Correr girando os braços é erro de biomecânica ou característica do corredor?

Uma das queixas dos corredores é que, quando se olham em fotos ou treinam com amigos, percebem que giram muito os braços. Eles cruzam a linha do corpo a cada passada e não ficam ao lado, como supostamente deveria acontecer. Disso surgem duas questões: isso é errado? E se for, como corrigir esse padrão de movimento?

Para entender se o movimento do braço é errado, é preciso primeiro diferenciar o que são problemas de biomecânica e o que são movimentos que fazem parte da personalidade de cada corredor. Problemas de biomecânica são movimentos considerados inadequados durante a corrida, pois aumentam a sobrecarga sobre algum músculo ou articulação, gerando assim maior risco de lesão. Já um movimento que faz parte da personalidade do corredor é aquele que foge do padrão comum, mas não causa nenhum prejuízo ao corpo, como por exemplo inclinar um pouco a cabeça, ou balançar a mão de uma forma engraçada durante a corrida.

Girar muito os braços na corrida pode se enquadrar nesses dois tipos de movimento. Há um problema de biomecânica quando o movimento do braço vem na verdade de um giro maior do tronco: a coluna roda mais do que deveria, e por consequência, os braços cruzam a frente do corpo. Este caso pode ser considerado errado, pois há uma maior sobrecarga na coluna, e então alguma atitude deve ser tomada, como, por exemplo, introduzir exercícios de estabilização do tronco, como a prancha. Melhorando o movimento do tronco automaticamente os movimentos dos braços melhoram.

Em um segundo cenário, os braços podem girar demais sem o movimento do tronco, e isso a princípio não gera prejuízos à biomecânica do movimento, representando somente uma característica de personalidade do corredor. Como não atrapalha, não há razões fortes para ser considerado errado e exigir alguma intervenção. Esse tipo de movimento do braço atrapalharia corredores de alto rendimento e velocistas, mas em corredores de rua amadores, ele não leva a um prejuízo de performance significativo.

Sendo assim, é preciso enxergar as intervenções na biomecânica do movimento como algo a ser feito com cautela e avaliação prévia. Cada pessoa tem sua forma particular de correr, e nem todos precisam se enquadrar em um molde fixo e muito rígido.

Da Redação

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