Reconstituição de morte de estudante fecha via movimentada de Araçatuba

Com o objetivo de esclarecer pontos divergentes dos depoimentos em relação à morte do estudante Diogo Belentani, 21 anos, ocorrida na noite do dia 15 de julho, em uma chácara na Rua Baguaçu, no Jardim Alvorada, em Araçatuba, a Polícia Civil fez ontem a reconstituição do crime. Diogo, que era filho do tenente coronel da PM, Armando Belentani Filho, foi morto com um disparo feito por Vinícius Oliveira Coradim (policial militar), hoje preso temporariamente no Presídio Romão Gomes, da PM, em São Paulo. A reconstituição levou a polícia, por cautela, fechar a Rua Baguaçu no trecho em enfrente à chácara, entre a Samar e a Rua Mauá. Para o delegado Fábio Pistori, que acompanhou a reconstituição, o trabalho foi muito elucidativo. A reconstituição terminou pouco depois das 13 horas.

Por volta de 9h30, já era intensa a movimentação na região, com guardas municipais e policiais militares. Pouco depois das 10h30 as vias de acesso à chácara foram fechadas pela Guarda Municipal, atendendo pedido da polícia. O comboio com Vinícius Oliveira Coradim, policiais militares e civis chegou pouco antes das 11 horas e entrou direto na chácara. Era ostensiva a presença de pessoas que faziam a proteção da entrada do imóvel, pelo antes da chegada da polícia.

Dentro do imóvel, antes da chegada da polícia, pessoas que estavam no local estenderam tecidos fazendo uma espécie de barreira para impedir a visão e imagem de quem estava fora, principalmente da imprensa.

A RECONSTITUIÇÃO

O delegado Fábio Pistori disse que na reconstituição houve a participação de quatro pessoas. Além de Vinícius Oliveira Coradim, que efetuou o disparo, participaram um bombeiro que fez o socorro e duas testemunhas, pessoas que estavam no local com os jovens. Foram mais de duas horas de reconstituição com a presença da Polícia Científica.

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Segundo Fábio Pistori, a reconstituição foi necessária pois havia pontos divergentes nos depoimentos. “Foi elucidativo”, disse o delegado, frisando que dentro de até 30 dias a Polícia Científica deve emitir o laudo e o delegado Carlos Henrique Cotait, que preside o inquérito, deve relatá-lo e encaminhá-lo fórum. Pistori preferiu não falar sobre pontos divergentes e o que ficou esclarecido. Tudo deve constar no relatório de conclusão do inquérito.

Coradim, segundo foi apurado pela reportagem, manteve a segunda versão, de que o tiro foi acidental. A primeira versão foi de suicídio.

PRISÃO

Vinícius Oliveira Coradim foi preso no dia 24 de julho pela morte do estudante Diogo Belentani, de 21 anos. A prisão foi feita pela Corregedoria da Polícia Militar em Jales. A prisão foi temporária por 30 dias, sendo prorrogada por igual período.

INVESTIGAÇÃO

O crime ocorreu no dia 15 de julho quando amigos participavam de u churrasco. De acordo com a polícia, na versão inicial do caso, Coradim, que era amigo da vítima, teria mostrado a arma para Diogo. Quando o PM foi tirar a pistola das mãos do rapaz houve o disparo. O tiro atingiu o peito do estudante. Após o caso, ele chegou a ser preso, mas pagou fiança de R$ 1.500,00 e foi liberado para responder pelo crime em liberdade.

Porém, por determinação de Justiça, Coradim foi preso porque o crime passou de homicídio culposo (sem a intenção de matar) para doloso (com a intenção de matar).

Na época a reportagem apurou que houve alteração na cena do crime que dificultou o trabalho da perícia e que algumas testemunhas mudaram as versões da primeira oitiva feita. Por isso, houve uma alteração no plano da investigação.

PRÓXIMOS PASSOS

Com a reconstituição, a Polícia Civil entra na fase final da investigação. Agora precisa do laudo da Polícia Científica para relatar o inquérito e apontar, com segurança, se o homicídio o doloso ou culposo. No caso de configuração de dolo, o delegado poderá pedir a conversão da prisão temporária em preventiva.

ANTÔNIO CRISPIM – Araçatuba

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