Na abertura da Expô, Dilador faz manifesto em defesa do setor rural

A solenidade de abertura oficial da Expô Araçatuba transformou-se em uma proclamação de defesa do setor do agronegócio. Dezenas de produtores de várias regiões de São Paulo acompanharam o manifesto, que soou como desabafo de quem se sente desprestigiado e desprotegido por suas instituições representativas. Dilador Borges falou mais como produtor e associado do Siran e da Cobrac do que como prefeito. “Não somos trouxas”, desabafou Dilador ao criticar a postura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), presidida pela senadora Kátia Abreu e a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidida há quatro décadas por Fábio Salles Meirelles.

Dilador foi bastante aplaudido. O secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, participou da solenidade.

Já na abertura da solenidade, o presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste, Marco Viol, deu o tom dos discursos. Em clima de despedida, pois após quatro anos vai deixar o cargo em dezembro, fez questão de agradecer o apoio de diretores e funcionários do sindicato, como o assessor Ernesto Trentin. Viol criticou a falta de infraestrutura do país. Os produtores estão fazendo a sua parte, mas não há condições favoráveis para escoamento e armazenamento da safra. “Vamos produzir, este ano, 243 milhões de toneladas de grãos, 30% a mais que em 2016. Mas cadê o projeto de comercialização? O que vamos fazer com tudo isso? Os produtores rurais, tecnologicamente, estão avançando, fazendo a parte deles. Mas o que vamos fazer com os produtos?”, indagou o presidente do Siran.

Na sequência falaram o presidente da Câmara, Rivael Papinha e a vice-prefeita Edna Flor, ambos destacando a importância e grandiosidade da feira.

O prefeito Dilador Borges, bastante inspirado, começou a criticar as incertezas que cercam o agronegócio. Citou que os agricultores, lembrando seu pai, Mguel Damasceno, que estava presente aos 87 anos, que desmatava com machado e foice e plantava com matraca. “A agricultura evoluiu e hoje usa tecnologia de ponta. Mas falta apoio”, disse Dilador, lembrando a cobrança do Funral. “Cadê a CNA?”, indagou Dilador, que criticou a presidente da confederação, senador Kátia Abreu. Dilador chegou a sugerir que a senadora usou a confederação para acomodações políticas. Depois, Dilador voltou o foco para a Faesp. “Querem transformar a Faesp em monarquia. Depois de 40 anos no poder, estão preparando para deixar para o filho”, desabafou o prefeito e produtor rural, pregando a união dos ruralistas, frisando que é preciso renovar. Dilador citou que, quando deputado, falou da concentração da JBS e do apoio do BNDES, mas ficou isolado. “Cheguei a ser criticado pela Faesp”, acrescentou. Ao falar sobre cooperativismo, Dilador disse que “cooperativa são fundadas por idealistas e afundadas por oportunistas”.

O secretário Arnaldo Jardim citou números destacando a importância do agronegócio brasileiro. Segundo ele, menos de 10% do território brasileiro é destinado ao agronegócio e produz grãos para abastecimento interno e exportação. Para mostrar a importância do setor, citou que dos 38 mil empregos gerados em maio, 21 foi no agronegócio, responsável também pela produção de mais de 50% dos aplicativos.

RECONHECIMENTO

A homenagem
VOTOS – Arnaldo Vieira, Rivael Papinha, Marco Viol, Dunga e Pichitelli

 Ao final da solenidade, foram entregues dois votos de aplausos, aprovados por unanimidade pela Câmara Municipal de Araçatuba; um foi destinado ao presidente do Siran, Marco Antônio Viol, e o outro para o Siran, que foi recebido pelo vice-presidente do sindicato, Arnaldo dos Santos Vieira Filho.

ANTÔNIO CRISPIM – Araçatuba

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