Dezembro Vermelho alerta para aumento da Aids na juventude

Com ações voltadas para a prevenção contra Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), o Dezembro Vermelho já começou a ser repercutido por todo o país. No dia primeiro foi comemorado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, data criada em 1987 para alertar a humanidade para um dos maiores problemas de saúde pública, que já matou cerca de 35 milhões de pessoas, sendo 1 milhão somente no ano passado.

O número de casos de Aids entre jovens aumentou nos últimos anos em todo o país, é o que revelam dados do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A taxa de infectados explodiu entre 2006 e 2015 em diversas faixas etárias, principalmente na população com idade entre 22 e 44 anos, e o maior crescimento está entre jovens gays e homens que fazem sexo com outros homens. O maior risco, entretanto, se deve ao fato de existir uma população contaminada que desconhece o diagnóstico.

Conforme último balanço do Ambulatório DST/AIDS e HIV de Araçatuba, que contempla dados até setembro deste ano, o órgão atende atualmente 950 pessoas com HIV/Aids. Esse número cresceu nos últimos anos: aumento de 26% de 2014 para 2015; aumento de 59,5% de 2015 para 2016. No ano passado foram diagnosticados 66 novos casos em Araçatuba.

Entre os atendidos estão 866 adultos, duas crianças, 5 parturientes, 6 recém-nascidos e 91 pessoas que foram expostas ao vírus (ocupacional ou não, por violência sexual ou com consentimento). A maioria, 62%, tem idade entre 22 e 44 anos; 12% entre 12 e 24 anos; 16% entre 45 e 54 anos e 12% com idade superior a 55 anos. Conforme Sandra Exaltação, dirigente do Ambulatório, “parte da população, de fato, está infectada pelo vírus HIV e não sabe. Isso se dá pela falta de diagnóstico, que nos últimos anos foi facilitado com a implantação do teste rápido”, diz. Os fatores que contribuem para o não diagnóstico são o medo em saber da contaminação, não acreditar que pode acontecer consigo, confiança no parceiro(a) e profissional médico que ainda não solicita exame HIV na rotina.

O QUE EXPLICA?

A imagem que a maioria dos adultos tem de uma pessoa contaminada por HIV, de um infectado magro e calvo, é aquela dos emblemáticos casos dos anos 1980, retratados em filmes como “Filadélfia”, de 1995, e mais recentemente em “Clube e Compras Dallas”, de 2013. De acordo com Sandra Exaltação, essa nova geração de jovens com HIV não viveu este período e cresceu sabendo que a doença tem tratamento, sendo possível viver normalmente se seguir o protocolo. Isso teria amenizado a noção de risco e consequentemente impactou o uso de preservativos.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

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