Por 10 votos contra 1, Câmara de Valparaíso aceita denúncia contra prefeito

FERNANDO VERGA – Valparaíso

A Câmara dos Vereadores de Valparaíso aceitou, durante sessão desta terça-feira (28), o recebimento da denúncia contra o prefeito Roni Cláudio Bernardi Ferrareze (PV). Ele é acusado pelo ex-secretário de Administração do município, o empresário Edson Jardim Rosa, que também é presidente do partido ao qual o prefeito está filiado, de crime de responsabilidade e cometimento de infrações político-administrativas. Foram 10 votos favoráveis e apenas um contrário, que veio do vereador Marcos Alexandre dos Santos, 2º secretário da mesa diretora da Casa.

A Câmara deve instaurar uma Comissão de Investigação Processante contra o prefeito, que será formada por vereadores que investigarão a possível infração cometida. A sessão foi marcada pela grande presença dos cidadãos de Valparaíso, que fizeram fila do lado de fora da Câmara para acompanhar a sessão. Como a casa comporta apenas 100 pessoas, a entrada foi liberada conforma a ordem de chegada do público.

Esta é a segunda vez que a Câmara recebe e aprova denúncia contra Roni neste ano. Entretanto, o prefeito se defende e afirma que nunca fez acordos para tramar ilegalidade ou irregularidade e que estranha o comportamento do presidente de seu partido, autor da denúncia.

O fato veio à tona na semana passada após áudios gravados por Rosa durante uma reunião com o prefeito e o chefe de gabinete Gustavo Tonani vazarem para as redes sociais. Segundo o denunciante, a gravação mostra a ” intenção do senhor prefeito em dilapidar o patrimônio em proveito próprio e de terceiros ” , que teria como objetivo organizar um esquema para receber benefícios por meio de contratos com empresas e fraudes de licitação.

SAÍDA DO GOVERNO

Rosa diz que começou a desconfiar de que algo ilegal poderia estar acontecendo quando foi designado pelo prefeito Roni para ocupar o lugar do tesoureiro do município, que estava para sair em férias. Segundo o denunciante, isso o surpreendeu, pois havia funcionário no organograma da Prefeitura apto para substituir o tesoureiro, que assina os cheques do município.

Ele diz que no período em que atuou como responsável pela assinatura dos cheques percebeu que algumas decisões deixaram de passar pela Secretaria de Administração, o que o levou a questionar o porquê dessa situação. Isso não teria agradado o prefeito Roni, que, segundo Rosa, o isolou por retaliação para ocultar as ilegalidades. Por conta disso, o denunciante procurou o prefeito para tratar dos problemas internos e resolveu gravar a própria conversa.

A forma com que o diálogo foi conduzido deixou Rosa espantado, que diz que tentaram seduzi-lo com ofertas de vantagens ilícitas, incluindo-o em planos de prospectar negócios. Para o denunciante, ” a real intenção era dilapidar o patrimônio público em proveito próprio, em claro desrespeito aos princípios administrativos e, principalmente, ao povo de Valparaíso ” . Ele pediu demissão após a conversa.

FORA DE CONTEXTO

A reportagem fez contato com a Prefeitura de Valparaíso e, em conversa com o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Agostinho Barbosa Neto, ele afirmou que a conversa foi tirada de seu contexto, que o prefeito apenas disse a Rosa que seria ” mais interessante ele não se amarrar ao cargo e se dedicar a suas empresas ” .

O secretário afirmou que a Prefeitura irá tratar o assunto de forma política e que os fatos serão esclarecidos, conduzindo a investigação para o arquivamento, ” pois a denúncia é baseada em áudio e não existe materialidade “, disse.

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