Audiência busca ampliar oportunidades de aprendizagem para adolescentes em condições de risco

Cerca de 200 empresários de Araçatuba se reuniram na manhã de ontem, sexta (2), no auditório do Senai em uma audiência para expandir oportunidades de emprego e aprendizagem para adolescentes em condições de vulnerabilidade e risco social.

A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Araçatuba, Ana Raquel Machado Bueno Moraes, explicou que a proposta do encontro foi apresentar aos empresários convidados uma possibilidade de realizar uma ação de responsabilidade social oferecendo vagas de menores aprendizes para esses adolescentes.

“Nós queremos oferecer uma nova perspectiva de vida a esses meninos que saíram da Fundação CASA ou que estão cumprindo medidas socioeducativas em liberdade. Queremos que eles saibam que existem outras oportunidades e que eles são capazes de mudar de vida”, afirmou a procuradora.

Através de uma parceria entre o Ministério Público do Trabalho, o TRT da 15ª Região, a Vara da Infância e da Juventude e o Ministério Público do Estado de São Paulo, com apoio do SENAC, Ministério do Trabalho, Prefeitura Municipal e Araçatuba, Fundação CASA e de empresas locais os adolescentes poderão ser inseridos no mercado de trabalho.

A procuradora reforçou ainda no encontro que existe uma lei que obriga as empresas a contratarem entre 5% e 15% de funcionários como menores aprendizes e a proposta é transformar essa obrigatoriedade em uma ação de benefício para toda a comunidade.

Em 2018 as ações de fiscalização das empresas serão intensificadas, mas Ana Raquel afirmou que o MPT pretende auxiliar os empresários a se adequarem e que o projeto é uma ferramenta para isso.

PILOTO
Um projeto piloto já vem sendo desenvolvido na cidade. Seis menores que já passaram pela Fundação CASA e que estão cumprindo medidas sociais foram contratados pelos Supermercados Rondon como menores aprendizes.

A rotina desses meninos se divide entre o trabalho no supermercado e aulas no Senac.
João, de 17 anos, e Luís Felipe, de 18, trabalham no Supermercados Rondon desde 31 de agosto do ano passado. Para eles as vagas de emprego surgiram como uma oportunidade de recomeçar.

“Quando fiquei sabendo da vaga, não imaginava que daria certo. Foi uma oportunidade de não ficar na rua, de ajudar a minha família e incentivar meus amigos a mudar de vida”. João mora com a mãe, quatro irmãs pequenas e os avós. Ele cumpria medidas sociais no CREAS quando foi contratado.

Para Luís Felipe, egresso da Fundação CASA, essa foi uma oportunidade de se tornar um exemplo melhor para o filho. “Eu quero que eu filho seja diferente do que eu fui no passado. Quero ter minha casa, minha família, uma vida boa no futuro”, contou.

A coordenadora de Recursos Humanos do Supermercados Rondon afirmou que resultado do trabalho com os menores está sendo ótimo. “Eles são muito esforçados, agarraram a oportunidade com as duas mãos. Não vemos diferença entre eles e os demais funcionários, são pessoas normais”.

PRECONCEITO
O promotor da Infância e Juventude, doutor Joel Furlan, esclareceu aos empresários presentes no evento que a proposta não é incentivá-los a contratar criminosos.

“A maioria dos adolescentes que estão na Fundação CASA, cerca de 80%, estão lá devido ao tráfico de drogas e não são violentos. São crianças que procuram no tráfico uma forma para conseguirem dinheiro para se manter, muitos até nem têm família. Nossa proposta é ser uma alternativa ao tráfico e ao crime”, explicou Furlan.

INTERESSADOS
As empresas interessadas em fazer parte do projeto e contratar adolescentes em condições de vulnerabilidade e risco social devem procurar o MPT para saber os procedimentos necessários.

Karen Mendes

você pode gostar também