Citroplast retira do lixo a matéria-prima para promover o desenvolvimento econômico e social

Os termos responsabilidade social e responsabilidade ambiental são relativamente novos. Não para a família do empresário Marcos Citro, de Andradina, fundador e presidente da Citroplast Indústria de Papéis e Plástico. Há 42 anos, o empresário viu no aproveitamento de papel para fazer novos papéis uma oportunidade de negócio, não apenas para a sua empresa, mas para dezenas de pessoas que recolhiam material do lixo. O negócio prosperou e hoje a Citroplast evita que mensalmente 6,5 mil toneladas de papel vão para os aterros sanitários. Isso representa emprego para muitos trabalhadores. Pode-se dizer que a Citroplast retira do lixo a matéria-prima para promover o desenvolvimento econômico e social.

Idealizada pelo empresário, a Citroplast foi fundada em 1975 com sede na área central de Andradina. Dedicava-se à produção de embalagens plásticas. Criativo e dinâmico, no início dos anos 80 o industrial levou a empresa para recém-inaugurado parque industrial de Andradina. A nova indústria ampliou a linha de produção.

Com pensamento à frente de seu tempo, Marcos Citro não conseguia admitir o desperdício de papel que via jogado nas ruas e no lixão de Andradina em suas caminhadas e passeios pela cidade. Foi a partir daí que começou a pensar no aproveitamento deste material. Onde a grande maioria via lixo descartado, ele viu a oportunidade de negócio. Passou a pesquisar e idealizar um plano de trabalho para captação e aproveitamento do material. Nesta época a Citroplast já era reconhecida como produtora de ondulado para fabricação de embalagens.

No final da década de 1980, a Citrolast começou a reciclar papel para fazer papel. O empresário Citro lembra que inicialmente eram apenas 300 toneladas de papel recolhido por mês. Citro percebeu que era um bom negócio do ponto de vista econômico, mas tinha implicações sociais e ambientais. A coleta do papel mobilizava um batalhão de pessoas em Andradina e cidades vizinhas. Mas não era só isso, o processo de fabricação de papel a partir do papel representa ganhos ambientais significativos. Não precisa desmatar, usa menos água e menos energia e impede que toneladas de lixo vão sobrecarregar os aterros sanitários. Ou seja, o lixo vira dinheiro.

A Citroplast expandiu seus negócios e teve de construir o seu próprio parque industrial. Para tanto, foi comprada uma fazenda em 1984 de 220 hectares na Rodovia General Euclides de Oliveira Figueiredo (Integração), próximo ao Ribeirão Moinho. Deste total, 30 hectares, o que equivale a 300 mil metros quadrados, foram destinados à indústria. Hoje a indústria tem 53.260,25 metros quadrados de área construída e mais de 248 mil metros quadrados de área livre, onde há plantação de eucalipto e tem área de reflorestamento. “Conseguimos recuperar a mata ciliar do Moinho”, comemora Marcos Citro, que mantém o projeto de ampliar o reflorestamento.

A nova indústria foi construída e instalada dentro dos mais modernos conceitos de sustentabilidade. Equipamentos para filtragem de ar foram instalados nas linhas de ondulação e acabamento de caixas. Com isso, garante a qualidade do ar e não joga resíduos na atmosfera. A empresa atualmente possui circuito fechado de águas, obtido por meio de mecanismo alternativos como tanques de balanço, desidratador, clarificador, filtros de areia, torres de resfriamento e outros, evitando assim o desperdício de água.

O complexo industrial da Citroplast é composto por três fábricas (fábrica de papel, fábrica de papelão e fábrica de caixas) que se conectam para a produção final de caixa e chapa papelão para atender um mercado cada vez mais exigente. A Citroplast deixou de ser uma empresa regional e hoje atende todo o país e até mesmo o exterior.

A fábrica de papel reciclado, que produz em larga escala diferentes tipos de produto em forma de bobina, papel miolo e papel test liner, todos em diversos formatos e gramaturas, a partir de sucatas de papel e celulose, é o início da cadeia produtiva.

A fábrica de papelão ondulado, que transforma as bobinas de papel em chapas de papelão ondulado, possui grande capacidade produtiva e modernos recursos de controle de qualidade das chapas.

A fábrica de caixas que transforma as chapas de papelão ondulado no produto final da empresa (caixas de papelão ondulado), é composta de várias máquinas que fazem o processo de acabamento das caixas, dentre as quais se destacam as duas modernas máquinas de impressão e corte-vinco.

EXPANSÃO DA INDÚSTRIA

Para expandir a indústria e buscar novos mercados, a Citroplast teve também de ampliar a sua área de compra de sucata de papel. Hoje a empresa tem 234 fornecedores cadastrados, distribuídos pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná. Das 300 toneladas mensais de aparas (sucatas), hoje são 6,5 mil toneladas.

A Citroplast tem 550 trabalhadores em seu complexo industrial, mas é responsável pelo trabalho de mais de duas mil pessoas que atuam na captação de recicláveis em toda a sua área de atuação.

DESAFIOS E VITÓRIAS

Quando a Citroplast começou a reciclar papel do lixo para fazer embalagens, enfrentou certa resistência do mercado. Hoje o conceito preservacionista prevalece e os seus produtos são procurados no mercado de papel e embalagens exatamente por ser de material reciclado. Além disso, a empresa estimulou a reciclagem de outros materiais. Ao separar o papel, as pessoas já retiram os plásticos e metais. Isso reflete diretamente na vida útil dos aterros.

COMPARAÇÃO NA PRODUÇÃO

A reciclagem é considerada fundamental na sustentabilidade. Uma tonelada de aparas pode evitar o corte de 10 a 12 árvores provenientes de reflorestamentos e o uso de aparas para a reciclagem leva à economia de insumos, em especial da água utilizada nos processos de produção a partir da celulose. A estimativa é de que para fabricação de uma tonelada de papel corrugado são necessárias duas toneladas de madeira (o equivalente a cerca de 15 árvores), 44 mil a 100 mil litros de água e de 5 a 7,6 mil KW de energia. A produção desta mesma quantidade de papel gera, ainda, 18 quilos de poluentes orgânicos descartados nos efluentes e 88 quilos de resíduos sólidos. Os poluentes são compostos por fibras, breu (material insolúvel) e celulose (de difícil degradação). Já no processo de reciclagem, o volume de água utilizado cai para dois mil litros e o consumo de energia cai para 2,5 mil KW. Portanto, reciclar o papel, ao invés de fabricá-lo a partir da celulose, pode levar a uma redução de consumo de energia, emissão de poluentes e do uso da água, além de redução da percentagem de papel descartado como resíduo sólido.

RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Como se vê, o processo industrial desenvolvido pela Citroplast a partir do final da década de 1980, contribui diretamente para o meio ambiente. O trabalho feito pela Citroplast impediu ao longo dos anos que milhões de quilos e papel fossem para aterros, comprometendo o meio ambiente e também estimulou a reciclagem de outros materiais.

O empresário Marcos Citro, idealizador de projeto industrial, disse que os objetivos foram plenamente alcançados e que valeu a pena cada minuto e cada centavo investido.

Antônio Crispim

você pode gostar também