Ministério da Saúde autoriza novo antirretroviral contra o HIV

O Ministério da Saúde vai disponibilizar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) o antirretroviral Truvada como profilaxia pré-exposição (PrEP). O medicamento será oferecido a pessoas que não têm o vírus HIV, mas que estão sob maior risco de infecção, como profissionais do sexo, homossexuais, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é soropositivo). O tratamento preventivo consiste no consumo diário do Truvada.

A PrEP deve começar a ser distribuída em 180 dias na rede pública de saúde, o que torna o Brasil o primeiro país da América Latina a adotar a estratégia como política de saúde pública. Esta abordagem preventiva já é utilizada em países como Estados Unidos, Bélgica, Escócia, Peru e Canadá, mas pela rede privada. O governo brasileiro está investindo inicialmente R$ 1,9 bilhão na aquisição de 2,5 milhões de comprimidos, o que atenderia a demanda de um ano.

SITUAÇÃO EM ARAÇATUBA

De acordo com o Ambulatório DST/AIDS e HIV de Araçatuba, o município ainda não recebeu encaminhamentos do Ministério da Saúde sobre a utilização da PrEP. O órgão, ligado à Secretaria Municipal de Saúde, atende atualmente 950 pessoas com HIV/Aids. De acordo com a dirigente administrativa do serviço, Sandra Margareth Exaltação, esse número cresceu nos últimos anos: aumento de 26% de 2014 para 2015; aumento de 59,5% de 2015 para 2016. No ano passado foram diagnosticados 66 novos casos em Araçatuba.

Entre os atendidos estão 866 adultos, duas crianças, 5 parturientes, 6 recém-nascidos e 91 pessoas que forma expostas ao vírus (ocupacional ou não, por violência sexual ou com consentimento). A maioria, 62%, tem idade entre 22 e 44 anos; 12% entre 12 e 24 anos; 16% entre 45 e 54 anos e 12% com idade superior a 55 anos.

Sandra destaca que o maior crescimento de casos está entre jovens gays e homens que fazem sexo com outros homens. Entretanto, o maior risco se deve ao fato de existir uma população contaminada que desconhece o diagnóstico. Dados do Ministério da Saúde apontam que 827 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil. Desse total, 372 mil não estão em tratamento, 260 mil já sabem que estão infectadas e 112 mil não conhecem o diagnóstico. “Parte da população, de fato, está infectada pelo vírus HIV e não sabe. Isso se dá pela falta de diagnóstico, que nos últimos anos foi facilitado com a implantação do teste rápido”, diz a dirigente.

Os fatores que contribuem para o não diagnóstico são o medo em saber da contaminação, não acreditar que pode acontecer consigo, confiança no parceiro(a) e profissional médico que ainda não solicita exame HIV na rotina. A nova estratégia de prevenção será implantada, inicialmente, em 12 cidades onde já há experiência nesse tipo de tratamento. Seu uso pode reduzir em mais de 90% o risco de infecção por HIV, desde que tomado corretamente. Entretanto, ele não substituiu a camisinha.

FERNANDO VERGA – Araçatuba

 

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