Equilíbrio esperado pelo Atlético ainda não chegou, mesmo com troca de treinadores

O dia 23 de novembro de 2011 ficou marcado negativamente na carreira do técnico Marcelo Oliveira. A derrota por 3 a 1 do Atlético para o Grêmio, no primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, tirou o treinador do comando alvinegro. Ele nem mesmo comandou a equipe na última partida contra o Tricolor, que terminou empatada por 1 a 1 e com festa dos gaúchos. Agora, oito meses depois da demissão e a mágoa com a diretoria do Galo, o técnico reencontrará seu ex-clube. Domingo, às 16h, no estádio Couto Pereira, o Coritiba recebe a equipe mineira, em sua estreia no comando do Coxa. As duas equipes, que vivem crise técnica e de falta de resultados, tentam dar uma resposta diferente aos torcedores no confronto.

Na época, logo depois da demissão, Marcelo Oliveira concedeu um pronunciamento na Cidade do Galo e se mostrou surpreso com a decisão da diretoria. “Diferente das outras oportunidades que estive aqui para entrevista, hoje fiz questão de dar apenas um depoimento, fui chamado para uma reunião hoje, me surpreendi com o final da reunião e com a saída do clube. Me surpreendi porque temos um jogo, possibilidade de ser campeão. As dificuldades são grandes, mas também tenho consciência de que o jogo de ontem foi frustrante pelo primeiro tempo muito ruim que fizemos e isso gerou uma insatisfação em todos. Foram seis meses de muito boa convivência, queria dizer que surpreende também um técnico sair na condição de estar disputando uma final e já classificado para a próxima Libertadores. Mas a expectativa era grande demais no Mineirão e não conquistamos a vitória da forma como queríamos. Voltei ao Atlético para conquistar títulos, vitórias e fazer com que o time produzisse bem. Não somos infalíveis, mas também não somos incompetentes, trabalhamos com comprometimento, entrega. Só não foi melhor porque isso é futebol, isso é jogo”.

Depois da saída de Marcelo Oliveira e com a chegada de Roger Machado, esperava-se um Atlético mais equilibrado em campo. O técnico gaúcho, no entanto, só encontrou uma solução para um rendimento melhor da equipe na reta final do Campeonato Mineiro, quando passou a armar o time com três volantes. Na época, o time encontrou o seu auge na temporada.

As deficiências da temporada passada seguiram as mesmas. O time encontrou dificuldades na saída de bola, continuou sem muitas ideias para desmontar um adversário que joga totalmente fechado, o que resultou, muitas vezes em ligações diretas e bolas cruzadas na área.

O sistema defensivo melhorou sua média de gols sofridos neste ano. A equipe só levou três gols em duas partidas, ambas pela Copa do Brasil. No entanto, as críticas continuaram, com espaços cedidos aos adversários e falhas individuais. A situação só não foi pior graças às grandes atuações de Victor, que fez milagres em várias partidas no ano.

JOGADORES: QUEDA E CRESCIMENTO
Se no ano passado, Robinho foi o grande nome do Atlético, neste ano o atacante ainda deixa a desejar. O ‘Rei das pedaladas’ era um dos pilares do time de Marcelo Oliveira, mas não rende da mesma forma em 2017. Com o antigo treinador, Robinho jogava mais solto, tinha menos obrigação de marcar e, por isso, estava sempre próximo ao gol. Já neste ano, o camisa 7 teve que participar muito mais do processo defensivo, o que o tirou de perto da área em algumas oportunidades.

Fundamentais no ano passado, principalmente pela participação ofensiva, Fábio Santos e Marcos Rocha não vivem bom ano em 2017. Os dois laterais, principalmente pela sequência de jogos, não conseguem repetir as boas atuações do ano passado e têm sido, constantemente, alvos da fúria dos torcedores.

Por outro lado, o meia Cazares, que viveu altos e baixos com Marcelo Oliveira, virou titular absoluto do Atlético em 2017. O meia já deu 14 assistências para os companheiros, sendo o líder da equipe no quesito, além de ter marcado oito gols. Mesmo que ainda não consiga ser constante, o equatoriano vem se salvando nas atuações ruins da equipe.

Quem também mudou de patamar após a saída de Marcelo Oliveira foi o zagueiro Gabriel. Neste ano, ele virou titular absoluto da equipe e chegou a ser analisado pelo técnico da Seleção Brasileira, Tite, por causa das atuações seguras. Neste ano, ele já foi comparado a Thiago Silva e Marquinhos, jogadores que compõem o grupo da Seleção.

Abaixo, a análise do clube nos meses seguintes e as mudanças, o que melhorou e o que piorou no clube desde a saída de Marcelo Oliveira do clube. Confira.

3 treinadores no comando
Desde a saída de Marcelo Oliveira, o Galo foi comandado por três técnicos. Logo após a demissão, Diogo Giacomini foi o treinador nos dois últimos jogos de 2016. Ele também foi o treinador em uma partida em 2017. Para este ano, Roger Machado assumiu o comando, conquistou o título do Campeonato Mineiro e a primeira colocação geral na Copa Libertadores, mas foi demitido por causa do rendimento ruim da equipe no Independência no Campeonato Brasileiro e pela oscilação da equipe. Rogério Micale foi o escolhido para substituir Roger. Ele vai para o seu segundo jogo. No primeiro, viu a equipe ser eliminada da Copa do Brasil ao ser goleada por 3 a 0 pelo Botafogo.

Saídas e chegadas
Do time de Marcelo Oliveira, 12 jogadores deixaram o Atlético: Dátolo, Edcarlos, Júnior Urso, Leandro Donizete, Ronaldo Conceição, Carlos, Lucas Pratto, Patric, Hyuri, Clayton, Carlos Eduardo e Maicosuel.

Neste ano, 10 novos jogadores chegaram ao Galo: Felipe Santana, Danilo, Rafael Moura, Elias, Adilson, Marlone, Matheus Mancini, Valdívia, Roger Bernardo e Gustavo Blanco.

Queda como mandante e pequena melhora como visitante (análise apenas de jogos do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Campeonato Mineiro e Primeira Liga, por terem um peso menor, ficam de fora)

No período de Marcelo Oliveira
Atlético como mandante – 21 jogos – 13 vitórias, 5 empates e 3 derrotas – Aproveitamento de 69,84%
Atlético como visitante – 21 jogos – 5 vitórias, 9 empates e 7 derrotas – Aproveitamento de 38,09%

No período após Marcelo Oliveira (considerando reta final de 2016 e temporada 2017)
Atlético como mandante – 15 jogos – 7 vitórias, 2 empates e 6 derrotas – Aproveitamento de 51,11%
Atlético como visitante – 14 jogos – 4 vitórias, 5 empates e 5 derrotas – Aproveitamento de 40,47%

Queda ofensiva e crescimento defensivo (análise apenas de jogos do Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Campeonato Mineiro e Primeira Liga, por terem um peso menor, ficam de fora)

No período de Marcelo Oliveira
Gols marcados – 68 gols em 42 partidas – Média de 1,61
Gols sofridos – 61 gols em 42 partidas – Média de 1,45

No período após Marcelo Oliveira
Gols marcados – 41 gols em 29 partidas – Média de 1,41
Gols sofridos – 35 gols em 29 partidas – Média de 1,2

Da Redação

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