Cirurgia plástica pode ajudar pacientes a parar de fumar

Se você é um fumante e está considerando a possibilidade de fazer uma cirurgia estética, seu cirurgião plástico provavelmente exigirá que você pare de fumar, pelo menos, duas semanas antes do procedimento. Um estudo de acompanhamento de longo prazo concluiu que muitos pacientes que recebem essas instruções vão parar de fumar, ou pelo menos irão fumar menos, nos anos após a cirurgia plástica, relata o artigo publicado no Plastic and Reconstructive Surgery®,  jornal médico oficial da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).

 “Os resultados mostram uma associação entre a cirurgia estética e a cessação do tabagismo no acompanhamento de longo prazo. Os cirurgiões que solicitam a cessação do tabagismo no pré-operatório podem influenciar no status de tabagismo dos pacientes, a longo prazo”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, (CRM-SP 62.735), diretor do Centro de Medicina Integrada.

Pacientes param ou reduzem o tabagismo

 O estudo de acompanhamento incluiu 85 pacientes que eram fumantes quando foram avaliados para fazer uma cirurgia estética. Como a maioria dos cirurgiões plásticos, o autor do estudo, Nicholas J. Carr, exigiu que todos os pacientes se abstivessem de fumar durante pelo menos duas semanas antes dos procedimentos eletivos. Essas instruções refletem uma preocupação com o  aumento dos problemas de cicatrização de feridas e de outros resultados negativos entre os fumantes, após a cirurgia plástica.

Cinco anos após a cirurgia estética, 47 pacientes responderam a uma pesquisa de acompanhamento. A maioria dos pacientes eram mulheres; a idade média era de 40 anos. Os procedimentos estéticos mais comuns foram a abdominoplastia, a mastopexia e o lifting facial.  Após a exclusão de cinco fumantes sociais, o estudo incluiu 42 pacientes que eram fumantes diários antes da cirurgia plástica.

Na pesquisa de acompanhamento, cerca de 40% dos pacientes disseram que já não fumavam cigarros diariamente. Quase um quarto não fumava desde o procedimento de cirurgia plástica. A maioria dos pacientes disse ter reduzido o consumo de cigarro. 70% concordaram que discutir os maiores riscos cirúrgicos com o cirurgião plástico influenciou diretamente na sua decisão de parar ou de reduzir o tabagismo.

No entanto, metade dos pacientes admitiu que não seguiu as instruções para se abster de fumar antes da cirurgia. Quase um quarto continuou a fumar até o dia do procedimento.  Os pesquisadores não confirmaram se os pacientes deixaram de fumar.

“A taxa de complicações após a cirurgia estética foi maior nos pacientes que continuaram a fumar. Mais complicações de cicatrização de feridas ocorreram em dois pacientes, os quais não seguiram as instruções para parar de fumar”, informa Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Devido aos efeitos negativos do tabagismo na cicatrização de feridas, muitos cirurgiões plásticos não estão dispostos a realizar procedimentos de cirurgia plástica em pacientes que fumam. Em comparação com estudos, em outros grupos, os novos achados sugerem que os pacientes de cirurgia plástica parecem ser mais propensos a abandonar o tabagismo no acompanhamento de longo prazo.

“Os dados são consistentes com pesquisa anterior mostrando que pacientes que desejam fazer uma cirurgia estética estão mais motivados para sustentar mudanças positivas em seu estilo de vida. Sendo assim, o diálogo entre cirurgiões plásticos e pacientes, durante a consulta de cirurgia plástica, serve como um momento único para proporcionar aconselhamento específico para cessação do tabagismo que pode persistir muito além da interação cirúrgica”, defende o médico.

 

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