Cade barra negócio bilionário e empresário de Araçatuba vai continuar à frente da Estácio

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou na quarta-feira, por 5 votos a 1, a operação de compra da Estácio pela Kroton, que criaria uma gigante do ensino superior privado no país, avaliada em R$ 30 bilhões. O único voto favorável à união das duas maiores empresas de educação do país foi dado pela relatora do caso, a conselheira Cristiane Alkmin, que pedia a adoção de medidas compensatórias para liberar a compra da Estácio pela Kroton. O empresário Chaim Zaher, do SEB Thathi COC de Araçatuba, que assumiu a presidência da Estácio em junho do ano passado, disse que já esperava o resultado. Chaim disse à reportagem do Sistema Regional de Comunicação que o mercado também esperava este resultado.
O empresário araçatubense, um dos mais importantes do setor educacional no país, com investimentos e métodos inovadores, vendeu o SEB à Estácio em 2013, ficando como sócio com mais de 14%. Em junho do ano passando, já em meio às especulações do mercado sobre o interesse da Kroton e do Ser Educacional na Estácio, ele assumiu a presidência da instituição. Na época, disse que o foco era a expansão e que só seria vendida em caso de uma proposta muito boa. A proposta veio e os sócios da Estácio autorizaram a venda, que foi fechada no início de julho do ano passado.

Para efetivação, o negócio deveria ser aprovado pelo Cade. As medidas defendidas pela relatora Cristiane Alkmin em seu voto incluíram venda da marca Anhanguera, com um conjunto de ativos que totalizam 258 mil alunos, além da alienação dos ativos completos da Uniderp, localizada em Campo Grande (MS), além de outras exigências.

Os demais conselheiros, incluindo o novo presidente do órgão antitruste, Alexandre Barreto de Souza, porém, votaram contra a operação, no que marcou a primeira rejeição pelo Cade de aquisição de empresa desde 2015, quando o órgão reprovou a compra da Condor Pincéis pela Tigre – Tubos e Conexões.

A Kroton travou uma acirrada disputa com outros rivais, incluindo a Ser Educacional, pela aquisição da Estácio em meados do ano passado. A empresa ganhou a briga com uma proposta de 5,5 bilhões de reais. O acordo tinha sido aprovado por acionistas de ambas empresas e enviado ao Cade para análise em agosto.

De acordo com o conselheiro João Paulo de Resende, a visão que preponderou no Cade foi de que, para ser aprovada, a operação precisava de remédios muito grandes, que implicariam em riscos de que a aplicação poderia não ser bem sucedida. A relatora afirmou que a Kroton já possui 37 por cento do mercado de ensino a distância e com a fusão o percentual subiria para 46 %.

A superintendência do Cade concluiu em fevereiro parecer considerando que a fusão das empresas geraria sobreposição em cursos de graduação presencial, graduação à distância, pós-graduação presencial e à distância, além de cursos preparatórios presenciais e online para concursos e para a prova da OAB.

EMPRESÁRIO

Tranquilo, o empresário Chaim Zaher revelou ao Sistema Regional de Comunicação que tanto ele como o mercado já esperavam este posicionamento do Cade. Portanto, não foi surpresa. Chaim disse que vai continuar investindo no fortalecimento da educação do país em todos os níveis e procurando sempre inovar. Em fevereiro deste ano, o Grupo SEB comprou anunciou a aquisição da operação sul-americana da rede de sistemas de ensino canadense Mapple Bear.

Reconhecido por criar métodos revolucionários, Chaim está empenhado na “escola do futuro”, como convencionou denominar um modelo diferenciado de ensino básico. A “escola do futuro” são unidades com currículo flexível, ensino em diferentes idiomas e aulas interativas, com uma extraordinária estrutura física. A escola está presente em poucas cidades.

O empresário não descarta uma unidade da escola em Araçatuba, cidade que ele e a família têm no coração.

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