Copa Badito: 18 anos de futebol e de caridade

Daqui a cinco finais de semana será conhecido o campeão da Copa Badito, edição de número 18, a mais longeva competição de futebol minicampo de Araçatuba. O torneio surgiu da vontade do construtor Gamaliel de Souza, o Badito, hoje com 51 anos, de arrecadar recurso para obras de caridade da Comunidade Espírita Mesa Branca, à qual pertence.

O professor Nélson Pereira de Castilho Filho, 49, que preside a Comunidade, está envolvido com o projeto desde a primeira edição. Hoje, a Copa Badito tem o apoio de empresas parceiras e importante participação nas atividades de múltiplo atendimento do seu público-alvo.

A competição que chega à 18ª edição, na verdade, começou dois anos antes. No ano de 1998, Badito organizou um torneio disputado no campo de uma empresa local e depois um segundo no CSU, no Jardim Morada dos Nobres. Dois anos depois, teve início a competição na chácara que leva o seu nome e lá permanece até hoje.

Assim que o minicampo se tornou “febre” em Araçatuba, recorda-se Badito, os campeonatos cobravam uma taxa de inscrição muito alta, barrando a participação de muitos times. Ele viu nos excluídos uma oportunidade de criar uma competição própria, com taxa acessível a todos, e arrecadar e recurso para a Comunidade Mesa Branca.

Outra “sacada” do idealizador do torneio foi em relação à idade. Aos 35 anos, muitos jogadores não se encaixavam nos times por serem considerados “velhos”. Daí a Copa Badito “investiu” na categoria sub-35. A primeira competição na chácara foi em 2000, com dez equipes, média que se mantém até hoje, podendo chegar a 12. O primeiro campeão foi a Atadiesel.

Assim surgiu a competição que logo se tornou conhecida na região, já que em anos anteriores teve a participação de equipes de Bento de Abreu, Clementina, Guararapes, Santo Antônio do Aracanguá e Valparaíso. Neste ano, há a participação de um time de Birigui (mas a cidade vizinha já esteve presente em anos anteriores).

Já disputaram a Copa Badito diversos ex-profissionais, como Garrinchinha (AEA), Cerezzo (Santos), Celso Reis (Londrina), Adriano Gerlin (São Paulo), Leandro Alves (São Paulo), Luciano Silva (AEA), Roni Montalvan (Goiás), o goleiro Betinho (AEA), Dicão (AEA e Corinthians), Edson Fumaça (AEA e Corinthians).

Muitos destes jogadores, mesmo morando em outras cidades nem tão perto de Araçatuba, se deslocavam para cá nos finais de semana para disputar o torneio pelos times que os contratavam. Segundo o construtor e o professor, os times que mais marcaram a competição foram o hexacampeão Sambagole e o tetracampeão AABB. O esportista que mais levantou troféu na “Arena Morada dos Nobres” foi Valberto de Marque, conhecido como Betinho Sucuri, sete vezes campeão como jogador e técnico.
Cada edição da Copa Badito movimenta ao menos 300 pessoas, preveem os organizadores. Cada time inscreve 22 jogadores e três pessoas para a comissão técnica, a equipe de arbitragem é formada por 15 profissionais, mais gandulas, mesários, seguranças, portaria, atendentes na lanchonete e pessoal de apoio. Segundo os responsáveis pelo evento, toda essa estrutura beira a três centenas de pessoas, a mesma quantidade de torcedores nas partidas iniciais da competição. “Em jogos de final, o público chega a milhares”, garantem. Em anos anteriores, a principal partida do domingo era transmitida por uma emissora de rádio.

Atualmente, os times pagam R$ 500 de taxa de inscrição e a premiação deste ano será R$ 2 mil para o campeão e R$ 1 mil para o vice, além de troféu e medalhas. Até 2016, a competição teve a colaboração da administração municipal. No decorrer do campeonato, o jogador que tomar cartão amarelo tem de doar um quilo de alimento não perecível e se for vermelho, cinco quilos.

Uma vez organizada a competição e quitadas as despesas, toda a arrecadação da Copa Badito é destinada à manutenção da Comunidade Mesa Branca, que doa 27 cestas básicas por mês e oferece sopa a 150 pessoas todas as quintas-feiras. Além disso, tem duas camas hospitalares, cinco cadeiras de banho, 20 cadeiras de rodas, andadores e muletas. Todos esses equipamentos são emprestados a pessoas que necessitam, mas não têm como comprá-los.

A competição de futebol minicampo também é responsável pelo Natal Solidário e festas junina e do Dia das Crianças, com direito a almoço, bolo e distribuição de brinquedos. Antes de as famílias receberem ajuda, são visitadas por Badito, que constata a real necessidade de cada uma. Assim, a Copa Badito de Futebol Minicampo vai atravessando os anos e cumprindo a missão para a qual foi criada: o entretenimento através do esporte e a prática da caridade.

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Antônio Soares dos Reis – Araçatuba

 

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