Birigui comunica desligamento do Programa Mais Médicos

A Prefeitura de Birigui divulgou nota nesta terça-feira (20) comunicando o desligamento do município do Programa Mais Médicos, do Governo Federal. A assessoria de imprensa do município disse que já foram iniciados os trâmites para cancelar a adesão ao convênio e que o encerramento dos atendimentos pelos médicos cubanos depende apenas do Ministério da Saúde. A cidade conta com 11 profissionais estrangeiros atuando na Estratégia Saúde da Família (ESF). Entre as diversas justificativas apresentadas pelo prefeito Cristiano Salmeirão, a principal é de que com essa medida será possível aumentar o número de atendimentos. “Como posso resolver o problema da saúde de Birigui com apenas 16 consultas por dia em cada Unidade Básica de Saúde, apenas de segunda-feira a quinta-feira? “, perguntou o prefeito nas redes sociais.

De acordo com Salmeirão, dos 20 médicos que atendem na ESF nove são brasileiros e 11 são cubanos. “Os cubanos atendem apenas uma média de 15 pacientes por dia e apenas quatro dias por semana. Com isso, os médicos brasileiros também se negam a atender mais pacientes”, publicou o prefeito. O serviço prestado pelos profissionais de Cuba é regulamentado pelo Mais Médicos e o município não tem autonomia para mudar essa configuração, muito menos os médicos. Pelo contrato, eles devem atuar 32 horas por semana nas UBS, o que daria 8 horas por dia, quatro dias por semana. As outras 8 horas, correspondentes ao quinto dia de trabalho, são dedicadas a ações de educação na própria UBS ou em outros locais.

Atualmente, os 20 atendem cerca de cinco mil pacientes por mês nas UBS. O plano do prefeito é substituir os cubanos por brasileiros, todos atendendo 50 pacientes por dia de segunda a sexta-feira, o que elevaria o número de consultas para 20 mil por mês, quatro vezes mais que atualmente. Entretanto, moradores têm criticado a decisão nas redes sociais. “Um absurdo um médico atender 50 pacientes por dia. Onde está a qualidade no atendimento? Qual será a carga horária? “, questionou a moradora Arlete Garcia Machado.

MAIS MOTIVOS

A nota divulgada pela Prefeitura aponta uma série de motivos que levaram o prefeito a tomar tal decisão. O município alega que fez várias tentativas junto à coordenação do Mais Médicos para aumentar o número de atendimentos, todas sem sucesso. Entretanto, a Secretaria de Saúde de Birigui não informou qual foi a manifestação que recebeu do Governo Federal a respeito dessas tentativas.

O município cita o caso dos médicos que “sumiram” da cidade e foram acusados de furto em uma farmácia, ocorrido em 2016, profissionais que se negam a registrar o ponto e a aumentar o número de consultas, “atendendo apenas oito pessoas por período”, diz a nota. Cita também que as visitas domiciliares foram suspensas, deixando pessoas desassistidas. De acordo com a prefeitura, há equipe disponível para substituir os cubanos, aumentar os atendimentos e regularizar as visitas domiciliares.

MAIS EDUCAÇÃO

Nas redes sociais moradores de Birigui têm se manifestado positivamente a respeito dos médicos cubanos. Na postagem feita pelo prefeito em seu perfil no Facebook, foram várias as críticas sobre essa decisão. Muitos disseram que não se compara a educação dos médicos cubanos à dos brasileiros e que o grande diferencial é a atenção dada no momento do atendimento. “É uma pena, por que gostava muito do atendimento deles. A maioria descobria realmente o que a gente tinha, por que os outros só sabem passar remédio”, lamentou Pedro Marques.

Outro morador, Arlei Cremon Domingues, disse que a decisão foi um erro. “Me desculpe a franqueza, mas foi um erro funesto rescindir com os cubanos, pois o atendimento deles nem se compara ao dos brasileiros. Sou brasileiro e digo sem medo de errar: temos muito a aprender com os cubanos”, publicou na página do prefeito Salmeirão. Leivas Vieira disse que “só precisa educar esses médicos brasileiros; o atendimento é péssimo e os cubanos dão um show no quesito educação e atendimento”, desabafou.

Márcia Rosivaldo citou alguns médicos cubanos em uma publicação e agradeceu a eles. “Desde já estou muito triste em perder nossos queridos médicos cubanos, em especial a doutora Elisneidy e doutor José Miguel, pessoas que nos tratam muito bem, como seres humanos, diferentes de alguns brasileiros que só querem cumprir horário”, destacou. Entre uma crítica desinformada e outra, alguns moradores saíram em defesa dos médicos cubanos quando criticados por conta do volume de atendimento. “Os médicos cubanos foram contratados para atender 16 pacientes e atendem com muita atenção e humanização. Vamos ver se vai ter isso com 25 atendimentos por período. Muito feio cuspir no prato que comeu. Os cubanos são muito trabalhadores”, respondeu Tatá Titiane a um outro comentário.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

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