CCZ fiscalizará tratamento de cães com leishmaniose em Araçatuba

O tratamento para leishmaniose visceral em cães foi autorizado neste ano pelo Governo Federal, com medicamento específico designado pelo Ministério da Agricultura, a Miltefosina. Em Araçatuba, lei que dispõe sobre o tema foi publicada nesta quinta-feira (7), regulamentando como o acompanhamento dos cães em tratamento será feito pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município.

Apesar de ser uma alternativa para evitar o sacrifício do animal, o tratamento é caro. Um animal de médio porte, com até 20 quilos, entre exames e medicação o custo pode passar de R$ 1 mil. A leishmaniose não tem cura, mas o animal pode ter uma vida prolongada e com qualidade e sem risco de transmitir a doença. A medicação evita o avanço da doença, reduz a carga de transmissão e até a bloqueia.

Para iniciar o tratamento o proprietário deverá encaminhar ao CCZ o Termo de Responsabilidade assinado pelo dono do animal e pelo veterinário responsável em até 15 dias após o diagnóstico positivo para a doença. Neste termo ambos atestam o início do tratamento com a medicação autorizada. A cada três meses o animal será submetido a exames laboratoriais e os resultados deverão ser encaminhados ao órgão.

Caso os exames apontem o avanço da doença um novo ciclo de tratamento será iniciado, obrigatoriamente. A lei deixa claro que o proprietário do animal deve estar ciente de que o mesmo será acompanhado clinicamente e através de exames laboratoriais por toda a sua vida e, caso o dono não opte pela medicação, o animal deverá ser entregue ao CCZ para ser sacrificado.

Segundo o CCZ, na próxima semana o órgão iniciará uma série de visitas às clínicas veterinárias da cidade para orientar os profissionais sobre o cumprimento da lei, que é de autoria do vereador Almir Fernandes Lima (PSDB). O médico veterinário que faz o tratamento deve ser cadastrado tanto no Conselho Regional de Medicina Veterinária quanto no Ministério da Saúde. O medicamento vem com um código de barra que precisa ser lançado em um sistema.

CASOS EM HUMANOS

Atualmente há uma menina de dois anos internada na Santa Casa de Araçatuba com confirmação para leishmaniose. Ela é moradora do bairro Pinheiros e o quadro dela é estável. No último dia cinco também foi registrado novo caso em um homem de 64 anos, do bairro Morumbi. Seu quadro clínico também está estável.

CASOS EM CÃES

O Centro de Controle de Zoonoses de Araçatuba (CCZ) já sacrificou neste ano 554 cães, mais do que em todo o ano de 2016, quando 295 animais foram eutanasiados por decorrência da contaminação por leishmaniose. O número é maior também que o número de cães sacrificados em 2015, que foi de 270. O órgão colhe, em média, 100 amostras de sangue por semana para realizar exame.

Nos últimos anos Araçatuba conseguiu diminuir drasticamente o número de eutanásias aplicadas em cães por leishmaniose. Em 2014, por exemplo, foram 888 cães sacrificados, sendo que em 2013 foram 1605, mais de quatro animais por dia para cada dia do ano. Conforme o órgão não há uma área da cidade onde ocorram mais casos.

A DOENÇA E PREVENÇÃO

O transmissor da leishmaniose, o Lutzomia longipalpis, também conhecido como mosquito-palha, se desenvolve em locais com acúmulo de matéria orgânica, como folhas, flores, frutas e até mesmo em restos de comida e fezes dos animais. A melhor prevenção é a limpeza. Ações ajudam também a diminuir a proliferação do vetor, como diagnóstico precoce e o tratamento dos casos humanos, monitoramento e a eutanásia de cães infectados pelo parasita e controle do vetor por meio do saneamento, cuidados e manejo ambiental em áreas públicas e residenciais.

A população deve ficar alerta ao aparecimento de sintomas da doença tanto nos animais quanto no homem. No cão os sintomas são: crescimento das unhas, queda do pelo, feridas na pele, secreção ocular, emagrecimento e perda do apetite. Em humano ocorre febre, emagrecimento, tosse seca, anemia, aumento do fígado e do baço, úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas.

EXAMES

O CCZ de Araçatuba oferece o serviço de coleta de material para diagnóstico de leishmaniose diariamente e de forma gratuita. Além deste exame, também castra todos os animais que vão para doação. O órgão atende das 7h30 às 17h e não fecha para horário de almoço; fica na Rua Doutor Luiz de Almeida, 145, e o telefone é 3636-1180.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

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