Brasileirão tem ao menos 60 estrangeiros, mas nenhum sequer lembra o craque Pedro Rocha

O Campeonato Brasileiro da Série A, o Brasileirão, tem ao menos 60 jogadores estrangeiros, de argentinos a sul-africanos e de uruguaios a costa-riquenhos, passando por chilenos, paraguaios, colombianos, equatorianos, venezuelanos e peruanos. De goleiros a atacantes. Jogadores técnicos e outros, nem tanto. Goleadores, titulares nas seleções de seus países. Entretanto, todos distantes de um dos maiores jogadores de todos os tempos: o uruguaio Pedro Rocha, que atuou no São Paulo de 1970 a 1977.
Pedro Rocha é o único estrangeiro artilheiro do Brasileirão. Em 1972, marcou 17 gols com a camisa tricolor e dividiu a artilharia com Dadá Maravilha (Atlético-MG). O meia que marcou época no Tricolor do Morumbi disputou quatro Copas do Mundo como titular da seleção de seu país: 1962, 1966, 1970 e 1974. Assim como Pelé no Santos, iniciou a carreira profissional aos 17 anos no não menos lendário Peñarol. Da mesma forma que o Rei, foi bicampeão mundial interclubes: 1961 e 1966.
O Verdugo (sujeito cruel, matador) não foi artilheiro apenas no Brasileirão de 1972. Foi também principal goleador do Campeonato Uruguaio de 1963, 1965 e 1968 com 18, 15 e oito gols e da Libertadores da América em 1974, com sete tentos. Além de bicampeão mundial, Pedro Rocha foi tricampeão da Libertadores (1960, 1961 e 1966), campeão de uma Recopa de Campeões Mundiais (1969), foi oito vezes campeão uruguaio (1959, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968), campeão brasileiro com o São Paulo (1977), bicampeão paulista com o Tricolor (1971 e 1975) e campeão paranaense com o Coritiba (1978). Os principais títulos individuais do craque uruguaio foram: Bola de Prata da Revista Placar (1973), 38º Futebolista do Século XX pela IFFHS (1999) e Melhor Jogador da Copa América (1967).
Misto da raça uruguaia com a elegância do futebol arte, Pedro Virgílio Rocha Franchetti encantou o mundo com as camisas do Peñarol, São Paulo e da seleção uruguaia. Alto, forte, veloz, impecável com os dois pés e perfeito em cobranças de falta, o Verdugo conduziu o Peñarol ao tricampeonato da Libertadores em 1966. O caneco continental levou o Peñarol para o Mundial Interclubes, contra o Real Madrid, numa reedição da final de 1960, vencida pelos espanhóis. No primeiro jogo, no Uruguai, os aurinegros venceram por 2 a 0. Na volta, no Santiago Bernabéu, Pedro Rocha fez o primeiro do Peñarol e Spencer ampliou: Real Madrid 0 x 2 Peñarol. Com 4 a 0 no placar agregado, os uruguaios conquistavam o mundo pela segunda vez.
Também em 1966, Pedro Rocha teve um desempenho brilhante na Copa do Mundo da Inglaterra. Aos 23 anos, o meia fez partidas marcantes, mas a Celeste foi eliminada pela forte Alemanha do também jovem Beckenbauer, que venceu por 4 a 0. Em 1967, Pedro Rocha liderou o Uruguai campeão da Copa América, disputada no próprio país. A Celeste foi campeã invicta, com quatro vitórias e um empate, com a taça vindo após a vitória por 1 a 0 (gol de dele) no clássico contra a Argentina, no estádio Centenário. O craque foi eleito o melhor jogador do torneio e foi um dos goleadores, com três gols. Aquele foi o primeiro e único troféu de Pedro Rocha com a camisa da seleção uruguaia.
Em 1970, transferiu-se do Peñarol para o São Paulo, que começava a montar um grande time depois da construção do Morumbi. Antes de começar a se destacar pelo clube brasileiro, o jogador viveu um drama na Copa do Mundo de 1970, no México, quando sofreu uma grave contusão logo na partida de estreia. O jogador perdeu todo o torneio, o Uruguai sentiu a falta de seu melhor jogador e foi eliminado pelo Brasil nas semifinais. Em 1974, já em decadência, a Celeste caiu diante da Holanda de Cruyff.
No Brasil, além do São Paulo, Pedro Rocha jogou também no Coritiba (1978), Palmeiras (1979) e Bangu (1979). Encerrou a carreira no Monterrey (México) em 1980. Ele nasceu em 3 de dezembro de 1942 em Salto e morreu em 2 de dezembro de 2013, em São Paulo.

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