Casos de Aids aumentam entre jovens

O número de casos de Aids entre jovens aumentou nos últimos anos em todo o país, é o que revelam dados do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A taxa de infectados explodiu entre 2006 e 2015 em diversas faixas etárias, principalmente na população com idade entre 22 e 44 anos, e o maior crescimento está entre jovens gays e homens que fazem sexo com outros homens. O maior risco, entretanto, se deve ao fato de existir uma população contaminada que desconhece o diagnóstico.

O Ambulatório DST/AIDS e HIV de Araçatuba, ligado à Secretaria Municipal de Saúde, atende atualmente 950 pessoas com HIV/Aids. De acordo com a dirigente administrativa do serviço, Sandra Margareth Exaltação, esse número cresceu nos últimos anos: aumento de 26% de 2014 para 2015; aumento de 59,5% de 2015 para 2016. No ano passado foram diagnosticados 66 novos casos em Araçatuba.

Entre os atendidos estão 866 adultos, duas crianças, 5 parturientes, 6 recém-nascidos e 91 pessoas que foram expostas ao vírus (ocupacional ou não, por violência sexual ou com consentimento). A maioria, 62%, tem idade entre 22 e 44 anos; 12% entre 12 e 24 anos; 16% entre 45 e 54 anos e 12% com idade superior a 55 anos. “Parte da população, de fato, está infectada pelo vírus HIV e não sabe. Isso se dá pela falta de diagnóstico, que nos últimos anos foi facilitado com a implantação do teste rápido”, diz a dirigente. Os fatores que contribuem para o não diagnóstico são o medo em saber da contaminação, não acreditar que pode acontecer consigo, confiança no parceiro(a) e profissional médico que ainda não solicita exame HIV na rotina.

Dados do Ministério da Saúde apontam que 827 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil. Deste total, 372 mil não estão em tratamento, 260 mil já sabem que estão infectadas e 112 mil não conhecem o diagnóstico. De acordo com o órgão de 2006 a 2015 houve uma explosão de casos nas faixas de 15 e 19 anos (variação de 187,5%, com a taxa passando de 2,4 para cada 100 mil habitantes para 6,9) e de 20 a 24 (alta de 108%, passando de 15,9 para 33,1 infectados). Entre 25 a 29 anos, foi de 21%, com a taxa migrando de 40,9 para 49,5%. O período entre os 30 e os 34 anos não apresentou queda – manteve-se na faixa dos 55 por 100 mil habitantes e hoje só não é maior que a entre 35 e 39 anos, cuja taxa, de 58,3, caiu 7,5% nos últimos dez anos.

O QUE EXPLICA?
A imagem que a maioria dos adultos tem de uma pessoa contaminada por HIV, de um infectado magro e calvo, é aquela dos emblemáticos casos dos anos 1980, retratados em filmes como “Filadélfia”, de 1995, e mais recentemente em “Clube e Compras Dallas”, de 2013. De acordo com Sandra Exaltação, essa nova geração de jovens com HIV não viveu este período e cresceu sabendo que a doença tem tratamento, sendo possível viver normalmente se seguir o protocolo. Isso teria amenizado a noção de risco, consequentemente impactou o uso de preservativos.

Uma das medidas para conter o avanço, lançada em maio pelo Ministério da Saúde, é o antirretroviral Truvada como profilaxia pré-exposição (PrEP). O medicamento será oferecido a pessoas que não têm o vírus HIV, mas que estão sob risco de infecção, como profissionais do sexo, homossexuais, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é soropositivo). O tratamento preventivo consiste no consumo diário do Truvada.

A PrEP deve começar a ser distribuída entre outubro e novembro deste ano na rede pública de saúde, o que torna o Brasil o primeiro país da América Latina a adotar a estratégia como política de saúde pública. Esta abordagem preventiva já é utilizada em países como Estados Unidos, Bélgica, Escócia, Peru e Canadá, mas pela rede privada. O governo brasileiro está investindo inicialmente R$ 1,9 bilhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos, o que atenderia a demanda de um ano. A nova estratégia de prevenção será implantada, inicialmente, em 12 cidades onde já há experiência nesse tipo de tratamento. Seu uso pode reduzir em mais de 90% o risco de infecção por HIV, desde que tomado corretamente. Entretanto, ele não substituiu a camisinha.

Fernando Verga

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