Entre cães e gatos, 205 animais foram adotados este ano no CCZ

O Centro de Controle de Zoonoses de Araçatuba (CCZ) possibilitou a doação de 205 cães e gatos no primeiro semestre deste ano, sendo 124 cães e 81 gatos. O órgão abriga animais recolhidos das ruas e disponibiliza para adoção. Atualmente, 33 cães sadios, entre adultos e filhotes, aguardam por um dono; e são 26 gatos na mesma situação. Eles são tratados por veterinários do município e passam por exames laboratoriais para identificação de doenças que possam ser transmitidas ao ser humano.

Entretanto, a Agente de Combate de Endemias do CCZ Graziela Cândido Diniz Cardoso explicou que ao mesmo tempo em que os animais são adotados muitos proprietários aproveitam o período de férias para abandonar os seus. “Há um número maior de pessoas tentando se desfazer do animal no período de férias. As pessoas acham que por que vai sair para viajar a gente tem que recolher o animal. E nós explicamos que aqui é um Centro de Controle de Zoonoses, que fazemos controle de doenças transmissíveis entre homem e animal. Se o animal não tem doença transmissível ao ser humano não tem por que o CCZ recolher”, diz.

Ela explica que um dos motivos causadores de abandono na cidade são os condomínios de apartamentos. “Quando começaram a sair esses grandes condomínios de apartamentos na cidade o número de pessoas que abandonaram os animais, principalmente vindas de casas alugadas, foi terrível. Acontece de algumas pessoas abandonarem e adotarem outro, por que essa reposição é muito rápida. Mas o animal não é um objeto. As pessoas confundem isso. Se você pegou você tem que cuidar”, enfatiza.

CONFUSÃO
A coordenadora do CCZ Célia Taiacol, diz que há muitos casos em que a população confunde as obrigações do órgão. “Pessoas rejeitam o animal quando ele adoece e acham que o CCZ é obrigado a ir buscar. São pessoas que não querem tratar do animal, que rejeitam animal idoso e simplesmente se desfazem deles. Então, tem muita gente que acha que nós temos que buscar esses animais quando o dono não quer mais pra sacrificar, e não fazemos isso”, explica. Célia diz que os animais que chegam no CCZ tem muitas origens. “Denúncias de abandono, o Corpo de Bombeiros traz muitos animais, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) também. Mas para eutanasiar é necessário um laudo veterinário”, explica.

O animal errante é recolhido após a equipe fazer uma averiguação prévia e constatar que ele realmente não possui dono. A agente Graziela diz que cada animal recolhido possui uma ficha com assinatura de um responsável, normalmente da pessoa que fez a denúncia de abandono. “A primeira coisa que nós temos que fazer é coletar o material para realizar o exame da leishmaniose. No caso dos filhotes não há ainda nenhum exame de diagnóstico sorológico, então a gente faz nos animais adultos. Os filhotes ficam à disposição, mas também são cuidados pelos veterinários. Os cães adultos passam pelo exame e, dando positivo ele é eutanasiado. Dando negativo ele vai para adoção”, diz. De janeiro para cá, 296 cães foram eutanasiados após diagnóstico de leishmaniose. No ano passado foram 295 e em 2016 um total de 270 cães foram sacrificados.

SAIDINHA
Um costume de interior é também uma dor de cabeça para os servidores do CCZ. Graziela relata que há uma situação bastante comum, a do animal semi-domiciliado. “A pessoa sai para trabalhar de manhã e abre o portão para o cachorro dar uma voltinha. Aí a hora que ela chega ela guarda o cachorro. Nós recebemos muitos casos de pessoas que ligam falando de animais errantes e quando a equipe chega para fazer a averiguação o dono coloca o animal para dentro. As pessoas têm o hábito ainda de soltar os animais”, diz.

De acordo com ela, os finais de tarde são o principal momento para isso acontecer. “Note como as ruas dos bairros ficam cheias de cachorros no final da tarde. É um costume popular. Os donos não criaram o hábito de colocar na coleira para passear e soltam os cães nas ruas”, diz.

EXAMES
O CCZ oferece o serviço de coleta de material para diagnóstico de leishmaniose diariamente e de forma gratuita. O órgão atende das 7h30 às 17h e não fecha para horário de almoço. “O exame que os veterinários fazem é para diagnóstico de leishmaniose. Tem gente que traz cachorro com a pata quebrada. O que a nossa médica vai fazer? Isso não é uma zoonose, não dá para justificar um atendimento desse”, explica a agente. Além deste exame, o órgão também castra todos os animais que vão para doação.

TRATAMENTO
Em Araçatuba já há casos de pessoas que optaram por tratar o animal diagnosticado com leishmaniose. Entretanto, o medicamento liberado pelo Ministério da Agricultura não está disponível pelo poder público, cabendo ao proprietário arcar com os custos de aproximadamente R$ 2 mil para cada frasco do medicamento Miltefosina. “Hoje a pessoa tem o direito de optar pelo tratamento, lembrando que a leishmaniose não tem cura e esse tratamento vai ser para o resto da vida do animal. Esse tratamento é para prolongar a vida do animal, mas ele ainda continua com a carga parasitária”, explica Graziela.
O médico veterinário que faz o tratamento deve ser cadastrado tanto no Conselho Regional de Medicina Veterinária quanto no Ministério da Saúde. “O medicamento vem com um código de barra que precisa ser lançado. A pessoa não pode abandonar esse tratamento, por que é um caso de saúde pública, pois o animal não vai deixar de transmitir a leishmaniose. Desde que você faça o tratamento correto, não tem problema”, reforça Graziela.

FERNANDO VERGA – ARAÇATUBA

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