Aula de biologia causa polêmica em Araçatuba

A discussão começou quando um dos alunos do primeiro ano do Ensino Médio, da Escola Estadual Maria Apparecida Balthazar Poço fotografou a lousa com o conteúdo da aula, onde estavam descritas práticas e carícias sexuais.

A imagem foi parar nas redes sociais e causou muitas discussões sobre a permissão da escola para abordar tais assuntos em sala de aula, bem como as circunstâncias em que os itens descritos foram parar no quadro negro.

O fato é que a aula tratava de uma atividade do Projeto Vale Sonhar, desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo em parceria com o Instituto Kaplan – Centro de Estudos da Sexualidade Humana, que tem o objetivo de diminuir os índices de gravidez na adolescência e prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

O projeto tem três pilares. O primeiro deles incentiva os adolescentes a projetarem seu futuro e imaginarem como seriam seus sonhos se tivessem filhos nessa fase da vida. Já o segundo pilar, tem o objetivo de ensinar que nem toda relação sexual engravida. E o terceiro orienta sobre métodos anticoncepcionais e sua eficácia.

Na segunda etapa, os professores dividem os alunos em grupos para que eles descrevam as carícias e práticas sexuais que conhecem para discutirem se podem ou não levar a uma gravidez. Foi justamente esse ponto do projeto que foi fotografado pelo aluno e divulgado, causando diversos questionamentos de toda a sociedade, por não entender o sentido da aula.

Alguns pais que fizeram denúncias nas redes sociais, mas não quiseram se identificar, disseram que receberam um bilhete solicitando a autorização para que seus filhos participassem de uma aula sobre prevenção à gravidez precoce e DSTs, porém não imaginavam o teor da aula.

Houve também alguns que afirmaram que a escola estava ensinando a fazer sexo e não fazendo prevenção. Para o movimento Mães Pelo Escola Sem Partido, que conversou com a reportagem do LIBERAL através de sua página no Facebook, apesar de esclarecido que tratava-se de um projeto de prevenção, alguns pontos ficaram ainda obscuros.

“O bilhete enviado aos pais deu a exata dimensão da aula que seria ministrada? Houve excessos em sala? A matéria poderia ser dada de outra maneira? São questões que devem ser melhor investigadas”.

O 6º Promotor de Justiça de Araçatuba na área de infância e juventude, idoso e deficiente físico, Joel Furlan, recebeu uma representação de um grupo de pais relacionada à aula e instaurou um procedimento para apuração.

“Oficiei à escola Balthazar Poço e à Diretoria de Ensino para informações, também fiz uma reunião com a Diretoria de Ensino para me inteirar dos fatos. Por ora, só posso dizer que estou analisando o caso e prefiro aguardar as respostas para posição final”.

A Secretaria Estadual de Educação informou ao LIBERAL que os pais dos alunos foram chamados para receberem esclarecimentos da escola e compreenderam a situação. Um deles, que postou em seu perfil no Facebook sua indignação com o ocorrido, quando procurado pela reportagem não quis dar entrevista por já ter resolvido tudo com a escola.

Uma aluna que participou da aula postou em seu perfil na rede social que a polêmica sobre a aula foi desnecessária, já que, segundo ela, a escola é o melhor lugar para que os adolescentes aprendam sobre sexo, já que os pais não abordam o assunto em casa.

“Todos sabemos que nós adolescentes aprendemos mais na rua do que em casa (…) Então parem de dizer que não devemos aprender isso na escola porque, sim, tratar desse tema é super importante para nossa idade”, afirmou.

A proposta do movimento Mães Pelo Escola sem Partido vai na contramão da defesa da jovem, pois apoia que os pais orientem seus filhos de acordo com suas convicções religiosas e morais.

Da Redação

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