Ex-diretor do Cruzeiro diz que Gilvan sabia das condições da negociação com Latorre

Muitos torcedores ficaram assustados com a dívida de R$ 12 milhões do Cruzeiro pelo atacante Gonzalo Latorre, de 21 anos. Esse é o valor que o Atenas, do Uruguai, cobra do clube celeste. A negociação parece ser um dos grandes erros da atual gestão, que já acumula R$ 50 milhões em processos na Fifa.

Responsável pela contratação do uruguaio, o ex-diretor do Cruzeiro Valdir Barbosa afirmou que por motivos éticos não comentaria detalhes da negociação, mas se limitou a dizer que Gilvan de Pinho Tavares sabia de tudo e aprovou a compra do então desconhecido atacante.

“O negócio foi autorizado pelo presidente. Não comento nada dos clubes em que trabalhei. O que posso dizer é isso. Você acha que um negócio desses seria feito sem a autorização do presidente? Não seria”, disse Valdir Barbosa, ex-dirigente da Raposa.

Valdir viajou ao Uruguai e negociou com o empresário Daniel Fonseca a contratação de Arrascaeta. O próprio Gilvan já admitiu que a vinda de Arrascaeta estava condicionada à compra de Latorre.

Na época, a chegada de Arrascaeta foi uma resposta à venda de Ricardo Goulart. O Cruzeiro negociou o ídolo do clube por R$ 48 milhões para o Guangzhou Evergrande, da China. Então, havia dinheiro em caixa e a diretoria não economizou.

Arrascaeta custou cerca de R$ 12 milhões por 50% dos direitos – em documento divulgado recentemente, o Cruzeiro informou ser detentor de 30% dos direitos econômicos. Já Latorre veio por R$ 11 milhões (100% dos direitos), mas agora, com juros, já custa R$ 12 milhões.

A diferença substancial é que Arrascaeta foi destaque do Defensor, do Uruguai, na Copa Libertadores de 2015 e Latorre era um atleta sem nenhuma relevância. Ou seja, o Cruzeiro gastou uma grana alta em um atleta sem a mínima expressão, uma aposta mais do que arriscada.

Dor de cabeça

Latorre tornou-se uma grande dor de cabeça para o Cruzeiro. Com um dos grandes salários da base, senão o maior, Latorre sempre chamou atenção por levar vida de profissional bem-sucedido, bem diferente da maioria dos companheiros de Toca I. Apesar disso, seus números foram decepcionantes. O uruguaio disputou apenas 10 partidas pela equipe sub-20 entre 2015 e 2016 e marcou dois gols.

Em meados deste ano, o Cruzeiro tentou rescindir contrato com Latorre, mas o jogador uruguaio não aceitou as condições oferecidas pelo clube. Já sem idade para atuar nas categorias de base e fora dos planos de Mano Menezes no profissional, jogou pelo clube no Campeonato Brasileiro de aspirantes. O contrato dele vai até dezembro de 2019.

Da Redação

você pode gostar também