Número de fumantes cai, mas cigarro ainda é o vilão da saúde pública

A relação entre o tabagismo e doenças continua crescendo a cada ano, o que faz com que as atenções se voltem para ambos no Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado nesta terça-feira (29). A data foi criada em 1986 pela Lei Federal 7488 e a partir dela o hábito de fumar começou a ser tratado como problema de saúde coletiva. Órgãos e projetos ligados ao tema buscam reforçar as ações de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, econômicos e ambientais causados pelo cigarro.

A Organização Mundial de Saúde estima que 100 milhões de pessoas morreram em decorrência do uso do tabaco no século XX, o único produto legalizado que mata metade de seus usuários regulares. Calcula-se que haja 1,3 bilhão de fumantes no mundo e 650 milhões morrerão prematuramente por causa do vício. Pesquisa financiada pela fundação Bill & Melinda Gates, do magnata dos computadores, e divulgada neste ano aponta o Brasil como “uma história de sucesso digna de nota” por causa da redução significativa no número de fumantes.

Foram analisados 195 países entre 1990 e 2015 e a conclusão é de que nos locais onde pessoas conseguiram parar de fumar houve um combinado entre impostos mais altos, leis proibitivas e avisos sobre os danos à saúde nos maços e programas educacionais. No Brasil, nestes 25 anos que a pesquisa cobre o número de fumantes homens caiu de 29% para 12% e de mulheres foi de 19% para 8%. O país é o oitavo em números absolutos de fumantes: 18,2 milhões.

Em Araçatuba o Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista da Secretaria de Saúde de Araçatuba já livrou, desde o início de suas atividades em junho de 2012, 255 pessoas do vício do cigarro. Foram 664 pessoas participantes até o momento, mas nem todos chegaram ao fim do tratamento e muitos que chegaram, não conseguiram largar. Diante disso, o número é uma vitória para o programa, pois representa 54% das 471 pessoas que concluíram o tratamento oferecido pela Prefeitura.

TRATAMENTO

O Programa de Atenção Intensiva ao Tabagista é ligado ao Ambulatório de Saúde Mental. Para participar basta entrar em contato e fornecer nome e telefone. Como a demanda é grande, a equipe agendará um retorno. Cerca de 100 pessoas aguardam na lista de espera para participar, o que costuma demorar até 6 meses. Ele consiste em uma entrevista individual e participação em quatro sessões de grupo de 10 a 15 pessoas, uma vez por semana. São realizadas consultas médicas durante o tratamento e após as quatro reuniões os participantes são agendados para a manutenção, que ocorre uma vez por mês durante um ano.

O programa é destinado a ajudar os participantes a deixarem de fumar, fornecendo-lhes informações e estratégias para direcionar seus próprios esforços neste sentido. A equipe é formada por assistente social, psicóloga, enfermeira e médico, que são capacitados pelo CRATOD (Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas) e INCA. Atualmente são feitos dois grupos por semana com aproximadamente 15 participantes cada. A maioria dos usuários são mulheres com idade entre 41 e 60 anos (67%). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, muitos participantes procuram o programa durante o tratamento de algum tipo de câncer ou com histórico de outras enfermidades, como infarto, derrame, enfisema pulmonar e problemas vasculares.

O tratamento dura cinco meses e os medicamentos são disponibilizados gratuitamente pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Prefeitura. São receitados o cloridrato de bupropiona, adesivo de nicotina e goma de mascar. As reuniões acontecem no Ambulatório Regional de Saúde Mental de Araçatuba, que fica na Rua Bahia, 472, no Jardim Sumaré. O telefone para contato é o 3624-5565.

PREJUÍZO E DOENÇAS

O Brasil tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo. Desse total, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura. As informações são do Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca), que revela também que a arrecadação de impostos com a venda de cigarros no país é de R$ 12,9 bilhões, o que gera saldo negativo de R$ 44 bilhões por ano.

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo divulgou que o tabagismo está ligado a 65% dos casos de câncer de bexiga em homens, chegando a 25% em mulheres. A informação foi revelada por meio de pesquisa realizada nos últimos 12 meses com pacientes atendidos pela equipe de urologia da Faculdade de Medicina da USP.

De acordo com o INCA em 2015 morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos. O instituto informa ainda que, desse total, 35 mil foram vítimas de doenças cardíacas e 31 mil de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O câncer de pulmão é o quarto motivo de morte relacionado ao tabagismo, com 23.762 casos. O fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

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