Briga generalizada cancela carnaval de Castilho após três serem esfaqueados

Uma briga generalizada na Praça da Matriz, em Castilho, cidade a 125 quilômetros de Araçatuba, terminou com três pessoas esfaqueadas, entre elas uma adolescente. O fato ocorreu logo após o encerramento da ‘Folia Fest’, carnaval de rua realizado pela Prefeitura da cidade. Por conta da situação, o carnaval foi cancelado depois de uma determinação da Justiça. A Polícia Militar e o Ministério Público já tinham recomendado à Prefeitura não realizar a festa por questões de segurança, mas o governo da prefeita Fátima Nascimento ignorou as recomendações e informou que tinha como garantir a segurança.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 2h56 da madrugada de sábado (10) para atender a ocorrência no local, onde acontecia o evento. Um grande tumulto formou-se na praça e os policiais tiveram que usar bombas de efeito moral para poder dispersar a multidão. Além disso, foi necessário o disparo de tiros de borracha para conter os ânimos de foliões.
Ainda não se sabe o que teria motivado o começo da confusão. Segundo informações da PM, três pessoas, sendo dois homens e uma adolescente de 16 anos foram esfaqueadas. Elas não participavam da briga generalizada, mas acabaram atingidas. Os golpes acertaram os braços e as mãos das vítimas.
Ambulâncias prestaram atendimento médico aos envolvidos e os encaminharam até ao pronto-socorro municipal. Elas foram medicadas e os médicos constataram cortes superficiais, que não ofereciam nenhum risco. Logo em seguida, os pacientes foram liberados.
Eles procuraram a delegacia da cidade, onde foram elaborados boletins de ocorrência de lesão corporal e tentativas de homicídio. As equipes da Polícia Militar encontraram na praça da Matriz a faca usada nas tentativas de homicídio, porém nenhum autor foi encontrado. Um inquérito foi aberto para investigar o caso.
CANCELAMENTO
O carnaval de Castilho foi cancelado depois de uma audiência de justificação realizada no Fórum de Andradina. Estiveram presentes o juiz de direito Jamil Nakad Júnior, representantes do Ministério Público e da prefeitura de Castilho, como Willian Ricardo Correa Celestino, secretário de obras, Sidney Ferreira, assessor de comunicação, Lauro Shibuya, assessor, Antonio Carlos Gali, advogado da prefeita municipal e Flávio José do Nascimento, vereador e filho de Fátima Nascimento.
De acordo com o termo, a Polícia Militar já havia mandado um ofício ao município alertando sobre os riscos na segurança, já que o evento ocorreria em praça pública, local aberto e sem o controle de entrada e saída de pessoas, o que dificultaria a fiscalização por parte da polícia, por não garantir a integridade dos participantes.
Ainda segundo o documento, o Ministério Público também emitiu a recomendação solicitando a não realização do evento, mas mesmo assim a prefeitura de Castilho ignorou os alertas e manteve a decisão de manter a festa. O Executivo alegou que conseguiria manter a segurança de todos, por conta da contratação de seguranças e brigadistas no local.
Desta forma, o governo da prefeita Fátima Nascimento, mesmo com a recomendação da Polícia Militar e do Ministério Público, ignorou os riscos e insistiu na realização da festa, com investimentos elevados.
Na madrugada de ontem, o alerta das autoridades se comprovou. Além de um cenário de guerra, com tumulto, brigas e três tentativas de homicídio, a Polícia Militar prendeu um folião por desacato, desobediência e resistência, além de prender outra pessoa em flagrante por porte de arma de fogo de uso restrito.
Por conta disso, a Justiça decidiu cancelar o evento. “Requer a antecipação dos efeitos da tutela determinando ao Município de Castilho a não realização do carnaval, sob pena de multa diária”, complementa a decisão.
Os representantes da cidade acataram a recomendação do Ministério Público pelo cancelamento da festa. O juiz homologou a sentença. “Homologo, por sentença, o acordo a que chegaram as partes, para cancelamento do carnaval de Castilho, nas datas de 10 a 12 de fevereiro de 2018”.
INVESTIMENTO ALTO
Com dispensa de licitação, a Prefeitura contratou a Identidade Nacional Banda Show, de São José do Rio Pardo, para animar o carnaval. A banda foi contratada por R$ 60 mil, “acrescidos de diárias de hospedagem e alimentação, objetivando abrilhantar os festejos carnavalescos, a ser realizado no período de 09 a 12 de fevereiro de 2018, incluindo uma matinê no dia 11/02/2018”, diz o termo de ratificação do processo licitatório. De acordo com o portal da Prefeitura, a banda tem cinco vocalistas e mais dois casais de dançarinos.
Na notícia publicada no portal, “Para manter a mesma tranquilidade das outras festas ocorridas na Praça em 2017, a Prefeita Fátima Nascimento prometeu investir pesado na segurança do evento. Foram ao menos 70 pessoas entre seguranças e brigadistas trabalhando na equipe de Apoio para garantir um clima festivo do início ao fim da folia.” Ou seja, mais despesas para o município. O valor total a ser investido na festa não foi revelado.
OUTRO LADO
O jornal O Liberal questionou a assessoria de imprensa do governo de Castilho a respeito do cancelamento do carnaval, após a ocorrência da briga generalizada, além do total investido no evento, mas até o fechamento desta reportagem não obteve nenhuma resposta.

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