Prefeito de Valparaíso é denunciado por intenção de “dilapidar o patrimônio”

Foi protocolada na quinta-feira (23) na Câmara Municipal de Valparaíso denúncia contra o prefeito Roni Cláudio Bernardi Ferrareze (PV) por possível crime de responsabilidade e cometimento de infrações político-administrativas. A iniciativa partiu do empresário Edson Jardim Rosa, ex-secretário municipal de Administração que testemunhou e gravou reunião com o prefeito e o chefe de gabinete, Gustavo Tonani.

Conforme o denunciante, há farta documentação juntada que comprova a ” intenção do senhor prefeito em dilapidar o patrimônio em proveito próprio e de terceiros ” , conforme consta no protocolo da denúncia. Segundo Rosa, o objetivo era organizar um esquema para receber benefícios por meio de contratos com empresas e fraudes de licitação. O empresário requer também a instauração de Comissão de Investigação Processante contra o prefeito.

O assunto veio à tona nesta semana com o vazamento dos áudios gravados por Rosa, que apoiou o prefeito nas eleições e trabalhou na administração até o dia 21 de agosto. As conversas foram parar nas redes sociais, o que deixou a população da cidade indignada com o conteúdo; nas páginas da cidade no Facebook este é o principal assunto.

Conforme o denunciante, os áudios provam que estava sendo montada uma organização criminosa para fraudar licitações, criar empresas para firmar contratos com o município, obter recursos através de terceirização de cemitério e também lucrar 10 centavos por ave comprada de uma cooperativa de frango.

SAÍDA DO GOVERNO

Rosa diz que começou a desconfiar de que algo ilegal poderia estar acontecendo quando foi designado pelo prefeito Roni para ocupar o lugar do tesoureiro do município, que estava para sair em férias. Segundo o denunciante, isso o surpreendeu, pois havia funcionário no organograma da Prefeitura apto para substituir o tesoureiro, que assina os cheques do município.

Ele diz que no período em que atuou como responsável pela assinatura dos cheques percebeu que algumas decisões deixaram de passar pela Secretaria de Administração, o que o levou a questionar o porquê dessa situação. Isso não teria agradado o prefeito Roni, que, segundo Rosa, o isolou por retaliação para ocultar as ilegalidades. Por conta disso, o denunciante procurou o prefeito para tratar dos problemas internos e resolveu gravar a própria conversa.

A forma com que o diálogo foi conduzido deixou Rosa espantado, que diz que tentaram seduzi-lo com ofertas de vantagens ilícitas, incluindo-o em planos de prospectar negócios. Para o denunciante, ” a real intenção era dilapidar o patrimônio público em proveito próprio, em claro desrespeito aos princípios administrativos e, principalmente, ao povo de Valparaíso ” . Ele pediu demissão após a conversa.

FORA DE CONTEXTO

A reportagem fez contato com a Prefeitura de Valparaíso na tarde desta sexta-feira (24) e, em conversa com o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Agostinho Barbosa Neto, ele afirmou que a conversa foi tirada de seu contexto, que o prefeito apenas disse a Rosa que seria ” mais interessante ele não se amarrar ao cargo e se dedicar a suas empresas ” .

O secretário afirmou que a Prefeitura irá tratar o assunto de forma política e que estão articulando para que a denúncia não seja aceita pela Câmara. Segundo Neto, caso ela seja aceita, os fatos serão esclarecidos e ela será arquivada, ” pois a denúncia é baseada em áudio e não existe materialidade ” , disse. A votação será na sessão da próxima terça-feira, dia 28.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

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