Balanço aponta que 48 mil pessoas não compareceram às consultas médicas agendadas

Pacientes que marcam suas consultas e, por algum motivo, não aparecem nas unidades básicas de saúde acarretam prejuízos não apenas a si mesmos, mas também ao médico e aos outros pacientes, pois aquele espaço poderia ser preenchido por outra pessoa, e infelizmente acaba ficando vago. Essas ocorrências são muito mais comuns do que se imagina e é sem dúvida uma das principais preocupações da saúde pública de Três Lagoas (MS).

De acordo com Fernando Garcia, coordenador da Unidade de Estratégia de Saúde da Família do posto Parque São Carlos, de janeiro a dezembro de 2017, foram registradas 48 mil desistências nos agendamentos de consultas médicas. Garcia explica que somente na Unidade do bairro São Carlos são cerca de 40% de pessoas que não compareceram nas consultas, a maioria, para clínico geral. “Essas pessoas agendam sua consulta, porém não comparecem, tirando a oportunidade de outras pessoas que necessitam de atendimento”, comenta.

O coordenador explica que por se tratar de agendamentos em longo prazo, cerca de 30 dias, os pacientes desistem antes da data e, não avisam com antecedência as unidades. “Nós queremos que as pessoas se conscientizem. Se por algum motivo o paciente não pode ir até a consulta no dia marcado, pedimos para que os mesmos liguem nas unidades e tenham o mínimo de consciência e desmarque. Sendo assim, temos a opção de abrir espaço para outros pacientes que necessitam”, destaca.

Entre as razões pelos quais os pacientes faltam às consultas, Garcia elenca os motivos e orienta como pode ser feito para evitar essas faltas. “As pessoas são imediatistas. Eles querem ser atendidos como se fossem urgência e emergência e o tratamento dentro das Unidades Básicas de Saúde são todos por agendamento. Então, nós fazemos uma promoção da saúde, um acompanhamento. Muitos deles (pacientes) marcam as consultas e por não sentirem mais dor, acham que não tem a necessidade de voltar ao médico, mas eles não entendem que o tratamento tem ser continuado à medicina preventiva para que não se necessite da medicina curativa. Por isso reforçamos o pedido para que mesmo assim esses pacientes liguem nas unidades e avisem sobre a desistência”, reforça.

Responsabilidade com medicação controlada
Além dos faltosos, a preocupação da Secretaria Municipal de Saúde também envolve a desorganização dos pacientes, referente ao agendamento de medicação controlada, fornecida pelas farmácias das unidades. A secretária da pasta, Angelina Zuque, orienta nos procedimentos. “Se um paciente que tem um medicamento para 30 dias de uso contínuo, no momento em que ele retira o remédio na farmácia, ele já tem que passar pela recepção e agendar a próxima consulta para pegar uma nova receita”, destaca.

Conforme a secretária, outra situação bastante corriqueira nas unidades, envolve a listagem de pacientes em tratamentos crônicos, como diabetes e hipertensão, e que existe um cadastro onde durante seis meses o medicamento é fornecido. O que acontece, segundo a secretária, é que boa parte desses pacientes não renovam o cadastro e deixam para buscar os medicamentos faltando apenas um a dois comprimidos. “O que tem ocorrido é que as pessoas deixam finalizar o medicamento. Isso a gente vê na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no sábado a noite, aonde eles chegam desesperados atrás do medicamento, porém esses remédios não fazem parte da rotina da UPA, esses medicamentos são das unidades de saúde. As pessoas precisam conhecer as unidades, como elas estão divididas e sobre tudo, terem o controle de seus medicamentos”, esclarece.

A secretária Angelina Zuque antecipou que, está prevista também, no mês de março, a implantação de uma campanha com orientações para os pacientes sobre agendamentos de consultas e retirada de medicamentos.

Mariane Martins

você pode gostar também