Conversa com treinadores e falta de espaço: Pratto revela bastidores da saída do Atlético

Há pouco mais de seis meses, Lucas Pratto trocava o Atlético pelo São Paulo, na segunda negociação mais rentável na história do alvinegro – 50% dos direitos econômicos do argentino por 6,2 milhões de euros (R$20 milhões). A saída do atacante, no entanto, não foi da forma que ele imaginou exatamente. Em entrevista ao programa Bola da Vez, do canal de televisão ESPN Brasil, o jogador revelou casos de bastidores que culminaram em sua saída do Galo.

Segundo Lucas Pratto, tudo começou no ano passado. O argentino, que se machucou no duelo contra o próprio São Paulo, em 18 de maio, na eliminação do Atlético da Copa Libertadores, viu várias mudanças acontecerem enquanto esteve fora, por dois meses: a troca de técnicos, com a saída de Diego Aguirre e a chegada de Marcelo Oliveira, além da contratação do atacante Fred.

Quando voltou ao time, Pratto chegou a conversar com o presidente do clube, Daniel Nepomuceno. Marcelo Oliveira também estava presente na ‘reunião’. O tema? A posição do argentino no time, já que Fred havia anotado quatro gols até ali. O treinador alvinegro na época garantiu a Pratto que ele jogaria ao lado do recém-chegado do Fluminense. E chegaram. Mas, no clássico contra o Cruzeiro, em 18 de setembro, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, Marcelo resolveu mudar e apostou em Clayton na vaga do centroavante estrangeiro. Na visão de Pratto, faltou respeito do técnico.

“O Atlético é um clube que gosto muito. Eu tive uma conversa com o presidente Daniel Nepomuceno e com o treinador da época, Marcelo Oliveira, e eu falei a verdade. Tinha saído do time por causa de uma lesão, fiquei quase dois meses fora, depois de me machucar contra o São Paulo na Libertadores. Aí eles contrataram o Fred. Gosto muito dele, se não é o melhor centroavante brasileiro, está entre os três melhores. Então eu perguntei: ‘Quero saber qual é a minha posição no clube?’. Aí o treinador falou que nós dois iríamos jogar. Mas passaram cinco partidas e eles me tiraram de um jogo que eu fiquei muito triste, porque você pode me tirar de qualquer jogo, mas me tirar de um clássico… Eu acho que é uma questão em que estavam faltando com respeito. Joguei com o Fred contra São Paulo, Coritiba, Sport, e o único jogo que tínhamos perdido juntos foi contra o Fluminense, fora de casa. Depois ganhamos”, disse Pratto.

O episódio foi superado, mas o argentino foi enfático com Marcelo Oliveira: queria honestidade. Sem poder contar com Fred na Copa do Brasil, já que o atacante havia defendido o Fluminense na mesma competição, o treinador passou a contar com o argentino no torneio. O camisa 9 se destacou e marcou quatro gols, sendo o artilheiro do Galo naquela ocasião. Para muitos naquele momento, Robinho não poderia atuar ao lado de Fred e Pratto. Mas o centroavante garantiu que o trio tinha totais condições de atuar juntos.

“Todos falavam que se eu e Fred jogássemos juntos, Robinho não poderia jogar. Se eu e Robinho entrássemos, Fred não poderia jogar, e vice-versa. O problema eram os três. Aí eu falei para o treinador que aceitava a decisão dele me tirar, mas pedi honestidade. Ele me pediu desculpas, falei que não tinha problema e que iria me doar ao máximo até o fim do ano, que queria ser campeão – na época estávamos com chance de conquistar a Copa do Brasil. Fiz muitos gols no fim do ano, mas no geral meu relacionamento com o Marcelo foi muito bom”, declarou o argentino.

Relação com Roger Machado e a proposta do São Paulo

Uma nova temporada chegou, e com ela, um novo treinador: Roger Machado. Para sanar qualquer tipo de dúvida que assombrava seu futuro no Atlético, Lucas Pratto quis logo saber do técnico se iria atuar ao lado de Robinho e Fred. A resposta de Roger foi positiva, mas logo sacou o argentino da titularidade ainda nos treinamentos. Um divisor de águas na vida de Pratto que, naquele instante, recebeu proposta da São Paulo. Ele ainda tentou uma permanência no Galo, pedindo diretamente a Daniel Nepomuceno para ser melhor aproveitado.

“Chegou o Roger e fiz a mesma pergunta: ‘Qual era a minha posição?’. Ele falou que jogariam os três juntos. Era o que íamos tentar. Não estava obrigando ninguém a nada, mas eu queria honestidade. Tenho um defeito que falo as coisas na cara, então as pessoas não gostam. Roger experimentou o esquema de três atacantes no treino, se passaram 10 minutos e ele me tirou. Aí apareceu a proposta boa do São Paulo e conversei com o Daniel (Nepomuceno), com quem tenho uma relação de amizade: ‘Serei pouco aproveitado. Acho que tenho que jogar mais. Não mereço isso. Joguei muitos jogos estando machucado, respeito todo mundo, mas você também contratou o Rafael Moura e agora tem três centroavantes. Não precisa ter os três para aproveitar só um'”, revelou.

Lucas Pratto lembrou da partida de estreia do Campeonato Mineiro deste ano, contra o América de Teófilo Otoni, na qual começou no banco de reservas. O Galo venceu o duelo com um gol de pênalti de Fred. Aos 22 minutos da etapa complementar, o argentino foi acionado por Roger Machado. Sua última partida pelo alvinegro foi pela rodada seguinte, contra o Tombense. Na ocasião, Pratto foi titular, mas não balançou as redes.

“Joguei pouco contra o América-TO e vencemos com um gol de pênalti do Fred. Aí pensei: ‘Se o jogo está 0 a 0 e entro com pouco tempo, alguma coisa está errada’. Quando apareceu a proposta do São Paulo, o Roger voltou a colocar os três juntos, mas eu já tinha dado a minha palavra para os diretores do Tricolor. Falei com o Daniel: ‘Quando dei a palavra que jogaria aqui, eu cumpri. Apareceu proposta do Cruzeiro nessa época, mas fechei com o Atlético’. Ele entendeu'”, concluiu.

Pratto chegou ao Atlético em janeiro de 2015. Pelo Galo, o atacante marcou 42 gols em 107 partidas, e conquistou o Campeonato Mineiro daquele ano. Com a camisa alvinegra, o argentino venceu em 61 oportunidades, acumulou 19 empates e perdeu 27 partidas.

Da Redação

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