Toshio Araki, um nikkei de muitas histórias

Neste domingo, 18, comemora-se o Dia da Imigração Japonesa, iniciada oficialmente em 1908, quando o primeiro navio chegou ao Brasil no porto de Santos. A primeira viagem trouxe 165 famílias, que vieram trabalhar nas plantações de café, na exploração de borracha na Amazônia e em plantações de pimenta no Pará, trazidas pelos próprios japoneses. No aniversário de 109 anos da data, lembramos da importante contribuição que o povo japonês deu à construção do Brasil.

O último navio da imigração chegou em 1973, quando o país já contava com cerca de 200 mil japoneses. Hoje, o Brasil tem a maior população japonesa fora do Japão, com aproximadamente 1,5 milhão de nikkeis. A região de Araçatuba recebeu muitas famílias japonesas, que fizeram e ainda fazem parte da história da cidade.

Para homenagear esses cidadãos, o ETC conta hoje um pouco da história de Toshio Araki, filho de imigrantes que nasceu na zona rural de Promissão, no bairro Barreiro, e veio para Araçatuba em 31 de julho de 1951, aos 9 anos. Toshio é arquiteto, formado em Curitiba, e trabalha na Prefeitura desde 1970. Aposentou-se em 2004, mas como conhece a cidade como ninguém, atua até hoje na Secretaria de Planejamento. “Uma vez baixaram um decreto de brincadeira mandando eu aposentar. Foi o Sandoval (servidor efetivo que atua no gabinete), mas eu não gosto de ficar parado e me chamaram de volta”, conta, com um discreto riso.

Toshio é contido e conversa baixo. Na Prefeitura, é uma referência para assuntos de obras, área em que começou como ajudante do pai. “Meus pais são nascidos no Japão. Meu pai nasceu na província de Gunma e como ele perdeu os pais muito cedo ele foi trabalhar na casa de um carpinteiro, junto com os quatro irmãos, e todos aprenderam a profissão.

Aí o mais velho e o mais novo, que era o meu pai, vieram para cá. Ele tinha 38 anos e em Promissão conheceu minha mãe, que veio com 32 anos”, conta. Tiveram 8 filhos, dois homens e seis mulheres. Toshio é o segundo mais velho.

Seu pai foi chamado em 1949 para construir o Templo Budista Honpa Hongwanji, em Araçatuba, localizado na rua Fernando Costa. Mais serviços começaram a aparecer e família veio em 1951.

Ele estudou no Colégio Salesiano e ajudou o pai a construir muitas igrejas da cidade. “Conhece aquela na rua Santos Dumont?”, pergunta sobre o Templo Budista  Nambei Honganji. “Tem também a igreja Seicho No Ie, Colégio das Freiras, Colégio dos Padres, Capela da Santa Casa, Igreja Episcopal na Duque de Caxias”, conta. Das obras que fez na Prefeitura, atuou em muitas avenidas, sendo a última delas a Gaspar Lemos, na zona leste. Mas a principal, como ele diz, é a retirada dos trilhos da ferrovia. “Acho que essa é a principal de todas, por que mudou a cidade.

A linha férrea interrompia entre norte e sul e com a avenida ficou outra cidade.

Fernando Verga

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