Delegado do Creci diz que aluguel continuará caindo por um bom período

O ano é bom para os locatários, que estão com poder de barganha perante os proprietários na hora de alugar um imóvel e também para renovar contrato. A afirmação tem sido feita por profissionais do setor imobiliário, que veem o valor do aluguel diminuir desde 2015, e com a perspectiva de que esse momento se mantenha, a orientação é para os proprietários aceitarem negociar para não ficar com imóvel fechado.

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que publica desde 2008 o índice FipeZap de Locação, aponta que em 2015 o preço médio de locação residencial teve queda de 3,34%. Entretanto, a queda real foi de R$ 12,66% devido à inflação de 10,67% do período, conforme IPCA. Foi a primeira vez que o indicador apontou resultado negativo em um balanço anual, que leva em consideração apenas novos contratos. A tendência manteve-se em 2016 e a queda real foi de 8,95%, levando em conta a inflação de 6,29%.

O delegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Araçatuba, Izaias Bittencourt Dias Sobrinho, explica que essa diminuição está relacionada ao boom imobiliário que o Brasil vive desde o início da década e à crise econômica atual. “Aquele que pagava aluguel de média ou baixa renda foi para o imóvel próprio. Quem pagava aluguel de médio a alto está com dificuldade de manter e isso tem feito com que muitas casas fiquem desocupadas”, diz. “A cidade não cresceu em população para que esses imóveis sejam realocados e isso faz com que o valor da locação venha diminuindo”, explica Sobrinho.

Com a expectativa de entrega de novos empreendimentos imobiliários em Araçatuba a tendência é que mais imóveis estejam disponíveis no mercado. “Então nós vamos passar por um bom tempo de diminuição de valores. Para nós, quanto mais barato melhor, mas não tem sido esse o caso. Não tem é o pretendente para o imóvel. Falta cliente. Mesmo o barato está difícil de alugar. Essa queda é muito ruim para o mercado imobiliário”, relativiza o delegado.

PESQUISA DO CRECI
De acordo com a última pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado – Creci-SP, com dados referentes a março deste ano, houve queda de 5,5% no número de novas locações com relação a fevereiro em todo o estado de São Paulo. No interior, o registro foi de 7,31%. A média de descontos concedidos sobre o valor inicialmente pedido pelos proprietários, tanto em casas quanto em apartamentos, foi de 10,92% para áreas consideradas nobres, de 12,73% nos bairros centrais e de 12,15% nos bairros periféricos. A pesquisa do Creci é realizada em 37 cidades do estado, incluindo Araçatuba.

O valor médio do aluguel em Araçatuba para uma residência de três dormitórios em área nobre gira em torno de R$ 2,5 mil. Em região central, para um imóvel com dois dormitórios vai de R$ 450,00 a 900,00; três dormitórios o valor fica entre R$ 850,00 e R$ 1.800,00. Em bairros periféricos pode-se alugar uma casa pagando entre R$ 200,00 e R$ 400,00.

Os custos de um apartamento nestas três áreas também são bastante diferentes. Região nobre, com três dormitórios, sai de R$ 900,00 a R$ 2.600,00; em bairros centrais, apartamento com dois dormitórios custa entre R$ 680,00 a R$ 700,00; com três dormitórios fica mais salgado: em torno de R$ 1.300,00. Na periferia a média do aluguel para apartamento com até dois quartos é de R$ 500,00. Os valos não consideram condomínio ou outras taxas.

DESESPERO
Por conta da dificuldade de fechar contrato, os proprietários estão procurando diversas imobiliárias para anunciar seus imóveis. É comum encontrar casas, em qualquer região da cidade, com mais de três placas de empresas anunciando o mesmo endereço. “Essa é uma visão errada do dono do imóvel, pois quando ele coloca mais de uma placa ele pensa que vai ajudar a locar o imóvel, mas pelo contrário. A pessoa que está procurando um imóvel e vê esse monte de placas tende a pensar que há algum problema com o imóvel. Então isso gera dúvida no cliente”, diz Sobrinho.

NEGOCIAÇÃO
José Vieira de Souza é proprietário de imobiliária em Araçatuba. Na sua empresa, o impacto da diminuição dos valores do aluguel começou a ser sentido em meados de 2016; desde então, calcula que tenha sido em torno de 30%. De acordo com ele, casas que estavam sendo negociadas por R$ 1.200,00 mensais estão saindo por R$ 1.000,00; casas de R$ 1.800,00 estão sendo alugadas por R$ 1.500,00. “O proprietário põe a casa para locar sabendo que vai ouvir proposta. Aqueles proprietários mais inteligentes aceitam as propostas. Eu tenho casas que estão fechadas há quatro, cinco meses por que o proprietário não caiu na realidade de que os valores estão diminuindo”, diz o empresário.

Vieira conta que 80% dos contratos feitos em sua imobiliária são com valores negociados e que os próprios locadores estão baixando o valor pretendido. “Tenho residência em torno de R$ 800,00 que está fechada há três meses por que o proprietário não aceitou negociar com o antigo inquilino. Então, hoje está locando sim, mas para aqueles que estão caindo na realidade, pois a população não está aguentando os valores”, destaca. Os imóveis mais procurados estão com o aluguel entre R$ 700,00 e R$ 800,00.

Ele cita o exemplo de um imóvel comercial que estava alugado por R$ 3 mil e subiu para R$ 3,5 após o reajuste. A inquilina tentou negociar, mas a proprietária não baixou o valor. “O prédio está fechado há seis meses e justamente nesta semana a proprietária esteve aqui e me autorizou a negociar por R$ 2,7 mil, abaixo do valor que estava locado há seis meses”, conta.

O delegado do Creci, que também possui imobiliária em Araçatuba, conta que o mesmo têm acontecido na sua empresa. “Tem acontecido de proprietários procurarem a empresa para sugerir a diminuição do valor para poder alugar. Não são muitos, mas acontece. A situação mais comum é do pretenso locatário pedir a diminuição do aluguel, daí a gente entra em contato com o proprietário e a maioria está aceitando a proposta para não deixar o imóvel fechado. Mais de 90% está aceitando um valor menor. Este é o cenário, favorável ao locatário”, destaca Sobrinho.

Fernando Verga

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