A nove dias da final da Copa do Brasil, amigos cruzeirenses só pensam na viagem ao Rio

Somente o título da Copa do Brasil parece importar para a torcida cruzeirense. O empate com o Santos – foram apenas 11.028 pagantes – não provocou qualquer tipo de reação no torcedor, nem mesmo o anúncio de que o time contra o Grêmio, amanhã, pelas quartas de final da Primeira Liga, será um mistão. A pretensão do técnico Mano Menezes, de aproveitar para descansar os que mais atuaram na temporada, também não incomoda. As atenções estão voltadas para a primeira partida da final contra o Flamengo, em  7 de setembro.

Tanto é verdade, que desde que o fim da partida contra o Grêmio, quando a Raposa assegurou nos pênaltis sua passagem à decisão do torneio, um grupo de amigos já começou a planejar a viagem para o Rio. Eles se encontram antes e depois de cada partida, no estacionamento do Mineirão – param seus caros sempre no mesmo lugar –, e compraram a ideia de um dos integrantes da turma, o empresário Celso Luiz Chimbida, de 58 anos.

“Sugeri, e de pronto, todo mundo topou. Mais uma final. A gente alugaria uma ônibus, confortável, para fazer a viagem. Na pior das hipóteses, uma van. Os ingressos, a gente compra no Cruzeiro. Falei mais por falar, mas eu mesmo me entusiasmei”, conta Chimbida.

Para dois deles, os funcionários públicos Cláudio José Xavier Marques, de 61, e Luiz Sérgio da Silva, de 70, ir ao Rio será reviver a final da Copa do Brasil de 2003, contra o mesmo Flamengo. O primeiro confronto, no Maracanã, terminou 1 a 1; no Mineirão, triunfo celeste por 3 a 1 e a quarta taça na galeria.

“Temos uma pelada, há mais de 15 anos, todos os sábados. E depois de uma delas, fomos para a casa de um amigo, que também jogava, para um churrasco. Alguém deu a ideia de irmos para o jogo no Rio, que seria no dia seguinte. Um amigo nosso conseguiu comprar os ingressos, no Cruzeiro, naquela mesma tarde. Saímos de madrugada. Éramos seis. Estávamos no Maracanã quando o Alex marcou aquele gol de letra, foi demais”, conta Cláudio.

Luiz estava junto. “Lembro que quase não dormi. Viajamos cedo. Vimos a vitória do Cruzeiro e voltamos. Foi muito divertido, tanto na ida quanto na volta. A gente foi de carro e parávamos onde desse vontade. Na volta, em Juiz de Fora, paramos para um pão com linguiça. Um amigo nosso comeu oito sanduíches e depois, quando o atendente perguntou se iríamos querer mais, o cara ainda pediu para espetar a última linguiça que estava na chapa. Lembro que o cara virou e disse: ‘Vou torcer para o Cruzeiro decidir sempre e vocês parem aqui na volta’. E lá vamos nós de novo”, recorda-se, aos risos.

AO LADO DOS ADVERSÁRIOS
Alencar de Souza Filho, de 56, engenheiro mecânico, conta que se entusiasmou com a ideia da viagem. Mas teve de mudar os planos: “Depois da vitória sobre o Grêmio estava todo animado. Mas, no dia seguinte, a notícia dura. Vou ter de ir para Alfenas, a trabalho. Vou aproveitar, porque é terra da minha mulher e passaremos o feriado lá. Em vez de ir com a turma para o Rio, verei o jogo na TV e o pior é que estarei ao lado de um monte de flamenguistas. Vai ser como estar na arquibancada do Maracanã, no meio da torcida rubro-negra. Mas espero me divertir e festejar a vitória lá mesmo”.

Da Redação

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