Megaoperação da Polícia Civil prende 49 pessoas na região por furto de energia

Uma megaoperação feita pela Polícia Civil de Araçatuba, Birigui e outras cidades da região cumpriu mais de 220 mandados de busca e prendeu mais de 45 pessoas na região por furto de energia elétrica.

O trabalho começou por volta de 5h30 de ontem (24) e se estendeu por toda a segunda-feira. Os dados completos da operação não foram informados até o fechamento desta edição, já que o trabalho se estendeu até à noite.

Após as investigações que apontaram o furto de energia elétrica por parte de centenas de estabelecimentos comerciais e imóveis em Araçatuba, Birigui, Lins, Promissão, Andradina, Valparaíso e Penápolis, os policiais solicitaram a expedição de mandados de prisão e de busca à Justiça.

A operação foi nomeada ‘Gato de Botas 2’, lembrando que uma operação com o mesmo nome e do mesmo gênero aconteceu em 2012 e também prendeu pessoas envolvidas no esquema de furto de energia.

Desta vez, ao todo, 229 mandados de prisão e de busca foram cumpridos e 49 pessoas presas em flagrante até o fim da tarde de ontem.

Além dos 49 presos, três eletricistas apontados como ‘cabeças’ do esquema foram presos temporariamente, dois em Birigui e um em Lins. Na casa do eletricista preso em Lins, a polícia apreendeu R$ 210 mil em dinheiro.

“Os eletricistas que eram os ‘cabeças’ do esquema. Eles ofereciam o serviço e faziam os ‘gatos’ nos relógios que medem o consumo de energia de várias formas. Para isso, eles exigiam 15% do total economizado pelos clientes. Tinha oficina mecânica, com todo equipamento que exige para o trabalho, pagando R$ 80 por mês de energia”, explicou o delegado da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Araçatuba, Paulo Natal.

Segundo ele, como a maioria dos clientes eram estabelecimentos comerciais, o lucro dos eletricistas que lideravam o esquema era alto.

“A maioria dos clientes eram estabelecimentos comerciais com consumo alto de energia, por isso o negócio compensava para todos”, disse.

De acordo com o delegado Marcelo Curi, que também participou da ação, as 49 pessoas presas em flagrante vão passar por audiência de custódia e o juiz vai analisar cada caso separadamente para decidir se os envolvidos permanecerão presos ou se poderão responder pelo crime em liberdade. A pena para o crime de furto qualificado é de três a oito anos de reclusão.

Duas armas de fogo também foram encontradas e apreendidas durante a operação. “Muitos acreditavam que não ia dar em nada, que pagariam no máximo uma multa pela irregularidade, mas vão acabar respondendo pelos atos de forma mais série. E nós vamos continuar fazendo operações deste tipo na região”, avisou Marcelo Curi.

PERÍCIA

A CPFL Paulista, que atende a região, auxiliou na operação com o trabalho de identificação dos furtos nos relógios de energia.

” A maior parte das fraudes encontradas ocorreu por meio da manipulação do medidor de energia. As fraudes e furtos de energia são crimes previstos no Código Penal, e a pena pode ser de um a quatro anos de detenção. Além disso, também são cobrados os valores retroativos referentes ao período fraudado, acrescidos de multa”, disse a concessionária.

Além de crime, as chamadas “perdas comerciais”, como denominadas os furtos e fraudes no jargão do setor elétrico, contribuem para tornar a conta de luz mais cara para todos os consumidores. Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconhece uma parcela do prejuízo da distribuidora com o valor da energia furtada e dos custos para identificar e coibir as irregularidades.

NOME DA OPERAÇÃO

O nome da operação foi escolhido porque ‘gato’ é o termo usado para o desvio de redes de energia, água ou até de sinal de internet e TV.

O uso do termo ‘botas’ foi escolhido porque os eletricistas usam botas para isolar e eletricidade enquanto estão trabalhando.

KAIO ESTEVES  – Araçatuba

você pode gostar também