a população.
Segundo o capitão da Polícia Militar, Valdomiro e o tenente do 28ª Batalhão da PM em Andradina, Douglas, os números mostram a falta de segurança no evento. “Tivemos conhecimento de várias ocorrências, como três tentativas de homicídio, sendo duas no espaço que era realizado a festa, e uma do lado de fora, já próxima à residência da vítima, sendo esta última resultado de uma briga que começou nos arredores da praça da Matriz”.
Ainda foi registrada ocorrência de roubo a um posto de combustível. Durante patrulhamento de policiais militares para a localização dos suspeitos, o motorista de um veículo VW/Saveiro foi preso com um revólver de calibre 22, duas espingardas de pressão, além de diversas munições, inclusive de uso restrito das Forças Armadas. Segundo a polícia, o autor estava se dirigindo à praça em que era realizado o carnaval para encontrar um desafeto que havia entrado em uma briga.
Segundo o tenente Caldeira, comandante da operação em Castilho, houve ocorrências de desacato e lesão corporal, onde indivíduos provocaram um tumulto generalizado. A PM teve que agir com bombas de efeito moral e o uso de balas de borracha para conter a multidão.
Segundo os representantes da PM, houve o aconselhamento e o envio de ofícios ao município para a realização do evento em ambiente fechado, como ocorreu em Nova Independência e Pereira Barreto, onde o controle de entrada e saída de foliões podia ser feito de maneira a assegurar a tranquilidade dos festejos carnavalescos. No entanto, a administração da prefeita Fátima Nascimento e de assessores, como Antônio Carlos Galli, optou por manter em praça pública.
SEM LICITAÇÃO
De acordo com publicação do Diário Oficial do dia 20 de janeiro de 2018, no jornal O Liberal Regional, houve a dispensada licitação para contratar o show da ‘Identidade Nacional Banda Show’.
Segundo a publicação, o município de Castilho pagou R$ 60 mil, acrescidos de diárias de hospedagem e alimentação com a inexigibilidade de licitação. Estima-se que o custo total da festa pode ser da ordem de R$ 200 mil. Um valor elevado para um município onde falta remédios.
PROMOTORIA
A promotora de Justiça Rúbia Prado Motizuki, que entrou com pedido de cancelamento do carnaval de Castilho, falou à reportagem. Antes da realização do evento, muitas discussões foram feitas para a mudança de local da realização da festa da Praça da Matriz para o Recinto de Exposições, mas a Prefeitura negou todas as possibilidades e garantiu a segurança da população.
“Como é de conhecimento de todos, Castilho sofre com a violência de gangues, violência de atos armados. Por isso, a Polícia Militar e o Ministério Público estavam preocupados”.
Além dos alertas, um parecer foi desfavorável à realização da festa. Mesmo assim, a administração da prefeita Fátima Nascimento, não acatou.
“O carnaval é uma festa, uma tradição brasileira. Nós queremos sim o carnaval, queremos que as pessoas possam participar da festa, mas que elas não corram riscos. Como a Prefeitura não se dispôs a alterar o local de realização, não restou outra alternativa a não ser pelo cancelamento”, concluiu a promotora.

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